Pensando alto: a análise informal do UFC 166

Renato Rebelo | 20/10/2013 às 04:02

Seria exagero dizer que o UFC 166 foi, até agora, o evento do ano?

Quase todas as lutas entregaram uma pá de emoções e eu, às 5h da matina, ainda estou mais adrenalizado que doceiro em rave ou idoso em caiaque.

Cortando o papo mole, vamos à minha sempre confusa leitura do card principal:

 

VELASQUEZCain Velásquez x Júnior dos Santos

Primeiro, preciso reforçar um conceito simples – porém, infelizmente, não tão bem assimilado. Análise não é torcida! Por que não apostar em Júnior Cigano – que é um dos meus lutadores favoritos- me torna parcial, antipatriota ou tendencioso? Esse protecionismo bobo gera miopia e nos deixa frágeis perante a bigorna do realismo. O fato da mão direita de Cigano ter encontrado a têmpora de Velásquez simplesmente não nos diz mais do que 25 minutos de domínio violento e ininterrupto em todos os setores. E se essa mão poderosa não encontrar o pequeno interruptor? Como esperado, o campeão manteve o desafiante na defensiva adivinhando se seria golpeado ou derrubado e, num brutal display de técnica, estratégia, força e condicionamento físico, provou não apenas que reina só na categoria, mas também que é um dos maiores atletas vivos. Ah… Evitar o clinch, sair da grade e jogar com a guarda mais alta soam como atitudes simples. O difícil é botá-las em prática contra um trator. Mike Tyson tem um tese interessante para rebater nós, gatos-mestres de plantão: “Todo mundo tem um plano para me vencer até tomar o primeiro soco na cara”. Cigano é cabulosíssimo, gente, e seria o monarca se Dona Isabel não tivesse dado a luz no dia 28 de julho de 1982.

Eu acho que a luta deveria ser parada no terceiro round. Tem alguns caras que são duros demais pro próprio bem e o Júnior é um deles. Não sou médico, mas um cara jovem como ele não precisa receber tanto castigo assim. Ele estava muito machucado – opinou Dana White.

CORMIERDaniel Cormier x Roy Nelson

Errou feio, errou rude! O bobalhão aqui apostou no duelo X-Picanha como luta da noite e quebrou a fuça. Nelson, que admitiu ter feito o pior “camp” da carreira, mais uma vez confiou no retorno do profeta (seu cruzadão de direita). Como o santíssimo não apareceu, DC, mais ágil e preciso em pé – e dono do meio-campo (jogo de quedas)-, aterrissou 74 golpes (de 148 tentados) e convenceu os jurados que ainda estavam acordados. Boring!

Os caras dessa categoria são muito grandes pra mim. Com certeza minha próxima luta será como meio-pesado – cravou aquele que os fãs carinhosamente apelidaram de Emelianegro.

MELENDEZGilbert Melendez x Diego Sanchez

“Melendez tem uma vantagem louca em pé e Sanchez tem a vantagem de ser louco”. A frase de Joe Rogan explica bem como “El Nino” transformou o rosto do rival em pintura gótica e quase foi deitado no minuto final. Durante 13 minutos, “O Sonho” não teve resposta para o esquisito boxe californiano ensinado por Richard Perez e engoliu barragens de jabs, ganchos e cruzados. Desfigurado – porém não entregue- Diego ligou o foda-se, expôs ao mundo seu “corazón” e, por milímetros, não mitou. Luta da noite, do ano, da vida. “Title shot” pro vencedor e contrato vitalício pro perdedor, por favor.

O Diego Sanchez nunca está fora de nenhuma luta – e ele provou isso hoje contra o número dois do mundo. Em 13 anos no negócio, acho que nunca vi uma luta dessas, eu parecia uma criança assistindo. Era a terceira guerra mundial mexicana – elogiou o contente presidente do UFC.

NAPAOGabriel Gonzaga x Shawn Jordan

Desde que abandonou o sofazão e a Coca gelada, Napão vem espalhando terror pelas castas inferiores do peso-pesado. Jordan, quinto a virar estatística em seis lutas, era trocador superior no papel – mas deitou em berço esplêndido logo na primeira investida. Com mais essa, o bigode grosso oficialmente encerra sua estadia na Série B para tentar (novamente) a sorte contra clubes grandes. Aos 35 anos, será que ele aguenta outro pique montanha acima?

Eu tenho 11 finalizações no peso-pesado – empatado com o Frank Mir– e estou aqui desde o UFC 66. Não sei onde estou na divisão, deixo os outros responsáveis por isso. Apenas subo lá para fazer o meu melhor. Vou com a correnteza e espero evoluir – garantiu o carioca.

DODSONJohn Dodson x Darrell Montague

“O Fuinha”, amplamente reconhecido como um dos melhores pesos-moscas fora do Ultimate, aprendeu duas lições hoje: 1- ninguém até 57 quilos bate tão pesado quanto “O Mágico” e 2- a grama nem sempre é mais verde do outro lado. Peixe fora d’àgua, Montague não acompanhou o ritmo alucinante do caçador de elite e sucumbiu à segunda bem bolada combinação de mãos. Haja criatividade para não casar os três mosqueteiros (Dodson, Demetrious Johnson e Joseph Benavidez) a cada seis meses.

Quero provar a todos que os pesos-moscas também têm poder – além de serem os mais divertidos – afirmou o sempre sorridente vencedor.

Alguém achou que a dedada no olho foi suficiente para render a vitória à Tim Boetsch sobre CB Dollaway?

Abraços.

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