Análise técnica: a receita de Lyoto para derrubar Muñoz

Fernando Cappelli | 28/10/2013 às 15:06

O nocautaço aplicado por Lyoto Machida em Mark Muñoz em poucos minutos do combate principal do UFC FN 30 foi totalmente impressionante.

Por bem ou por mal, também ‘adiou’ uma análise mais profunda sobre as reais capacidades do “Dragão” nos pesos médios.

Só um combate mais longo do carateca atestará o fato.

Por ora, vamos analisar rapidamente a performance enxuta e o chutão que Machida acertou na “Máquina de Destruição Filipina” e deixou a melhor impressão possível na nova divisão.

A tal da espera

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Jogando a isca…

O grande dilema de quem enfrenta Machida no UFC é domar a paciência em um cenário em que a adrenalina está a mil por hora e a vontade de enfiar o punho no rosto do adversário é inerente.

As dimensões grandes do octógono aliadas ao poder de entrada/saída/escapes sistemático do brasileiro compõem fórmula irritante para qualquer um.

No caso de wrestlers sem tanto cacoetes ou outros recursos em pé para fintar, usar movimentos ou golpes de aproximação (como steps, jabs e chutes com a perna da frente da postura de luta) – o caso de Muñoz -, o cenário é ainda mais agravante.

Seja nos meio-pesados, médios, galos ou moscas, Machida não vai modificar a essência de seu jogo de espera e contragolpes.

Muñoz esboçou alguns ataques tímidos e tentou se atirar às pernas de Machida uma única vez.

Todas as investidas foram frustradas pelos reflexos e capacidade de antecipação características do brasileiro.

Pouco depois, o descendente de filipinos pagaria caro pela falta de inspiração.

Patada classuda

UFC Fight Night 30:

Indo pra cabeça

Chutar é considerada uma arte complexa de ser dominada em qualquer modalidade em pé.

Não apenas pela mecânica de golpes e o grau de especialização sempre elevado em cada tipo específico de patada, mas talvez pela possibilidade de usá-los em zilhões de combinações e estratégias diferentes.

Bons chutadores têm a capacidade de prezar pelos detalhes, como o tipo de elevação do joelho e o controle pleno da força de quadril – o que facilita diversas fintas e desvios com as pernas em pleno ar.

Machida precisou de três chutes circulares – os mais básicos do mundo -, para vencer Muñoz.

A grande virtude foi colocá-los em diferentes alturas para enganar o oponente, tática básica e usada com frequência por muitos campeões – que também é chamada dois/um (dois chutes baixos, um no alto) ou mesmo ‘isca’.

Ao perceber a cautela excessiva do filipino em voar nas pernas pra tentar a queda ou tentar boxear de forma mais franca, Machida resolveu manter a distância de forma segura e que lhe é característica.

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Boa noite

Em três tempos:

1 – O primeiro passo foi acertar um forte chute nas costelas, para condicionar o adversário a se preocupar com os bloqueios na média altura.

2 – Após alguns instantes, o carateca ameaçou, visualizou a abertura na guarda e mandou outro de esquerda, agora dentro da perna, potente o suficiente para desequilibrar Muñoz pela segunda vez.

3 – No terceiro, Machida deslizou para frente, levantou o joelho mandou a patada alta derradeira. Muñoz visivelmente esperava outro na linha de cintura. Ele fez o bloqueio com o antebraço direito colado ao corpo protegendo a cabeça, e a mão esquerda cruzada, como um ‘abafador’ para amenizar a força do golpe. Mas se inclinou demais o corpo (e a mão esquerda) para frente para proteger o tronco. O pé do brasileiro atingiu em cheio a têmpora e o nocauteou.

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