O que o Pride 32 nos diz sobre Belfort x Hendo II?

Renato Rebelo | 21/08/2013 às 23:18
Susumu Nagao's Photograph

Vitor indo pro leg lock

Sabe quando você está esperando um videogame do Papai Noel e encontra, no pé da árvore natalina, aquele jogo de tabuleiro em que o Coronel Mostarda sempre mata alguém com o castiçal na biblioteca?

Pois é.

No aguardo pela confirmação de Lyoto Machida x Vitor Belfort, confesso que senti um vazio no âmago (bem gay essa frase) quando descobri que Dan Henderson foi o escolhido pra trocar sopapos com o “Jovem Dinossauro” em novembro.

Belfa x Hendo II está longe de ser um embuste, mas o “Dragão” – ainda na flor da idade – sendo recebido no peso-médio pelo desafiante número 1 tinha pinta de arrasa-quarteirão.

E outra, o que essa revanche meio-pesada oferece de recompensa ao campeão – além do checão suculento?

DH-vs-VB

Golpe de Vitor passando no vazio

Se perder, Vitor retorna aos médios, se vencer, também.

Já o banguela, fica entre o machado do carrasco e a “glória” (estagnação) de bater um médio.

Ou seja, passatempo de luxo.

Enfim… Como já dizia um autor medíocre: “Em busca do ótimo se perde o bom”.

Engoli o choro e tratei de reassistir o Pride 32 (também conhecido como Pride USA).

Na época (outubro de 2006), cada dólar apostado no “Fenômeno” rendia 2,25 – em caso de vitória.

Ou seja, Vitor era zebra.

Também pudera. O carioca oscilava bastante (14v e 8d), enquanto Hendo (20v e 5d), mais consistente, detinha o cinturão dos meio-médios (83kg).

Na hora do vamos ver, nada de Bomba H ou punhos lépidos.

Henderson botou logo a grego-romana pra jogo e controlou boa parte do primeiro round no chão.

No segundo e no terceiro, mais do mesmo: domínio pleno do americano no agarra-agarra e pouca trocação. 30 a 27.

O rumo da prosa em Goiânia, no entanto, deve ser outro – com a balança pendendo para o lado do brasileiro.

Com 42 primaveras nas costas, (apesar do TRT) o coroa bom de briga está mais lento e menos propenso ao jogo de isometria (dependendo, basicamente, da mão amaldiçoada)

Do outro lado, o Blackzilian atravessa a melhor fase da carreira. Rápido e forte como sempre, maduro e técnico como nunca.

Patada de mula e queixo de titânio (jamais violado) ou explosão e arsenal no estado da arte (forjado por Gilbert Durinho, Henri Hooft, Pedro Diaz e cia)?

É… Pensando bem, até que não estamos mal servidos.

Abraços.

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