Cigano x Velásquez: rixa e honra na mesma moeda

Fernando Cappelli | 17/10/2013 às 18:21
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UFC on Fox 1: o ataque do Cigano

A grandiosidade dos esportes de luta é medida constantemente pelo grau elevado de rivalidades de gabarito – fator que sempre reforça a base de fãs a longo prazo.

Pelas próprias circunstâncias, muitas são forjadas ou mercadologicamente elaboradas para render cifras gordas ou pano pra manga (quase) sem limites.

Outras, felizmente, ainda se enquadram no senso ‘old school’ mais raro e repleto de honra, no mesmo naipe de Chuck Liddell x Randy Couture.

Ali x Frazier, Sugar Ray x Hagler, Rocky x Apollo e outros adversários do passado tão naturais quanto cães e gatos (sem sentido pejorativo), por exemplo.

É o caso de Júnior Cigano e Cain Velásquez, que desempatarão o 1 a 1 dos desafios passados sábado, em Houston, na edição 166 do UFC.

Será a décima trilogia da organização e uma das mais esperada dos últimos tempos.

Donos de primores técnicos distintos, a dupla traduz o que de melhor apareceu até agora na história da categoria.

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UFC 155: a terrível vingança de Cain

Cigano x Velásquez são inimigos profissionalmente íntimos.

A rixa entre ambos configura algo estritamente particular, mas não pessoal.

É o sentimento mais verdadeiro e honesto de querer ser melhor que o adversário.

No papel e na prática, temos um resultado positivo para cada lado em dois capítulos recheados de resiliência.

No Ultimate On FOX 1, Cigano mandou uma ‘mãozada’ que explodiu na têmpora e detonou logo no primeiro assalto um adversário que não atuava há mais de um ano por causa de grave lesão no joelho.

Em menor escala, Cigano também estava um tanto capenga por causa do mesmo problema.

Na contrapartida, Velásquez proporcionou um monólogo de pancadas, sangue e cara bagunçada para o atleta catarinense durante cinco assaltos da revanche realizada no UFC 155.

Na ocasião, o brasileiro passava por problemas particulares e também lidava com reflexos de “overtraining”.

Em outras palavras, Cigano e Velásquez já sentiram na carne o que uma noite ruim pode representar no Ultimate.

Em pensamentos mais vulgares, conclui-se ambos foram campeões de fato, mas ainda não de direito.

Com ou sem tom dramático, o sábado vai ser pau na máquina total e explícito. As coisas vão mudar, e pra valer.

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