Nurmagomedov x Healy: assina o cheque, careca!

Renato Rebelo | 19/09/2013 às 16:49

Sob risco de ser malhado pela opinião pública feito ministro do Supremo com laços partidários, declaro que meus favoritos aos cheques extras no UFC 165 não são estão contidos na trifeta Jon Jones-Renan Barão-Alexander Gustafsson.

Pra mim, Pat Healy x Khabib Nurmagomedov pode muito bem ser aquela inesperada batida de coco que a sogra, em primeiro momento, hesita levar pro churrasco mas, no apagar das luzes, faz a moçada desistir da cerveja.

Setor a setor, vamos analisar a colisão entre esses dois brabíssimos pesos-leves.

Thiago-Tavares-x-Khabib-Nurmagomedov

Cruzado conectado em Thiago Tavares

Trocação

Quando um campeão mundial de sambo faixa-preta de judô e um wrestler colegial faixa-preta de jiu-jítsu se encontram, as ações em pé ficam em segundo plano, certo? Errado! A palavrinha “combat” antes da primeira especialidade supracitada da “Águia” muda o panorama. Nessa vertente da arte marcial desenvolvida por militares soviéticos – propagada mundialmente por um certo gordinho no Pride-, além de chaves e estrangulamentos, são permitidos socos e chutes. E Seu Abdulmanap Nurmagomedov (pai da criança) é considerado um dos mais conceituados mestres do país. Assim, fica fácil entender por que, mesmo sendo um grappler, o bichão terminou sete das suas 20 lutas com socos. Healy, por sua vez, é gigantesco para a categoria. Em pé, faz mais estrago no clinch – onde seu corpo restringe a movimentação da vítima. Quando a trocação é franca, seus números não impressionam (seis nocautes em 29 vitórias). O americano até gozará de envergadura ligeiramente superior (1,83m x 1,78m), mas é do tipo que gosta de ingerir a carne só depois de mastigá-la apropriadamente (o famoso “grinder”). Enquanto o russo aposta em mata-cobras mais contundentes (que vêm sendo aperfeiçoados na AKA) para terminar a prosa logo que possível. Nurmagomedov é seis anos mais jovem, portanto, mais rápido. Além disso, possui mais combinações de mão. Vejo equilíbrio nesse setor – com pequena vantagem para o europeu.

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Trujillo decolando

Wrestling

Se não se criar em pé, Healy deve optar por arrastar Nurmagomedov para a lona. Acontece que, apesar de ter derrubado Jim Miller à vontade, “Bam Bam” encontrará resistência bem mais ferrenha desta vez. O russo defendeu cinco das seis quedas tentadas pelo enorme Gleison Tibau – que, no UFC, só derrubou menos que GSP – e assinalou 24 “takedowns” em apenas quatro apresentações no octógono dos Fertitta Bros. Lembrando que, no Strikeforce, Healy foi posto pra baixo por Mizuto Hirota, Lyle Beerbohm, Caros Fodor e Bryan Travers. “Nurma” leva clara vantagem aqui. A questão é se ele tentará usufruir dela. O que nos leva ao último ponto.

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Miller sufocado

Chão

A especialidade do representante da “Sports Lab” é amassar a presa por cima até ela virar de costas e ceder o mata-leão. 10 de suas 29 vitórias vieram por finalização – incluindo a última, sobre o top 10 Jim Miller. Acontece que o russo é bem arisco por baixo. Além de botes venenosos no braço e no triângulo, ele tem disposição para levantar rápido. Sua deficiência está por cima. Ao mesmo tempo que derrubou Abel Trujillo 21 vezes em 15 minutos, não conseguiu manter o americano de costas pro chão nem com reza brava. Seu estilo de wrestling é o “freestyle” – mais focado em pontuar a partir de quedas e plasticidade- e não o “folkstyle” – baseado no controle de posições. Contra Healy, é bom também ficar atendo às guilhotinas – ele já arrancou três tapinhas de Dan Hardy e Paul Daley nessa armadilha. Dificilmente, haverá finalização por se tratarem de atletas de alto nível, no entanto, o americano, a meu ver, leva ligeira vantagem em termos de transições e posicionamento.

Em suma, o potente jagunço -conhecedor de cada palmo do cage- vai testar pra valer os nervos cranianos do garotão frio como o inverno na ex-CCCP.

Apesar do tom pró-Nurmagomedov na análise, sinceramente, não consigo puxar a carteira e digitar a senha no cartão – em respeito à durabilidade e à malandragem de Healy.

Pra mim, só é seguro apostar que, pelo menos um dos dois, estará 50 milhas mais rico (ou menos pobre) na próxima segunda-feira.

Isso, claro, se ninguém tiver dado aquele “tapa na pantera” recentemente. Brian Caraway tá de olho! 

Abraços.

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