Quando treinar o português pode valer mais que manopla

admin | 03/08/2012 às 15:15

Não é de hoje que quem acompanha e segue os lutadores brasileiros no Twitter se depara com uma situação absurda, principalmente para os mais destacados: os erros de português nos seus posts. A princípio, isso é justificável, pois muitos deles não tiveram condições de estudar ou se preparar para utilizar a ferramenta, e acabam escrevendo errado ao tentar se expressar ou interagir com seus fãs e amigos.

Mas, infelizmente para eles, o MMA hoje é um esporte profissional. E ser profissional significa ser PROFISSIONAL em todos os sentidos.

O exemplo de Thiago Tavares é emblemático. O lutador postou na sua conta de Twitter um comentário que, à primeira vista, criticava o desempenho do Brasil nas Olimpíadas, e exaltava o MMA nacional, dizendo que o esporte era o único que dava orgulho ao país.

Imediatamente a repercussão foi devastadora para o lutador, que aos prantos, em entrevista ao SPORTV.COM, garantiu que expressou-se mal e que não quis dizer nada daquilo. Mas, se não quis dizer, por que disse?

A resposta é simples: falta de investimento em outras áreas da carreira que não o físico. Thiago é um dos lutadores de destaque do Brasil. É contratado do UFC, e faz duelos interessantes no MMA mundial. Por que, então, não investir em treinamento em mídia, em relacionamento com os fãs?

Ter aulas básicas de língua portuguesa e inglesa é o mínimo que se espera de lutadores que queiram interagir ou se expressar corretamente com seus fãs, em suas redes sociais. Suas imagens valem muito, principalmente para eles mesmos.

Não são poucos os casos de atletas que fazem declarações ou “piadas” com temas espinhosos, como racismo, estupro e outros, e depois vêm a público dizer que se expressaram mal, e que não queriam ter dito o que disseram.

Tudo bem, alguns podem realmente ter dito o que pensavam e acabaram usando a desculpa de terem se expressado mal para tentar se livrar de um processo ou de uma demissão – lembram de Miguel Angel Torres? Mas outros, e eu acredito que seja a maioria, simplesmente não ligam para a parte importantíssima de saber falar e escrever corretamente.

Simplória e amadoristicamente acham que todo mundo vai entender o que está escrito, e pronto. “Escrever direitinho é frescura”. Não, não é bem assim. Boa parte do nosso povo tem, infelizmente, a tradição de não saber interpretar o que lê, e nem escrever o que pensa. Comentários em notícias de sites esportivos mostram isso.

Os erros cometidos são lamentáveis. O panorama, claro, se estende e aplica a boa parte dos lutadores de MMA. Cometem erros graves de português, e quando se aventuram no inglês, por morarem ou treinarem nos EUA há muito tempo – e acharem que sabem escrever o que falam por aprender intuitivamente – acabam sendo igualmente infelizes e, pior, pouco eficazes. Arranham suas imagens.

Se tornam caricatos e são alvos de críticas e, algumas vezes, passam ridículo com o que escrevem.

Uma imagem profissional não passa apenas pelo comportamento e pelo que as câmeras e microfones registram. Passa por respeitar o seu fã e o seu leitor também ao falar com ele via Twitter, Facebook ou o que for. Dizer exatamente o que se pensa, sa forma correta, evita transtornos como o sofrido por Thiago Tavares.

Investir algum tempo, entre as lutas ou torneios que seja, em um curso de mídia, aulas de português e inglês e compreensão de texto, nunca fez mal a ninguém. Garanto que sai mais barato que os processos que eventualmente acontecem. E, de repente, pode fazer muito bem ao bolso e às noites de sono.

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