Jon Jones: se sangra, podemos matá-lo

Fernando Cappelli | 24/09/2013 às 17:10

Ainda falando sobre o UFC 165, lembram dessa cena do clássico filme Predador?

Quando a tropa liderada por Arnold Schwarzenegger consegue ferir o monstrão que os caçava impiedosamente – e este deixa um rastro de sangue fluorescente na selva.

Aí, o grandalhão austríaco manda a célebre frase.

“Se ele sangra, podemos matá-lo”.

Não sei porque diabos foi justamente isso que pensei quando vi o melado escorrendo do olho direito de Jon Jones após uma troca de golpes mais franca logo no começo da luta histórica contra Alexander Gustafsson.

Com atuação bombástica, o gigante sueco provou diversos pontos que por muito pouco não acabaram com o maior reinado em atividade do Ultimate.

Gustafsson-Jon-Jones

Foto no hospital

Gustafsson usou o que tinha de melhor para dar as cartas no jogo em nível hard.

Ele entrou em estado letárgico apenas quando foi atingido na fronte por uma forte cotovelada giratória no quarto assalto.

Após toda tensão física e psicológica mantida até então, o europeu finalmente desacelerou e levou atraso nos últimos cinco minutos.

Sem ser plenamente dominante como em outras atuações, Jones capitalizou ataques mais vistosos em momentos cabais e convenceu os juízes de que devia manter o cinturão por mais alguns meses.

O norte-americano deve, sim, rever tópicos técnicos e provar que a atuação gelatinosa foi obra apenas de uma noite pouco inspirada.

Foi possível perceber, logo no intervalo da primeira parcial, o semblante extenuado enquanto ouvia as instruções dos técnicos.

Ali, além de sentir na carne o perigo real e imediato, traduzia claramente a panela de pressão de ser o número um.

Jones é o principal produto de exportação do marketing de guerrilha/megalomaníaco do UFC.

O prodígio, o supercampeão, o ‘inquedável’, o cara que tem a envergadura de albatroz e jamais leva um soco.

Boa parte de todos os estigmas vieram por água abaixo na performance sufocante em Toronto.

Entrou em ação um tipo de psicologia invertida, baseada em sangue e cara amassada.

Fã de redes sociais, o campeão logo encarnou o estilão auto-ajuda clichezento e postou coisas no Twitter como ‘essa luta era tudo que precisava’ e ‘me senti um tanto perdido, mas voltarei ainda melhor’.

Concordo.

Certamente será o primeiro passo para “Bones” atuar ainda mais relaxado, sem receio de quebrar estatísticas ou ferir muitos dos estereótipos criados apenas para divinizar seus feitos.

Ou seja, tudo que contribui para transbordar a tal ‘panela de pressão’ citada acima.

Contra Gustafsson, Jones tirou a roupa de Super-Homem e vestiu a de Clark Kent.

O caminho invertido, e nesse caso com tudo de positivo para se transformar em providencial.

Tags: , ,