Perder tanto peso é mesmo uma boa estratégia?

admin | 03/08/2012 às 02:27

Mesma pessoa? Anthony Johnson em ”off” e ”on”

A perda excessiva de peso entre os lutadores antes do combate é prática bem tradicional no meio. Os atletas chegam a perder de 10 a 15 quilos antes da pesagem e recuperam  de 50%  até quase 100% do peso  no dia da luta.

Porém, diversos artigos e pesquisas científicas de especialistas em atividade física, nutrição e artes marciais já certificaram que tal prática é extremamente prejudicial à saúde. As consequências podem não ser imediatas, mas fazem muito mal.

Dentre as técnicas que eles utilizam, as mais frequentes são a desidratação através da eliminação de líquidos, transpiração e esvaziamento gástrico de acordo com o livro ”Pronto Pra Guerra” de Leandro Paiva.

“Os males de tal prática variam desde distúrbios alimentares, depressão, diminuição da auto estima, perda de memória e até diminuição da densidade óssea, em casos extremos, a morte”, relata Janise da Ponte, nutricionista esportiva.

A solução mais adequada, segundo os estudiosos, é a perda gradual de peso, diminuindo cerca de 1kg por semana até o momento do combate, porém os atletas insistem na perda na véspera. Mas, e daí? Se a prática ocorre desde os anos 80 oriunda do boxe, e qualquer explicação nos remete a resposta “isso é cultural”, há chances deste quadro mudar?

Se é tão errado a perda de peso em cima da hora, por que os lutadores continuam preferindo esta prática? Novamente, isto está enraizado no meio. A maior justificativa dos atletas é que treinar em uma categoria bem acima lhes dá força para lutar em uma categoria mais baixa. Porém, a perda de peso acarreta males à saúde e o atleta perde potência.

Segundo Paiva, a questão deveria ser debatida e levada a sério pelas federações e órgãos superiores como Ministério do Esporte e COB -em caráter nacional. Soluções simples como balança na fila logo que entrar para lutar, com pesagem imediata antes do combate (isso já ocorre em alguns campeonatos de jiu-jítsu), poderia diminuir os danos à saúde.

No entanto, as medidas pedagógicas, instrutivas e de conscientização, além de medidas para coibir ou punir, como a eliminação da competição, ainda não é prática e está longe de ser no MMA.

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