Demissão de Okami: esdrúxula ou compreensível?

Renato Rebelo | 29/09/2013 às 04:46
UFC on FOX Sports 1: Okami v Jacare

Momento em que a vaca foi pro brejo

A galera que foi pega no contrapé com a demissão de Jon Fitch em fevereiro (me incluo nela) é a mesma que agora coça a cabeça com a saída repentina de Yushin Okami.

Afinal, são enredos parecidos.

Penso: que sentido faz limar o sexto melhor lutador até 84kg do planeta – ainda mais quando ele venceu três das últimas quatro lutas que fez?

Ainda há, a favor da permanência do japa, o cartel positivo (13v e 5d) e a “clientela” de respeito, conquista em quase oito anos de labuta.

Ou esquecemos que Hector Lombard, Mark Muñoz, Alan Belcher e Nate Marquardt (todos ainda empregados) sucumbiram ao seu jogo robusto?

E mais: quantos dos 58 pesos-médios sob contrato seriam favoritos contra ele – que já disputou o cinturão da categoria?

Mas a real é que, se deixarmos o apego à persona e analisarmos o cenário de forma mais calculista, fica claro por que a bota de Joe Silva colidiu com o traseiro oriental.

Os pontos são os seguintes:

– Quantos fãs compram ingressos/pacotes pay-per-view animados com as habilidades marciais do trintão?
– Bolsa acima da média (48 mil pra lutar e mais 48 mil se vencer) paga, geralmente, três vezes por ano
– Por não ter participado do circuito japonês, não possui base de fãs sólida por lá
– Elenco inchado
– Estilo burocrático
– Não há a possibilidade de se aventurar em outra categoria
– Qual é a chance de Okami um dia pescar algum tubarão (leia-se Belfort, Jacaré, Weidman, Anderson, Sonnen…)?
– O papel dos matchmakers é basicamente criar desafiantes aptos (técnica e promocionalmente) a disputar o cinturão. Não é jogo ter um “porteiro” capaz de bater a maioria dos jovens promissores e incapaz de aguentar dois rounds contra os tops – levando em conta a ausência de popularidade e relação afetiva com os chefes

O UFC não é instituição de caridade.

Só mantém a carteira assinada funcionários cujos custos são superados por benefícios.

A sonora sova aplicada por Ronaldo Jacaré em Minas Gerais fez a balança inclinar pro lado negativo no caso do homem que se hospeda na casa de Dona Cláudia Sonnen quando está nos Estados Unidos.

Ele está conosco desde sempre. Ele sempre foi um cara duro que esteve quase lá, mas acabou se tornando um “porteiro”. Eu gosto dele e vocês já me escutaram muitas vezes dizendo que uma vitória sobre Yushin Okami quer dizer algo. Mas ele nunca conseguiu vencer uma daquelas lutas significantes. Temos muitos caras chegando e é o que tenho dito o ano inteiro: temos um plantel cheio de caras que merecem oportunidades. Quando trazemos caras novos, alguém tem que sair. É por isso que essas lutas são tão significativas – justificou Dana White.

Mas, se uma porta se fecha, outra é aberta.

É sabido que Ali Abdel-Aziz, vice-presidente do World Series of Fighting, já está tentando garantir os serviços de Okami.

Essa é a realidade de qualquer assalariado do planeta: se seu trabalho não é mais apreciado aqui, mova-se para acolá.

Que um jovem talentoso faça bom proveito do acento (muito bem) esquentado por Okami ao longo de todos esses anos.

E, quem sabe, não o vemos novamente no octógono mais pra frente?

Abraços.

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