Pensando alto: a análise informal do UFC 164

Renato Rebelo | 01/09/2013 às 04:04

Desde que Frankie Edgar nocauteou Gray Maynard, em 2011, uma luta pelo cinturão do peso-leve não terminava antes de 25 minutos de combate.

O hiato foi encerrado hoje quando Anthony Pettis estalou o braço de Ben Henderson e levou pra casa – que fica a 15 minutos do Bradley Center– o cinturão da categoria.

Sem muita enrolação, vamos àquela minha sempre confusa leitura do evento:

 

PETTISAnthony Pettis x Benson Henderson

O fato de Bendo não ter conseguido quedar Pettis ainda seco com 100% de sua força somado ao incômodo – denunciado por caretas- gerado pelos chutes do rival apontou, logo de cara, que estava para chegar um novo xerife na cidade. Agora, imaginar que o melhor “striker” da divisão finalizaria o mais novo faixa-preta de jiu-jítsu – com presença garantida no ADCC 2013– também era demais pro meu penar. Acho que o cabeludo está para “Showtime” assim como Cristiano Ronaldo está para Messi (enquanto existir um, o outro sempre será o número dois). Nessa noite abençoada, até “beija-flor” (golpe de capoeira) mal executado lhe ajudou. Vida longa ao novo monarca – que, já adianto, dificilmente será destronado por alguém que não atenda pelo nome José.

O joelho do Pettis estalou durante a luta. Então, não faz sentido falarmos sobre a próxima luta – disse Dana White.

BARNETTJosh Barnett x Frank Mir

Se Mir não pegou emprestado o carro de Barnett e devolveu sem gasolina não sei o que pode ter gerado tanta raiva. Assim que o juiz saiu da frente, o lourão avançou no caboclo como André Marques avança numa picanha maturada Friboi. Mir, que não é famoso pelo coração, pediu as contas logo na primeira blitz. Quem diria que, em sua 39ª luta profissional, o “Assassino com Cara de Bebê” nos surpreenderia?

Os fãs foram roubados e eu fui ferrado. Isso não é uma partida de tênis. Tem que deixar rolar – disse Mir, obviamente insatisfeito com a interrupção do juiz.

MENDESChad Mendes x Clay Guida

Não sou atirador, mas imagino o quão difícil deva ser acertar um alvo que se move feito dançarino de axé. A “serelepidade” do “Carpinteiro” é tão sinistra que até o ágil “Money” sentiu vertigem. Quem esperava um lutaço (como eu), viu apenas três quedas a favor do melhor wrestler nos 10 primeiros minutos. Foi só no terceiro round que Mendes se enfezou, mirou no ponto futuro e largou o aço. Bingo! Quarto nocaute seguido na conta do baixola.

Demorei muito para encontrar meu ritmo. Esse cara é estranho demais – disse Mendes na coletiva de imprensa.

ROTHWELLBen Rothwell x Brandon Vera

Perdi quatro das minhas últimas cinco lutas. E agora, o que faço? Subo de peso, ora! A estranha estratégia de “The Truth” tinha tudo pra dar errado. E deu. Mas não foi tão ruim quanto pode soar. Nitidamente mais rápido do que Tiozão da Alcatra, Vera explorou a movimentação e se deu relativamente bem no começo. Acontece que, no terceiro, “Big Ben” achou a presa e a moquecou até a morte. Bom para Cheik Kongo, que acaba de ganhar um adversário para a estreia no Bellator (fonte: Sensacionalista).

 

POIRIERDustin Poirier x Erik Koch

Me parece que “O Diamante” entrou determinado a ser finalizado no triângulo. Para encontrar seu destino, o cara deu mole bisonhamente duas vezes no primeiro round. Mas Koch, visto no passado como “Anthony Pettis dos penas”, deixou a alma em casa – jogando Playstation. Depois, na “Dança do Tchaco”, só deu Poirier – em cima e em baixo. No terceiro round, a alma da “Nova Cria” chegou ao Bradley Center e o jiu-jítsu agressivo lhe garantiu, ao menos, um 10 a 9. Tarde demais. 2 a 1 Poirier.

 

O que acharam da decisão a favor do Gleison Tibau contra o Jamie Varner? Justa?

Abraços.

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