Glover e Jacaré em: promessas, realidade e lições

Fernando Cappelli | 03/09/2013 às 19:34
glover-rampage-ufc

Moquecada em Rampage

No senso comum do UFC não há meio-termo. Os títulos mudam de dono, quem tem tudo, de uma hora para outra não tem nada, ídolos se transformam em vilões (ou vice-versa)… e por aí vai.

Para o Brasil, duas das principais esperanças de retomar tronos perdidos em duas categorias são promessas que aterrissaram na organização já como realidade:

Glover Teixeira nos meio-pesados, e Ronaldo Jacaré nos médios.

Ambos estarão em ação no UFC BH 2 sob o “hype” instantâneo de serem considerados pelos fãs os melhores brasileiros ainda sem títulos (valeu por essa, Rebelo!) dos últimos tempos na organização.

Aos 33 anos e sem perder desde 2005, Glover teve problemas com o visto norte-americano – o que lhe custou anos importantes na carreira internacional – mas chegou ao UFC com reputação sedimentada por atuações destrutivas.

Ele descontou instantaneamente o hiato ao pisar no acelerador e enfileirar lutadores de menos apelo técnico, como James Te Huna, Kyle Kingsbury, Fabio Maldonado, além de derrotar o ex-campeão Rampage Jackson.

Seu estilo oito ou oitenta não dá margem para dúvidas e configura o antídoto mais confiável para acabar com a mesmice.

No olho desse furacão, o desenho dos meio-pesados é propício para Glover conseguir a tão sonhada chance.

Como Jon Jones já tirou para nada praticamente todos os postulantes mais diretos ao título, teoricamente, basta para o brasileiro passar pela prova de fogo chamada Ryan Bader (que não anda lá muito bem das pernas, diga-se de passagem) de forma convincente, no “main event” desta quarta-feira.

Além de Alexander Gustafsson (que tenta a sorte contra o campeão dia 21), Phil Davis também estaria na mira do título.

Mas a vitória contestável sobre Lyoto Machida, no UFC Rio 4, e o estilo pouco vistoso colocam o wrestler do Tio Sam em banho-maria.

Boto fé. Glover é o cara de maior potencial para ser o próximo “contender”. Se detonar em solo mineiro, fica mesmo a um braço do título.

O problema é que do meio desse braço pode estar o cotovelo afiado… e todo o resto do ‘pacotão Jones’. Aí o buraco tem ficado cada vez mais embaixo.

Ronaldo-Jacare-finaliza-no-UFC

Katagatame em Chris Camozzi

Para Jacaré, o caminho ainda é mais lento, mas não menos importante.

O manauara ainda passa pelo processo de conquistar confiança da cúpula Ultimate.

Isso não se dá pelas habilidades como lutador em si, mas em virtude de atuar em uma divisão de peso que, pelas próprias circunstâncias, estava institucionalizada até pouco tempo – com Anderson Silva no papel de rei supremo quase intocável, no melhor estilo sistema feudal.

A vitória de Chris Weidman sobre o “Spider” deixou tudo muito mais maleável.

A categoria varreu esteriótipos – pelo menos momentaneamente – e agora respira novos ares.

Ex-campeão do Strikeforce, Jaca está no bolo com o diferencial de ser o finalizador mais astuto entre os atuais Top 10.

Ele pega o cascudo Yushin Okami na sequência e tem grandes chances de finalmente atrair grandes holofotes com mais propriedade.

Mais uma vez, boto fé.

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