Pensando alto: a análise informal do UFC 165

Renato Rebelo | 22/09/2013 às 04:19

Horas após o término do UFC 165 e minha mão continua suando feito suíno em maratona.

Sinal de que o evento, realizado em Ontário, Canadá, proporcionou emoções perigosas ao jornaleiro que vos fala.

Dois cinturões em disputa, um card preliminar com três nocautes e uma finalização…

Enfim, chega de “lead” empata coito e vamos ao que interessa:

 

JONESJon Jones x Alexander Gustafsson

Em 300, Xerxes, líder persa que se auto-intitulava Semideus, termina o filme chocado ao perceber que sangra como qualquer outro reles mortal. Ontem, foi a vez de Jones, invicto (questionavelmente) em 31 rounds no UFC, ser castigado de forma inédita por um destemido e competente Viking. Gustavão não só invadiu a proibitiva envergadura do campeão, mas transformou seu rosto em bife tártaro com alguns dos 114 golpes que encaixou! Ele também defendeu 10 de 11 quedas tentadas e, na minha contagem, levou três rounds. Mas, é verdade que Jones talhou o desafiante com seus cotovelos de navalha e terminou a maratona por cima da carne seca. Independente de resultado justo ou não (preciso reassistir), a reedição da melhor luta do ano até agora entra pra minha lista de prioridades logo atrás de José Aldo x Anthony Pettis. Afinal, todo protagonista precisa de um antagonista. A carreira de Muhammad Ali não teria sido a mesma sem Joe Frazier ou George Foremam. Jones achou alguém que veste seu número e a história entre esses capirotos do MMA apenas começou.

Quem não quer ver essa revanche? A decisão foi correta, mas foi muito apertada. O Jones finalmente pareceu um ser humano hoje. Saiu do octógono direto pra ambulância. Impressionante – Dana White.

RENANRenan Barão x Eddie Wineland

“Barao is a monster”. A velha frase de Joe Rogan – dita quando o faixa-preta da Nova União finalizou Brad Pickett– nunca esteve tão atual. No primeiro round, muito estudo, porém, o estalar dos cruzados do potiguar no rosto do americano já dava pinta que o lero seria sucinto. Acabou que Wineland foi à lona com um primoroso chute rodado no R2. Artigo 121 do código penal brasileiro – sem reclusão de seis a vinte anos- a favor do campeão interino. Se me chamasse Dominick, investiria numa carrocinha de cachorro quente ou procurava uma oportunidade na Catho.com.br.

Como não ranquear o Renan Barão como um dos melhores pesos-por-peso do mundo? Esse cara não perde há oito anos. Já pensaram o quão difícil é isso? Ele é um monstro – fez coro Dana na coletiva de imprensa pós-luta.

SCHAUBBrendan Schaub x Matt Mitrione

Antes da luta, Mitrione sacaneou Schaub por ter corrido de Roberto Cyborg no Metamoris Pro e apareceu publicamente diversas vezes com cinto marrom por cima da camisa – em alusão à cor da faixa do rival no jiu-jítsu. Da série “quando o ‘trash talk’ volta para lhe morder o traseiro”, o zueiro acabou apagado. Com três derrotas nas últimas quatro lutas, o futuro de “Meathead” me parece sombrio. Já o “Híbrido” sempre vai bem quando seu queixo não é posto em xeque.

Aquele é meu golpe, cara. Pego nos treinos caras com nível de jiu-jítsu muito mais alto do que o do Matrione com ele – mandou o vencedor.

CARMONTFrancis Carmont x Constantinos Philippou

Em maio, o cipriota anunciou que não treinaria mais com Chris Weidman, atual campeão dos médios. Hoje, percebemos a falta que a interação com o wrestler – supervisionada por Matt Serra– faz. O francês, guiado pelo gritos de GSP, o quedou com facilidade impressionante e, em certos momentos, quase tirou um cochilo por cima. O destino foi camarada com Philippou. Afinal, se ele tivesse ido à Jaraguá do Sul trocar força com Ronaldo Jacaré, seria escalavrado. Já o “Limitless” encaixa a terceira vitória consecutiva sem brilho e segue fora do radar.

A razão por essa pobre performance é que o Costa é superestimado – largou o sempre ácido Michael Bisping no Twitter.

KHABIBKhabib Nurmagomedov x Pat Healy

Que luta heterodoxa, amigos. Healy, franquia americana do Zumbi Coreano, quanto mais apanha, mais avança. O Sopa de Letrinhas, com sua guarda intermitente, praticamente não tem jab e pouco se esquiva de golpes lançado – mas bate direitinho caminhando pra trás. Nesse cabo de guerra em pé, um empate técnico. O que fez a balança pender pesadamente pro lado do europeu foi wrestling top de linha cunhado na cidade de Makhachkala pelo seu pai – o mestre de sambo Abdulmanap Nurmagomedov (só mesmo Gleison Tibau e seus 105 quilos no dia da luta para derrubá-lo). 30 a 27 e novo top 10 na área.

Khabib é o melhor wrestler até 70kg. Com uma trocação mais refinada, esse cara vai ser campeão – disse Kenny Florian na rede social do passarinho.

*Gostaria das impressões de vocês, principalmente, sobre a luta principal. Acharam justa a decisão?

Abraços.

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