Pensando alto: a análise informal do UFC FN 29

Renato Rebelo | 10/10/2013 às 00:28

Card quente para uma noite de quarta-feira fria.

O UFC FN 29 não trouxe nenhum “popstar” à Barueri, mas entregou três nocautes e uma finalização e, principalmente, equilíbrio incomum para eventos “caseiros” (o que só valoriza o passe dos envolvidos).

Pulando o cerca-lourenço, vamos à minha sempre confusa leitura do card principal:

 

SHIELDS

Demian Maia x Jake Shields

A pressão aplicada por Demian em Jon Fitch, Rick Story e Dong Hyun Kim foi tão monstra que fizemos vista grossa para o fato de que, no papel, Jake Shields sempre foi o wrestler alpha do duelo. Anteontem, o paulista acertou na mosca ao explanar que o meio-campo definiria a parada. Infelizmente, foi a favor do experiente vegetariano – que se manteve em posições favoráveis e convenceu dois dos três jurados. Óleo no chope do único brasileiro com chances reais de chegar no cinturão a curto prazo – enquanto o nada empolgante amigo dos irmãos Diaz reforça o vasto currículo.

Acho que as duas pegadas de costas de perdi me custaram a luta. Mesmo assim, cheguei em posições mais perigosas. Não dá pra entender o que se passa na cabeça dos juízes – reclamou Maia.

DONGErick Silva x Dong Hyun Kim

Na prévia, citei os sazonais pombos sem asa do asiático. Quisera o destino que um deles encontrasse, em Barueri, o botão de liga/desliga. Erick garantiu que fugiria do “infight”, mas o ímpeto agressor falou mais alto – e o “Índio” se lançou ao mar. Ia até se dando bem no segundo round, mas, ao baixar a guarda para joelhar, perdeu áudio e imagem. Dong Hyun Kim prova que não é só grude, alcança a terceira vitória consecutiva e passa fungar no cangote do “Imortal” Matt Brown (décimo do ranking).

 What a fucking fight! – disse Dana White em comentário que dispensa tradução.

THIAGOThiago Silva x Matt Hamill

Ao aceitar se apresentar no Brasil, o paulista já levou, no ato, uma mordida do leão no valor de 27% da bolsa. Ao não bater o peso, mais 25% foi pro beleléu. Somando essas porradas à pancinha saltitante e às exageradas sobras laterais, pensei: “Será que o cara vai se sabotar”? Acabou que o “gap” na trocação berrou e Hamill só não caiu babando por capricho dos Deuses. A vitória, no entanto, deixa um gostinho amargo. Thiago tem capacidade de botar a corda no pescoço da maioria dos meio-pesados – mas parece não estar disposto a chutar o banquinho.

Foi uma luta ruim. Eu tive um corte de peso ruim – que foi por minha culpa. Eu decepcionei o UFC, mas vou recompensá-los. Tive muitas chances de nocauteá-lo, mas acabei cansando – disse o sincero “Rei da Marra”.

MALDONADOFábio Maldonado x Joey Beltran

Se o “Caipira de Aço” fosse um clube de futebol, a partida já começaria 1 a 0 pro adversário. Pra variar, no primeiro round, Maldonado travou ao se preocupar excessivamente com as entradas de quedas do “Mexecutioner”. Quando ligou o “foda-se” no segundo, recuperou a identidade. Mandou bater no queixo, colou as costas na grade, chamou o adversário, entreteve. Foi o suficiente para espremer a decisão? Na minha contagem, não. Marquei 29 a 28 pro visitante e testemunhei, pela primeira vez, a torcida brasileira vaiando um resultado favorável. Maldonado é um baita cara. Um personagem necessário ao esporte, mas precisa aprender urgente a entrar adrenalizado. Pré-treino cai em exame antidoping?

Ser calmo é uma qualidade. Consigo aguentar porrada por ser assim. Os campeões do UFC são calmos – só o (Anthony) Pettis que é mais doidão. Mas, mesmo assim, preciso entrar melhor no primeiro round – mandou o Balboa do interior.

TOQUINHORousimar Toquinho x Mike Pierce

Não tem desenrolo, caiu na maldita, só sai batucando (muito mais do que o necessário, diga-se de passagem). O bocudo americano, que havia pedido “brasileiros inofensivos” no passado, aprendeu da pior forma que a língua é o chicote do traseiro. Acompanhei o Pierce anteontem correndo na esteira e, certamente, ele suou mais lá do que na hora do vamos ver. Já o mineiro de Dores do Indaiá, com sua força ignorante, tem tudo para chacoalhar a divisão povoada por wrestlers. Escondam seus calcanhares, meninos.

O Toquinho finalizou, mas não vai levar o bônus. A comissão atlética vai investigar se ele demorou para soltar a posição – explicou Marshall Zelaznik, diretor do UFC.

Amigos, queria a opinião de vocês sobre Raphael Assunção x TJ Dillashaw. Acharam justa a decisão?

Abraços.

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