De olho no vice: três pontos altos do Bellator 101

Lucas Lutkus | 28/09/2013 às 14:20

Depois de 100 eventos seguindo à risca o modelo de torneios para definir desafiantes e campeões, a 101ª edição do Bellator, como de costume, deu as caras sem grandes estrelas, mas com muita emoção.

Teve brasileiro dando volta por cima, veterano esquecido tirando onda e promessas surrando ex-UFCs.

Enfim, vamos aos três pontos altos da noite:

 

TIRLONIA zebra verde-amarela

Tudo que lhe faltava era uma chance. Vindo de três derrotas nas últimas quatro lutas, Ricardo Tirloni parecia sem futuro no Bellator. No entanto, a lesão do inglês Rob Sinclair apareceu como uma benção disfarçada. O infortúnio alçou o pupilo de Thiago Tavares instantaneamente do card preliminar para o GP dos leves. Seu oponente, o experiente ex-UFC Rich Clementi, tinha, no papel, um anti-jogo perfeito para neutralizá-lo (sabe aquele wrestler duro de chão?). Acabou que Tirloni tirou o “No Love” pra menos que nada – vencendo, inclusive, um dos rounds por 10 a 8. A vaga na semifinal do torneio veio via tranquilíssima decisão unânime. Triunfo mais que merecido pra colocar o catarinense de volta aos trilhos.

WARREMPra não cair no ostracismo

Treinador menos festejado do “Fight Master”, reality show-embuste do Bellator, o peso-galo Joe Warren superou um punhado de lesões, que o deixaram um ano de molho, e voltou a trabalhar. Nick Kirk, seu adversário, é um trem desgovernado em eventos menores – invicto em 10 lutas -, mas é devidamente posto no cabresto quando pisa no segundo maior evento do planeta (três derrotas). O campeão mundial de luta greco-romana em 2006 não decepcionou, quedou Kirk à vontade e encerrou a prosa encaixando uma chave de braço dentro do triângulo invertido – à lá Erick Silva no UFC de Fortaleza. Agora, na final do GP até 61kg, o “Homem Mais Malvado do Planeta”, – sócio da escola Chael Sonnen de promoção de lutas- pega o duríssimo pupilo de Greg Jackson Travis Marx – vencedor de seis seus últimos sete compromissos. Lutão!

RUSSOAve, leves!

O ponto alto do Bellator 101 foi o GP até 70kg. Três ex-UFCs e um ex-TUF, suspostamente favoritos às vagas nas semifinais, ficaram pelo caminho. O britânico Martin Stapleton, queridinho de Michael Bisping no TUF 9, foi finalizado ainda no primeiro round por Saad Awad – finalista do último torneio. John Alessio, que perdeu cinco lutas no Ultimate, estreou no Bellator sendo superado por Will Brooks na surra da noite (teve até árbitro dando 30-25). Rich Clementi, como vocês já leram, foi atropelado por Ricardo Tirloni. Pra fechar a conta, o quarentão Marcus Davis, a Granada de Mão Irlandesa, foi rapidamente finalizado pelo impressionante Alexander Sarnavskiy (24v e 1d). Resumo da parada: nas semifinais, teremos um russo bom de sambo contra um faixa-preta de jiu-jítsu e a revanche entre Brooks e Awad – que nocauteou “Ill Will” em meros 43 segundos no primeiro encontro.

Pra encerrar, queria propor uma reflexão.

Se de um lado temos os bem-sucedidos gêmeos Minotauro e Minotouro, me expliquem por que é tão gritante a diferença técnica entre Pat Healy, peso-leve top 15 do UFC, e seu gêmeo Ryan Healy – que foi nocauteado no card preliminar do evento e acumula cinco derrotas nas últimas oito lutas?

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