A bela e inocente vontade de lutar de Caldeirão

admin | 05/08/2012 às 17:48

Após participar do quadro “Lata Velha” do programa Caldeirão do Huck, Wagner Prado não ficou apenas perdido nos arquivos globais de 2009. Ele realmente “comprou” a briga. Com o convite dos irmãos Nogueira deibaixo do braço, mudou-se para o Rio de Janeiro e, desde então, treinou três vezes ao dia até viajar para Los Angeles estrear no UFC.

Eu pude ver seu preparo de wrestling na Team Nogueira durante esse período e ele se jogava mesmo, pedia os mais fortes, não assumia o cansaço. “Ele é uma pedreira (Phil Davis), mas eu também sou e vou mostrar isso para todo mudo”, disse em entrevista, esbanjando confiança. Eis que o inesperado aconteceu.

Não foi o favoritismo disparado de seu adversário, nem falta de técnica, muito menos treinamento. Foi a falta de malícia que fez com que esta estreia ficasse apenas em um ”No Contest”.

Após, sem querer, Phil Davis acertar um dedo no olho do brasileiro, o árbitro, em inglês, fez algumas perguntas. Wagner não fala inglês e nenhum dos corners estava dentro do octógono na hora.

Pela dor, ansiedade da estreia e a euforia de estar no UFC , ele disse inocentemente as únicas três palavras que foram o estopim para a luta terminar. “I SEE TWO”, repetiu algumas vezes para o médico que o analisava. Fim de luta.

O desespero de Wagner era tão doído, que muita gente pode experimentar os mais diversos sentimentos com sua indignação. Ele gritava muito que queria voltar, berrava, pulava, jogava as mãos. Alguns comentaristas arriscaram a dizer, em tempo real, que ele estava daquele jeito por medo de uma derrota em seu cartel.

Não era por isso. Ele apenas queria lutar, queria ver até onde ia, queria se testar, literalmente estrear. “Eu luto, eu luto. Está tudo bem, já passou”, dizia em português no ensejo.

Caldeirão é realmente carismático e deu tudo de si nesses últimos meses. Ia e voltava de bicicleta para o CT. Aproveitava todas as dicas com olhares atentos e ansiosos. De toda forma, o ”no contest” não é de todo mau. Valeu pela experiência.

Agora, de repente, “Caldeirão” poderá enfrentar até outro adversário e finalmente fazer a estreia tão desejada.

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