O Dragão magro e a batalha em território hostil

Fernando Cappelli | 22/08/2013 às 21:40
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Desafio de Lyoto

Lyoto Machida não quis deixar a derrota milimétrica nos pontos, para Phil Davis, no UFC Rio 4, esfriar no prato. Muito menos requentou sequelas do indigesto resultado no microondas.

Poucos dias após o revés, o carateca já fazia campanha pesada pelo próximo desafio, alegando que gostaria de criar um lastro maior de atuações – já que, aos 35 anos, engrossa a estatística do ‘um ano a mais é um ano a menos’ e quer se manter ativo o máximo de tempo possível.

Ele chegou até abandonar o estilo polido usual e tentou transferir hostilidades para Chael Sonnen e Vitor Belfort para despertar rivalidades.

Não surtiu resultado.

A melhor saída foi colocar em prática um plano vislumbrado há tempos: descer para os médios e atuar na terceira categoria de peso da carreira (para quem não lembra, começou a carreira no MMA como pesado, em 2003).

Lyoto está indo para os pesos médios no UFC? Eu tenho uma vaga aberta para minha próxima luta e amaria que fosse contra ele, Dana White

Como quem pede recebe, o escolhido para testar o “Dragão” foi o norte-americano Tim Kennedy, ex-Strikeforce e ex-militar, que até agora só tem uma luta pelo Ultimate: a vitória por pontos sobre Roger Gracie, na edição 162.

No geral, Kennedy será mais um grappler ortodoxo cheio de recursos neutralizantes no caminho do brasileiro.

Há quem diga que o gringo não configura desafio tão perigoso e servirá de boa escada para o novo Lyoto Machida de 84kg.

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Kennedy atacando Roger no chão

Mais baixo e com menor envergadura, o norte-americano depende da luta agarrada para vencer.

No papel, tudo o que Machida mais gosta.

Mas esta também será a primeira incursão do carateca na nova faixa de peso, o que muitas vezes pode configurar tiro pela culatra.

Ainda mais com estilos contrastantes como os que estarão em jogo.

A expectativa é saber como o brasileiro lidará com o corte de peso e até que ponto isso o afetará na prática.

Se pensarmos tecnicamente, seu padrão de combate baseado na velocidade de contragolpes e de movimentação deve ser favorecido.

Mas sempre tem de ser levado também as causas e consequências no metabolismo, ainda mais para um cara que já passou dos 30 anos.

Assim, o risco se dá mais pelas circunstâncias do que propriamente pelo nível de habilidade mútuo.

Nas entrelinhas, o combate está agendado para um campo militar norte-americano, em uma edição do ressucitado UFC Fight For The Troops.

No cardápio, certamente doses de patriotismo e aquele ‘USA! USA!’ um tanto xexelento. Não tem como ser diferente.

Além de perder alguns quilos, o Dragão versão “slim” terá de ganhar (mais) nervos de aço na nova empreitada.

E aí, será que, finalmente, ele conseguirá puxar o gatilho – ainda mais em território hostil? Quem viver, verá.

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