Chael Sonnen no TUF Brasil 3: boa ou má ideia?

Renato Rebelo | 23/10/2013 às 22:47
UFC on FOX 2: Press Conference

Sonnen discursando atrás do seu cinturão falso

Chael Sonnen é um ponto muito, mas muito fora da curva no MMA.

Afinal (independente do conteúdo), quem mais dedica o tempo ócio a escrever poemas, rimas, bolar discursos, contar piadas, apresentar programas televisivos, etc?

O “Gangster de West Linn” ficou rico aliando o desemprenho à observação.

Obviamente, estamos falando de um camarada que rala a cara em tatames fétidos desde que possuía dentes de leite.

O filho da Dona Cláudia é um exímio wrestler, com boxe decente, preparo físico extraordinário e força mental bacana.

Além disso, Sonnen usou seu faro empreendedor para identificar uma bela oportunidade.

Pensem comigo.

O nome do esporte é artes marciais mistas, certo?

E quais são as característica mais comuns entre seres humanos doutrinados pelas artes marciais?

Respeito, autocontrole, disciplina, responsabilidade…

Virar o grande espalha brasas em meio politicamente correto simplesmente destacou Sonnen – pragmático dentro da jaula- da boiada.

Só foi necessário unir o carisma e o dom da comunicação à sua grande influência na adolescência, o pro wrestling.

Adaptações de frases ditas por Billy Grahan, Hulk Hogan, Jesse Ventura entre outras lendas da marmelada são usadas por Sonnen a torto e direito.

E lá, o que vale é o teatro.

Provocações de cunho sexual, racial e étnico, por exemplo, entram por um ouvido e saem pelo outro.

É diversão pura e simples.

Deve ser por isso que Sonnen virou refém do próprio personagem em algumas ocasiões e errou (e muito) na mão:

Saudações de São Paulo! Eu já estou aprendendo a língua. A dança que fazem nas paraolimpíadas aqui se chama ‘capoeira’ e a cocaína se chama ‘brunch’ (refeição que acontece entre café da manhã e almoço) – provocou via Twitter em sua última visita ao país.

Mas, pra quem assistiu o TUF 17 na íntegra e pode entrevistar pessoas próximas a ele (falo de mim), fica bem claro que o sujeito não é bipolar, xenófobo, racista ou nada do tipo.

– Vocês tem que entender que o Chael ama o Brasil e adora os brasileiros, ele treina com brasileiros e isso é puro marketing. As pessoas não podem levar isso para o pessoal. Como ele perdeu aquela luta (para o Anderson Silva), ele está brigando para conseguir uma revanche – explicou Renzo Gracie num vídeo antigo vinculado pela Tatame.

– Ele é totalmente oposto do que aparenta quando tem mídia envolvida… É um cara que cuidou de mim quando eu estava lá. É um cara muito família, totalmente diferente do que as pessoas acham – disse Vinny Pezão a esse humilde site.

É esse interessantíssimo personagem que vem ao Brasil gravar um exaustivo reality show exatamente oposto a Wanderlei Silva, o “Cachorro Louco” – que não é famoso pelo pavio longo.

Sonnen sabe muito bem que precisará ficar no sapatinho para que nada dê errado em território hostil.

E não foi necessária a confirmação do TUF Brasil 3 pra haver esse entendimento.

Em julho de 2012, uma ligação do próprio Renzo Gracie alertou o representante da Team Quest para os perigos de atacar um povo tão orgulhoso quanto o brasileiro em vão.

Ei, Chael Sonnen, eu tenho habilidades e experiência que casam perfeitamente para o serviço de segurança privada. Você vai precisar disso no Brasil – brincou Tim Kennedy, que é ex-integrante das forças especiais do exército americano.

De lá pra cá, não recordo de citações sobre o país presidido por Dilma Rouseff em seus “stand ups”.

As provocações voltaram a ser personalizadas.

Dessa forma, não me chocaria o nascimento uma simpatia popular para com o técnico vencedor do TUF 17 – que motivou seus atletas com belíssimos discursos motivacionais e botou dois deles na final do programa (Uriah Hall e Kelvin Gastelum).

Afinal, além de não sermos tão belicosos assim, a ira do curitibano pode acabar virando um tiro no pé:

Vou falar para o Dana pedir para assinar um termo de contrato falando que se eu meter a mão cara dele fora do octógono, não vai me dar processo. Se esse cara passar da linha comigo, como fez com o Anderson, eu meto a mão na cara dele – mandou o Mr. Pride em entrevista ao UOL.

Wand que abra o olho, pois Sonnen é craque em manusear rivais no jogo promocional (mesmo levando em conta nosso exacerbado nacionalismo esportivo).

De qualquer forma, dublado ou não, é certo que o show carregado pela eloquência dos ídolos baterá recordes de audiência por aqui e, pela primeira vez, será visto de forma maciça no exterior.

Ótima notícia para jovens anônimos que doarão a alma em busca de um lugar ao sol.

Golaço, Dana, golaço.

Abraços.

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