Entenda a receita sueca que desestabilizou Jon Jones

Fernando Cappelli | 23/09/2013 às 17:39

Bom, ao assistir mais vezes o lutão entre Jon Jones e Alexander Gustafsson sem o imediatismo do ao vivo, deu para visualizar algumas características que colaboraram para a ‘quase’ quebra de hegemonia do supercampeão dos meio-pesados.

E mais: criou uma rivalidade instantânea mais que necessária para remexer a mesmice da divisão, além de jogar por terra diversos estigmas que rondavam Jones.

Vamos então dar uma esmiuçada livre nas marcas que Gustafsson apostou como base estratégica para a performance que por muito pouco não mudou o rumo da coisa toda.

Movimentação lateral

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O fundamento básico de toda modalidade em pé ensinado nas primeiros treinos de ‘escolinha’ – e que é parte integrante do forte background no boxe que Gustafsson carrega- foi suficiente para tirar o senso brutal de entrada/saída de raios de ação do americano.

O sueco foi preciso ao extremo com passos laterais e diagonais para não ser encurralado, mesmo engolindo alguns chutes giratórios aplicados habilmente por Jones no contrapé do desafiante.

Gustafsson levou isso tão à risca que não se importou em algumas vezes literalmente sair correndo de Jones pelo octógono, sem nenhuma vergonha.

Nas entrelinhas, o sueco usou com muita eficiência tamanho, força da lombar e o timing apurado para defender 10 das 11 quedas tentadas por Jones durante o combate.

Mais um mérito até então inédito.

A postura de luta com a perna da frente sempre ‘esperta’ também brecou os famigerados chutes no joelho desferidos constantemente por Jones, e ainda possibilitou o sueco aplicar a primeira queda no campeão desde o começo da saga no UFC.

Como falha neste quesito, Gustafsson deveria ter se preocupado um pouco mais em levantar a guarda ou escapar nos momentos de ação mais franca da média para a curta distância, quando o campeão usa as famosas cotoveladas – que novamente foram grandes salvadoras da pátria para construir a vitória milimétrica.

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Socos no plexo

Muitos treinadores gostam de falar que os golpes desferidos no tronco, além de eficientes para abalar o nível de resistência e serem fintas muito eficazes para dar sequência nos socos, funcionam como um tipo de ‘barreira psicológica’ para que o adversário redobre a cautela nos momentos de investidas.

Isso também foi outro fator a ser levado em conta.

Gustafsson, que é um cara de porte avantajado – o que facilita e potencializa ainda mais os golpes retos no tronco-, soube bem usar diversas vezes o recurso dos jabs e diretos no plexo de Jones para desestabilizá-lo e ‘preocupá-lo’ momentaneamente.

EDITProveito tirado do proveito

Um dos recursos que Jon Jones mais tem usado como virtude da envergadura monstro para não ser atingido é o de esticar o braço da frente e dar um leve passo para trás, para confundir e parar os adversários de encadearem sequências mais extensas de golpes.

Gustafsson por diversas vezes não se intimidou com a ação de Jones, e usou o braço esticado como um tipo de pivô, para colocar cruzados de esquerda e uppercuts por dentro da guarda.

Mais um detalhe que surtiu efeito e colaborou para amassar feio a lataria do campeão.

A pergunta que fica é: em uma revanche, será que o sueco consegue produzir dose ainda mais mortífera desse veneno usado no UFC 165?

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