Glover: mérito, chances… e outros quinhentos

Fernando Cappelli | 06/09/2013 às 18:56
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Glover liquidando a fatura contra Bader

Glover Teixeira come, bebe e respira nocautes.

O obsessão pela via rápida é algo tão presente para o brasileiro que ele nocauteou Ryan Bader após levar um atraso traduzido em dois knockdowns em sequência, ainda no primeiro round do combate travado no UFC BH 2.

No momento em que acertou os dois cruzados que viraram o jogo e detonaram o adversário, ele estava tonto, de costas para as grades e os pés paralelos, o que pela cartilha da luta dificulta – e muito – a aplicação das técnicas com a potência correta.

Toda e qualquer porrada é naturalmente dolorida para o mineiro.

A vitória – a quinta seguida pelo UFC e a 20ª consecutiva na carreira – lhe garantiu a chance de ser o próximo postulante ao título dos meio-pesados.

Antes, Glover estará dia 21 de setembro em Toronto, no Canadá, onde saberá quem vai enfrentar.

Na ocasião, o supercampeão Jon Jones encara o sueco Alexander Gustafsson.

O vencedor tem encontro marcado com o brasileiro alguns meses depois.

Pelo desenho atual da categoria, Glover representa, sim, o que há de mais ameaçador para acabar com o senso comum imposto por Jones na faixa de peso.

A postura de luta agressiva, o tom de intimidar e encurralar oponentes no octógono com pancadas potentes personifica alguém que pode surrar em qualquer um, mesmo com as brechas que demonstrou e o sufoco a que foi submetido em poucos minutos contra Bader.

Glover traz um pacote de destruição bem definido. Mas seu estilo rústico e sem retrancas também facilita para que seja atingido com mais frequência.

Isso não é bom negócio contra alguém com o aproveitamento monstro de golpes e o controle cirúrgico de distância de Jones (caso este vença Gustafsson e enfrente o brasileiro, claro).

Será necessário aparar arestas técnicas e traçar estratégias totalmente coesas, baseadas no round a round.

O próprio brasileiro fez auto-crítica severa após a luta contra com Bader.

Um dos meus problemas era o excesso de auto-confiança. Levar esse knockdown e esse sufoco foi uuma boa lição para despertar.

Isso aí. Pelo que demonstrou até agora, Glover tem competência e totais condições de colocar a corda no pescoço do campeão.

Chutar o banquinho seriam outros quinhetos.

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