Cigano x Cain: rivalidade não morrerá com trilogia

Renato Rebelo | 15/10/2013 às 17:27
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Poster do evento

Dentre as oito divisões masculinas do UFC, o peso-pesado só possui mais integrantes que o jovem peso-mosca (32 x 19).

Desses 32, cinco sequer estrearam (Jared Rosholt, Gerônimo Mondragon, Walter Harris, Guto Inocente e Derrick Lewis).

Outros não dão pinta que se manterão empregados a médio-longo prazo (Nador Guelmino, Soa Palelei, Nikita Krylov, Brandon Vera, Shane Del Rosario, Frank Mir…)

Stefan Struve, com problemas cardíacos, pode nunca mais voltar a competir, e Daniel Cormier vai migrar pra categoria dominada por Jon Jones:

A luta contra o Roy Nelson será a minha última como peso-pesado. Eu quero começar a dieta para chegar mais perto da divisão em que me sinta confortável em bater o peso – disse DC no programa Inside MMA.

A escassez de boas opções é tamanha que o bem cotado Fabrício Werdum pisou no octógono apenas uma vez desde julho de 2012, e Josh Barnett, carta fora do baralho há alguns meses, virou solução ao desmantelar o decadente Frank Mir no UFC 164.

Esse cenário me leva a crer que Cain Velásquez e Júnior Cigano, de 31 e 29 anos, respectivamente, não trocarão sopapos pela última vez no UFC 166 do próximo sábado.

E a falta de mão de obra qualificada não é o único fator facilitador.

Há também um abismo técnico inédito separando o campeão e o ex (os dois melhores pesados da história do UFC na minha humilde opinião) da rapa.

Rodrigo Minotauro, Antônio Pezão, Mark Hunt, Roy Nelson, Ben RothwellGabriel Napão e o próprio Werdum (todos ainda ativos na categoria) foram surrados de forma embaraçosa pela dupla.

Quero desafios maiores na minha carreira e ele está me trazendo esses desafios. Fico muito feliz com essa nossa rivalidade e realmente acredito que não vai ser só uma trilogia, vamos acabar nos encontrando. Somos novos, minha intenção é continuar lutando mais um tempo e vamos nos encontrar – disse o catarinense ao programa “Mundo da Luta”.

A verdade é que, após seis rounds de ação, muitas perguntas ainda devem ser respondidas:

Conseguirá o brasileiro se defender das investidas do wrestler superior?

Jogar com a guarda mais baixa – temendo as quedas- pode facilitar a entrada da mão do descendente de mexicanos?

A assimilação de golpes é, realmente, o ponto fraco do representante da AKA?

Se Cain Velásquez mantiver a estratégia e o estilo de jogo de sempre, ele será o vencedor da luta. A grande vantagem dele é que consegue fazer a transição entre um estilo e outro. É um lutador muito inteligente – analisou ninguém menos que Fedor Emelianenko.

Tentaremos esmiuçar ao máximo esse lutaço ao longo da semana, mas já deixo a pergunta de um milhão de dólares:

Dos Santos ou Velásquez?

Abraços.

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