Penn com 66kg: providencial ou tarde demais?

Fernando Cappelli | 12/09/2013 às 21:54
UFC on FOX: Penn v MacDonald

Rory castigando o menor adversário que já enfrentou

Frankie Edgar.

Um nome que fez BJ Penn dar um tapa na rotina mansa e no mormaço de alguma praia paradisíaca do Havaí e afastar – pelo menos por ora -, a sombra da aposentadoria – que parecia intensa após as duas últimas apresentações azedas.

A nova empreitada inclui uma ladeira até 66kg e o papel de treinador no TUF 19 ao lado do baixinho de Nova Jersey, que lhe roubou o cinturão dos leves após dois anos de hegemonia.

Mais uma trilogia vem aí, sempre com aquele clima denso de bangue-bangue antigo, vento forte e gota de suor em close escorrendo pela testa no acerto de contas final e fatal.

Os técnicos do próximo TUF seriam Urijah Faber e Frankie Edgar. Um não queria subir de peso, o outro não queria descer e não gosto de lutas em pesos casados. Aí, recebi uma mensagem do BJ Penn dizendo que queria luta com o Ben Henderson. Perguntei por que e ele disse: ‘se eu bater Ben Henderson, você vai ser obrigado a me dar a luta que eu quero, que é contra o Frankie Edgar’… Ele topou baixar para o peso-pena e é difícil dizer não para o BJ – disse Dana White no programa “UFC on Fox”.

BJ já atuou com quase 87kg em uma disputa sem peso definido contra Lyoto Machida.

Depois, chegou ao UFC e abocanhou cinturões nas divisões 77kg e 70kg.

Agora, fará a rara ‘quadra’ de categorias para provar que é um dos grandes camaleões do MMA.

Segundo informações do repórter bãmbãmbãm Ariel Helwani, o havaiano atualmente está com 74kg e terá de cortar 8kg para atingir a nova marca.

Basicamente é o mesmo que José Aldo, o campeão da divisão, tem de perder em cada compromisso agendado.

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Velocidade e atleticismo de Edgar lhe renderam duas vitórias sobre BJ

Mesmo no auge da forma, Baby Jay nunca prezou pelo atleticismo como handicap mais vistoso.

Tudo que conquistou veio acompanhado da carinha de pequeno buda e a barriguinha mais saliente do que seca.

Ele forjou habilidades no talento puro e nato.

Pegou faixa-preta de jiu-jítsu com quatro ou cinco anos de treino e foi o primeiro não-brasileiro a faturar um mundial da arte suave na graduação máxima.

Além disso, tem um dos padrões de boxe adaptados com mais perfeição ao MMA.

BJ é um cara “old school” que soube manter o lugar ao sol no momento de transição cabulosa pela qual a modalidade passou nos últimos tempos.

Quem sabe a rotina espartana para alcançar os 66kg o forçará a se repaginar técnica e fisicamente e a ser mais atleta que o de costume.

Resta saber o peso que o relógio dos anos vai ter na empreitada.

Como a maioria, espero um lutão no mesmo naipe dos outros desafios entre a dupla.

Edgar é um dos lutadores mais persistentes e técnicos do esporte.

Mas também é totalmente vencível. BJ é um ‘porradadicto’ nato e sempre merecerá o devido respeito.

O grande ponto é saber se terá fôlego, físico e motivação suficientes para fazer carreira em uma divisão tão frenética e repleta de novos talentos.

Ao que tudo indica, a arma que o havaiano tirará do coldre para o já clássico duelo derradeiro contra Edgar deve ser de um tiro só.

Providencial ou tarde demais? Logo veremos.

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