Personagem da semana: o card galático do UFC Rio 3

admin | 03/08/2012 às 18:08

O personagem desta semana é o card do UFC Rio III (ou UFC 153, para os puristas). Dana White havia prometido um espetáculo digno de final de Copa do Mundo para o Brasil, quando imaginou fazer o UFC 148 no Morumbi. Seria um show em todos os sentidos.

Card galático, em um estádio de futebol no Brasil, quebrando recordes e ganhando o maior espaço em mídia que o UFC jamais teve. Mas ele viu de perto o que é fazer um grande evento no Brasil.

Sem alternativas – OK, o big boss forçou um pouco a mão tentando pressionar a prefeitura do Rio de Janeiro ao anunciar o evento para o Engenhão após saber que não haveria garantias de vagas em hoteis ou policiamento, por conta da realização da Rio+20 – o card foi transferido para Las Vegas, e um evento “Frankenstein” acabou acontecendo em Belo Horizonte.

Bom evento, diga-se de passagem, com lutas interessantes, mas não era um UFC na verdadeira acepção da marca.

Em débito com a plateia que o próprio Dana garante ser a melhor do mundo – tudo bem, ele diz isso para outras também – o UFC volta ao Rio de Janeiro com, agora sim, um card de muito respeito. Veja a lista com calma:

CARD PRINCIPAL

José Aldo x Erik Koch – Nova defesa de título do brasileiro, contra um lutador aparentemente sem muitas pretenções e sem muito destaque no cenário mundial.

Vitor Belfort x Alan Belcher – Luta direta por uma chance de disputar o título dos médios contra Anderson Silva. Das duas uma: o vencedor deve ser anunciado como o novo desafiante, ou como rival de Chris Weidman pela chance de desafiar o Spider.

Quinton “Rampage” Jackson x Glover Teixeira – Luta emblemática. Um dos melhores estreantes atuais do UFC encara um lutador perigoso, experiente, carismático, agressivo e cheio de vontade de se despedir bem da organização. Caso vença, Glover ganha muitas posições rumo ao topo dos meio-pesados.

Jon Fitch x Erick Silva – Duelo que põe frente a frente dois estilos completamente diferentes, e dois ótimos atletas em cada um deles. O wrestling amarrado do americano será posto à prova contra a velocidade e a capacidade de encerrar lutas do brasileiro. Tudo pode acontecer, mas uma vitória levará Erick ao top 5 dos meio-médios.

Demian Maia x Rick Story – Segunda luta do brasileiro nos meio-médios, contra um rival melhor que o coreano Dong Hyun Kim, batido em cerca de 40 segundos. Story é experiente, tem mais “casca” que Kim, mas não vem em boa fase. Bom teste para Demian, que vê na luta a chance de subir bastante na divisão.

CARD PRELIMINAR

Rony Jason x Sam Sicilia – Luta perigosa para o vencedor do TUF Brasil entre os penas. Sicilia tem a mão pesada, e vai testar justamente a maior deficiência do brasileiro: a defesa. Rony Jason tem carisma e é um dos queridinhos da turbulenta torcida do Brasil. Mas tem que tomar muito cuidado.

O americano gosta da trocação franca – vem de quatro nocautes seguidos, sendo três no primeiro round – e em suas 12 lutas na carreira, só perdeu uma. Nas 11 vitórias, apenas uma, a primeira, foi por pontos. Ou seja, é um trator e parte com tudo para finalizar as suas lutas.

Diego Brandão x Joey Gambino – Diego Brandão assombrou o UFC ao vencer todas suas lutas no TUF 14, inclusive a final, por nocaute no primeiro round. Chegou a ser chamado de “o novo José Aldo”. Mas sua estreia no UFC foi com derrota por pontos para Darren Elkins. No Rio, terá pela frente um rival de médio porte: Joey Gambino tem nove vitórias em dez lutas, sendo cinco por finalização, três por nocaute e uma apenas por pontos. É, portanto, um atleta de chão, mas que não deve criar muitos problemas para o brasileiro. Show à vista, do jeito que os brasileiros gostam. Atenção na pesagem. Brandão gosta de se mostrar agressivo e intimidar os adversários.

Francisco Massaranduba x Gleison Tibau – Massaranduba é um atleta veterano, mas muito empolgante pelo “jeito Maguila de ser”. Simples, com a cara do povão, caiu nas graças da torcida por declarações como “estou doido pra lutar pra espancar logo um”. Sua presença no card é garantia de diversão para o público, seja contra quem for.

Serginho Moraes x Renée Forte – Talvez a luta mais “morna” da programação. Serginho Moraes é claramente superior no chão, e sua chegada à academia de Mauricio Shogun, em Curitiba, melhorou decisivamente o seu poder de nocaute. Lutou de igual para igual com Cezar Mutante na final do TUF Brasil, e deve vencer o morno Renée Forte, que no reality brasileiro não mostrou muitas qualidades.

Reza Madadi x Cristiano Marcello – Luta perigosa para Marcello, que terá diante de si um atleta agressivo e muito “empolgado”. Reza Madadi é um iraniano naturalizado sueco, bom de chão e com queixo duro. No chão, acredito, não trará problemas para o brasileiro, que é mestre de jiu-jítsu e um dos melhores do país. Na trocação, Marcello precisa se cuidar, muito mais por si do que pelo rival. Com 12 vitórias nas últimas 13 lutas, Madadi – não por acaso apelidado de “Cachorro Louco” – não é um nocauteador, mas Marcello já mostrou que sua resistência a golpes também não é das melhores. Se eu fosse apostar, diria que o brasileiro tentará levar a luta para o chão, e Madadi tentará surpreender, soltando golpes que desestabilizem o carioca.

Ainda pode haver o anúncio de uma ou duas lutas, para completar as tradicionais 12 disputas de um UFC numerado. Mas, sejam elas quais forem, o UFC Rio III será um evento potencialmente empolgante. Todos sabemos, e eu já aprendi há muito tempo, que um card bom não garante um evento bom.

Às vezes um card aparentemente fraco traz lutas empolgantes. Mas ter uma lista de lutas interessantes jamais atrapalhou um UFC. E nesse, há um aspecto interessante: em todas as lutas do card principal, à exceção da última, os atletas buscam um title shot.

Isso deve fazer os combates serem acirrados, porque há mais a ganhar do que a perder no octógono. Portanto, preparem-se. O UFC Rio III será inesquecível.

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