Jones, Alex e a confiança dos jovem prodígios

Renato Rebelo | 16/09/2013 às 23:18

Desde que Dana White confirmou Glover Teixeira no posto de desafiante número um dos meio-pesados, o campeão Jon Jones passou a dividir sua atenção entre o sedã comprido que tenta ultrapassá-lo em alta velocidade e a incômoda pick-up cujo farol alto reflete no retrovisor.

Como se Alexander Gustafsson não fosse encrenca suficiente, “Bones” deu hoje (à la GSP) grande destaque ao mineiro de Sobrália em seus discursos.

Eu acho que ele mostrou sinais de ser um lutador de alto nível. Mas não acho que ele tá pronto para me vencer. Ele mostrou sinais, mas ser socado tão forte pelo Bader me mostra onde ele está. Não importa qual seja a desculpa, aconteceu. Se você é um veterano experimentado e diz que deixou o excesso de confiança ser um ponto fraco, ainda é um ponto fraco que você deixou aparecer. Se você tem um grande oponente e o entende, então você não vai correr pra cima de um cara como o Bader que, obviamente, vai jogar socos abertos na sua direção. Não acho que ele é o cara que vai me vencer.

Por mais que a opinião supracitada faça sentido, convenhamos:

Seria até estranho um jovem milionário, inflado por 19 vitórias consecutivas (me julguem, mas não conto a surra em Matt Hamill como derrota) e favoritismo boçal nas casas de apostas (+ 588 a – 645) adotar discurso franciscano.

A confiança do pupilo de Greg Jackson é tamanha que, na semana que antecede o UFC 165, sobrou até pros calados Anderson Silva e Daniel Cormier:

– Tudo que o Anderson Silva precisa fazer é vencer sua próxima luta de forma decisiva e teremos o interesse ali mesmo. A superluta ainda é uma possibilidade.

– Não acho que tenho muito a ganhar batendo no Daniel Cormier. Ninguém sabe quem ele é e ele não provou muita coisa ainda.

Do outro lado, o lourão, que tem os mesmos 26 anos e 1,93m de altura do rival, também não se faz de rogado e vende um peixe por aí:

Eu usarei o cinturão por um mês. Vou tomar banho com ele, dormir com ele, comer com ele, treinar com ele. Vou pescar e caçar com ele. Vou fazer tudo com o cinturão.

É claro que a velha massageada pública no ego antes do pega pra capar é sempre bem-vinda. Motiva fãs a alcançarem suas carteiras.

Mas, na hora H, é fundamental que, independente do discurso, esteja tatuada na alma a frase dita pelo próprio campeão no final desse vídeo divulgado hoje – relacionado à derrota de Anderson Silva para Chris Weidman:

É loucura, cara. Tem que respeitar o jogo, não tem jeito. Nenhum de nós é invencível.

Abraços.

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