UFC 166: sobre destruição moral e pontos finais

Fernando Cappelli | 21/10/2013 às 14:58
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Encarada tensa pré-luta

Não houve qualquer dúvida em relação à superioridade de Cain Velásquez sobre Júnior Cigano no combate principal do UFC 166.

O desafio atestou a trilogia entre a dupla e o placar de 2 a 1 para o atual campeão.

Diferentemente do episódio anterior, na edição 155, no qual Velásquez embolou Cigano no solo e despachou tremenda surra de 25 minutos, desta vez o campeão empurrou sistematicamente o adversário contra as grade e usou golpes curtos para acumular danos graduais.

A passividade de Cigano durante o combate engordou o jogo relativamente simples de encurtar e bater de Velásquez.

Mais do que isso, o gringo refrigerou os ânimos, e provavelmente colocou ponto final na rivalidade mais honesta e natural de todos os tempos entre os pesados do UFC.

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Cruzado entrando limpo

O novo resultado no estilo ‘destruição moral’ não deve abrir precedentes para uma quadrilogia, ainda inédita na organização.

Se o catarinense tivesse se mostrado mais competitivo, talvez Dana White colocaria os neurônios para fritar e cogitaria algo do tipo.

Cigano e Velásquez configuram o que há de melhor entre os pesados nos últimos anos.

Técnicos, atléticos e extremamente profissionais.

O abismo entre eles e os demais lutadores da divisão parecia grande. Mas Velásquez foi além.

Com tática menos plástica, mas totalmente eficiente aliada a um preparo físico de alienígena (essa é do Renato Rebelo), cada vez mais dá pinta de que manterá o cinturão por muito tempo.

ESTRAGOS

Estragos…

A nova derrota terá de abrir caminho para o sempre dedicado e gente fina de plantão Júnior Cigano.

Como tantos outros lutadores que já experimentaram o gostinho do topo e depois perderam o fio da meada por ‘n’ motivos, o catarinense deve se esforçar para buscar novos treinos e reciclar habilidades em novo rumo que provará por ‘a + b’ que ainda é um cara que merece total confiança dos fãs e do chefão careca.

Os pesos-pesados sempre funcionaram com padrão muito peculiar no MMA, desde a época dos ‘brigões de bar’ até lutadores mais refinados, como Randy Couture, por exemplo.

Não há muito espaço para elegância ou dinâmicas.

A pancada brutal e as luvas pequenas fazem o nível de wrestling ser muito forte e presente como um ponto de equilíbrio de sobrevivência.

Sempre se deu melhor quem soube aproveitar as minúcias do jogo ‘safadão’ de clinchar, abafar e golpear.

E isso, no Brasil, ainda é uma grande defasagem.

De qualquer forma, Cain Velásquez jogou para escanteio a principal sombra e está com uma cabeça, um corpo, um cinturão e dezenas de minutos de vantagem sobre qualquer um na maratona dos pesados.

Não tenho muito saco para estatísticas, mas bato na mesma tecla de que o “tchicano” vai fazer história e baterá todos os recordes de permanência na soberania da divisão.

E você?

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