Sexto Round palpita: Anthony Pettis x Ben Henderson

Renato Rebelo | 30/08/2013 às 21:53

Neste sábado, Ben Henderson, macho alfa do UFC na categoria até 70kg, terá a chance de exorcizar um fantasma do passado.

Isso porque, do outro lado do famoso octógono, montado, desta vez, no estado americano de Milwaukee, estará Anthony Pettis – último homem a derrotá-lo.

Será que o jogo robusto do campeão será suficiente para a manutenção do cinturão? Ou será que o estilo vistoso do desafiante roubará a cena?

Com a palavra, as “Mães Dináhs” do Sexto Round:

 

FERNANDOFernando Cappelli

Revanche da luta histórica realizada no WEC. Na ocasião, Pettis venceu Henderson na decisão e se tornou o último campeão da sigla antes de os lutadores migrarem ao Ultimate. Campeão dos leves, mesmo sem demonstrar alto calibre para encerrar combates pelas vias rápidas nas últimas atuações, Henderson encaixou jogo sólido e bem definido estrategicamente, e tem ampliado a hegemonia de forma gradativa. É sem dúvida o cara de maior atleticismo na categoria e geralmente puxa o combate para o centro do octógono, onde domina ações com movimentação lateral e grande aproveitamento de golpes. Pai do ‘walking the cage’, Pettis é um striker mais que interessantes de se assistir. Também chutador de extrema habilidade, executa golpes com saltos, giros e outras surpresas. Tem tanta confiança no poder ofensivo que usa os jabs para controlar a luta e esperar brechas para contragolpes, geralmente colocados em diretos ou cruzados de direita. De forma abrangente, os handicaps no jiu-jitsu se equiparam, mas o campeão leva vantagem significativa no wrestling. Pettis já levou atraso feio de um wrestler ‘sufocador’ e mais ortodoxo como Clay Guida, que o neutralizou na estreia pelo UFC, em junho de 2011. A tática mais direta do desafiante será tomar as iniciativas e explorar as brechas deixadas por Henderson quando encurralado contra as grades do octógono, situação que proporciona algumas panes e o deixa visivelmente desconfortável. Para o campeão, a melhor saída deve ser jogar boxe coeso da média para a curta distância, e redobrar o cuidado com os malabarismos do adversário. Repito: espero nada além do que um lutaço. Se levarmos em conta a premissa de que melhorou nas defesas de quedas, Pettis tem artifícios de sobra para manter distância segura e controlar ações com seu padrão em pé. Assim, leva a melhor na decisão por pontos e toma o cinturão.

 

RENATO_EDITRenato Rebelo

Primeiro, começo tirando o meu da reta destacando o equilíbrio sinistro que há entre esses dois. Tão sinistro que, pra mim, a primeira luta só foi decidida aos quatro minutos do quinto round (pelo chute espírita). Depois, confesso que sou uma criatura um tanto quanto influenciável. Em minha peregrinação habitual pela rede – entre “countdowns”, entrevistas e análises – encontrei um discurso extremamente incisivo do desafiante que soou como música pros meus ouvidos. “Ele não pode jogar solto comigo. Seria perigoso pra ele. Acho que ele vai tentar fazer uma luta segura – já que não pode assumir os riscos que assumiu contra o Melendez ou contra o Diaz . Ele sabe que, se cometer algum erro em pé, vou capitalizar. Essa luta não vai pra decisão. É o round seis, não é o round um. Não preciso estudá-lo. Vou acabar com ele”. A análise é, obviamente, parcial, porém, precisa. Acontece que Bendo possui todas as ferramentas para levar mais essa em banho-maria e garantir o voto dos jurados. Quem assistiu Pettis x Guida, certamente, entende por que. Mas o campeão, faixa-preta de taekwondo, não é unidimensional. Pelo contrário, ele chuta bastante e curte jogar uns cruzadões selvagens. E é aí que mora o perigo. Em quanto estiver em pé, “Showtime”, com duas colheres de paciência, três pitadas de condicionamento físico e frieza a gosto – para puxar o gatilho na hora H-, pode achar uma brecha. Mentalizo o cabeludo levando um ou dois rounds e caindo pra um joelho ou chute no quarto. Ainda que o jogo não case tanto, o talento e a imprevisibilidade de Pettis falarão mais alto. TKO no quarto round e “neeeeeeeeeeeew” campeão.

Se a decisão dos jurados é um amigo justo, o nocaute pode ser uma amante insaciável – já dizia uma velha frase do boxe.

Abraços.

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