De olho no vice: três pontos altos do Bellator 98

Lucas Lutkus | 08/09/2013 às 18:36

Se o UFC se manteve ocupado na semana passada com três eventos em sete dias, o Bellator voltou com sua edição de número 98 para não deixar os fãs de MMA à deriva.

Encabeçado por uma disputa de cinturão entre Alexander Shlemenko e Brett Cooper, o evento contou com quartas-de-final do GP de pesos-médios e uma pá de nocautes.

Mas, venho destacar três pontos que, a meu ver, saltaram aos olhos nessa noite de combates na cidade de Uncasville, Connecticut, EUA. Vamos a eles:

 

ALEXANDERA tempestade russa

Dez vitórias consecutivas, o cinturão peso-médio e a vantagem de seu oponente ter tido apenas dez dias para se preparar. Alexander Shlemenko subiu no decágono mais favorito que Roger Federer em Wimbledon. Só que, na hora do vamos ver, o jeitão de assassino frio – à la camaradas soviéticos do calibre de Fedor Emelianenko e Igor Vovchanchyn– e todas as vantagens supracitadas não valeram de nada. Um telespectador mais desatento poderia, inclusive, achar que o “Fudoshin” Brett Cooper era o verdadeiro campeão. O ritmo alucinante do americano deixou o russo perdidinho nos dois primeiros rounds. Acontece que, com um condicionamento físico que deixaria até mesmo Nick Diaz e Cain Velasquez com inveja, Shlemenko cresceu nos três rounds finais e tempestuou a disputa. Baseado em sequências intermináveis de socos, contra-golpes precisos e um knockdown sinistro no R4, o cara garantiu os 15 minutos finais nas papeletas dos jurados. Com a cinta devidamente afivelada, a “Tempestade” provou que é, de fato, o melhor do mundo até 84kg fora do UFC. Para a próxima peleja, quem se apresenta é ex-WEC Doug Marshall. Semi-aposentado até o início de 2013, o cara se reinventou e faturou o último GP da categoria. Será que, aos 36 anos, o “Rinoceronte” consegue aprontar pra cima do garotão de 29 anos e 48 vitórias profissionais?

 

PATRICKYO inconstante irmão Freire

Tecnicamente, o irmão Pitbull mais velho e mais pesado é um pacote completo: agressivo, dono de força descomunal, mão de pedra e jiu-jítsu bacana. Acontece que o problema que assolou outro grande peso-leve (um havaiano apelidado de Baby Jay) bate na porta do potiguar: a inconsistência. Do início arrebatador à final do GP de pesos-leves, foram nove vitórias em 10 apresentações. Mas, desde que o furacão Michael Chandler cruzou eu caminho, o cara que tinha pinta de futuro campeão acabou virando um grandessíssimo ponto de interrogação. Ontem, o irmão de Patrício tentou se impor – controlando o primeiro round-, mas acabou vítima dos jabs precisos do estreante Derek Anderson no assaltos finais. Agora, com quatro derrotas nas últimas cinco lutas, Patricky se encontra numa encruzilhada.

 

GIVAAdeus, Colecionador!

Quem diria que um lutador com 18 vitórias em 21 lutas – sendo 13 por chaves de braço- se aposentaria após perder apenas duas em 10? É exatamente essa a história do quarentão Givanildo Santana, que decidiu pendurar as luvas ontem à noite. Campeão pan-americano de jiu-jítsu, o “Colecionador de Braços”, treinador de feras como Ian McCall e Shane Del Rosario, mediu forças com o invicto Jason Butcher nas quartas do GP do peso-médio. Menor fisicamente, o coroa até deu trabalho – levando o combate para o chão no primeiro round e controlando as ações por lá. Mas, se os cinco primeiros minutos foram o céu, os 72 segundos seguintes foram o inferno. Um gancho preciso do “Açougueiro” e uma chuva de punhos na sequência entregaram a Giva o primeiro nocaute em mais de oito anos de carreira. Braço de Butcher erguido e aplausos para o cara que deixa de investir na coleção de braços (joelhos, pescoços e o que mais estiver à mostra) para focar na evolução das promessas da Team Oyama.

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