Sexto Round palpita: lutas principais do UFC 165

Renato Rebelo | 20/09/2013 às 16:02

A rara possibilidade de acompanharmos 50 minutos de ação por dois cinturões num card do UFC fica ainda mais rara quando Renan Barão, Jon Jones, Alexander Gustafsson e Eddie Wineland estão envolvidos.

No peso-galo, o “Monstro” da Nova União tenta, com sua versatilidade, garantir o confere contra o lesionado Dominick Cruz.

Já entre os meio-pesados, “Bones”, novo patrocinado da Gatorade, busca quebrar o recorde de Tito Ortiz com a sexta defesa consecutiva de seu título.

Vamos ao veredicto das “Mães Dináhs” do Sexto Round:

 

Jon Jones x Alexander Gustafsson

FERNANDOFernando Cappelli

O UFC vendeu a ideia de que o sueco é o único da categoria capaz de equiparar as virtudes de envergadura com o atual campeão. Pode até ser, em parte. Mesmo com um dos braços amarrados nas costas, Jones em ação desperta a crença de que o ato de ser derrotado virá apenas com intervenção divina. E segue como o cara a ser batido no MMA. Em linhas de pensamentos livres, Gustafsson já foi considerado um híbrido entre o próprio Jon Jones e Lyoto Machida, um Frankenstein albino que sabe mesclar bem o poder de alcance com movimentação evasiva. Ele faz mais o estilão golpe a golpe, com sequências que não o expõem em demasia, com poder razoável de nocaute. Além de ser espécime físico diferenciado, Jones adquiriu expertise em controlar as distâncias de combate como poucos. Ele tem versatilidade suficiente para cadenciar o ritmo do combate e tem feito disso uma dieta de engorda letal de punhos, pés, joelhos e cotovelos para os adversários. Aliados a isso, o padrão de wrestling ‘made in USA’ que faz a diferença em clinches e transições. O campeão não é propriamente um nocauteador nato e clássico. Mas o mix das virtudes de seu estilo com o porte físico possibilita desenhar vitórias na via rápida ou por finalização. O sueco tem virtudes e tamanho suficientes para engrossar o caldo do campeão. Mas dá para visualizar Jones (como sempre) levando ao solo, controlando o pulso e fatiando a mortadela fininho com o cotovelo (como sempre). Vitória e cinturão garantidos por mais alguns meses para o norte-americano, por nocaute técnico.

RENATO_EDITRenato Rebelo

O cerebral – e confiante- campeão dos meio-pesados disse, recentemente, que seu adversário de sábado lhe supera em um quesito: movimentação lateral. Para não deixar nenhuma frestinha aberta, ele que, questionavelmente, perdeu apenas um de 30 rounds disputados no UFC, resolveu fazer parte do “camp” sem protetor bucal. O saldo da atitude – irresponsável, diga-se de passagem- segundo Jones, foi positivo: “Me deixou no ponto. Treinei com o Carlos Condit, Travis Browne e Andrei Arlovski e não tive concussões, não fui derrubado e nem sequer fiquei zonzo. Quer dizer que meu movimento de cabeça e minhas noções está ótimas”. Essa situação ilustra bem o tipo de animal que o viking sueco terá pela frente. No boxe inglês, suas chances, certamente, seriam boas. Acontece que Gustafsson enfrentará o rei da lanternagem em sua oficina. E o mecânico caneludo dispõe de caixa de ferramentas mais pesada que o Arlindo Cruz pós-buffet. O “Mauler” terá pernas e tronco atacados de forma brutal e, caso consiga invadir o raio de ação de Jones, poderá facilmente ser posto pra baixo pelo wrestler superior. Em outras palavras, Gustafsson estará desconfortável o tempo inteiro e a tenacidade de Jones deve quebrar, cedo ou tarde, seu espírito. O europeu evolui bastante desde que foi finalizado por Phil Davis, portanto, creio que ele aguente o tranco sem ser finalizado ou nocauteado. 50 a 45 Jones.

 

 Renan Barão x Eddie Wineland

FERNANDOFenando Cappelli

Renan Barão é o mais ferrenho seguidor da escola ‘Joséaldiana’ de lutar. Um absurdo de precisão em pé, com aquela consciência ímpar no boxe da média para a curta distância, aliada ao peso da variedade de chutes, joelhadas e outros movimentos mais espalhafatosas. Eddie Wineland é um cara de potencial considerável. Destro, seu estilo se desenvolve de uma postura mais ortodoxa de pugilismo, com as pernas mais afastadas e a mão esquerda mais baixa na guarda, com muitos jabs angulados e disparados de baixo para cima. Mais forte fisicamente que Barão, o norte-americano deve oferecer resistência em alguma tentativa de o potiguar levar para baixo. Barão tem um padrão de submissões muito instintivo. Ele é capaz de grudar como uma ventosa nas costas dos oponentes e aproveitar qualquer outro vacilo no solo para encaixar golpes justos. Wineland não tem medo de ficar com a cara parecendo carne moída de segunda. Mas um dos grandes problemas tem sido a perda da meada. O atleta peca muitas vezes em não conseguir administrar vantagens conseguidas nos primeiros minutos e acaba transformando luta em sufoco. Barão deve começar apostando na velocidade para alertar Wineland e atraí-lo para alguma armadilha de seu padrão venenoso em pé. Mas o potiguar vai capitalizar o primeiro vacilo do adversário para encaixar alguma chave ou estrangulamento e vencer por finalização.

RENATO_EDITRenato Rebelo

Em suas duas últimas apresentações, o filho do Seu Pegado desmantelou os caras mais duros da divisão que não se chamam Dominick Cruz. Mais por uma questão de “timing”, Eddie Wineland – que, em 2011, foi facilmente dominado por Urijah Faber e pelo peso-mosca Joseph Banavidez– se alistou para não deixar o campeão interino largadão no sofá – ou uma polêmica decisão dividida sobre Brad Pickett já anda rendendo credencial? De qualquer forma, não me entendam errado. O americano bate forte, propõe ângulos complexos e movimenta os pés como ninguém. Mas, novamente, não estamos analisando Mayweather x Canelo. O mais provável aqui é que o desafiante se perca num mar de chutes baixo, chutes rodados, tentativas de quedas e afins. Quando não puder mais se defender contra o ímpeto do faminto potiguar, a luta vai para o chão e, aí, meus amigos, “Inês será morta”. Barão via mata-leão no quarto round. 

 

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