Shogun Rua e a enxaqueca do ‘mais do mesmo’

Fernando Cappelli | 18/08/2013 às 18:36
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Sonnen apertando a guilhotina

Em menos de cinco segundos, Chael Sonnen voou nas pernas de Maurício Shogun e o levou ao solo.

A partir daí, veio um monólogo de dominância por alguns minutos, até o norte-americano encaixar a guilhotina e obriga-lo a bater em desistência.

O resumo da ópera da noite do UFC FN 26 não foi nada digerível para o curitibano, ex-campeão meio pesado do Ultimate e ídolo do mais que cultuado Pride.

Após atuações recentes irregulares e aflitivas, quando absorveu quantidade significativa de castigo e passou por sufocos, Shogun reformulou o “camp” de treinamentos para este combate.

Visivelmente mais seco, aparentava também mais confiabilidade ao entrar no octógono do que nas últimas vezes.

Recentemente, rodou pela Internet um vídeo do atleta treinando com o guru do boxe Freddie Roach nos Estados Unidos – a grande ‘pepita’ deste tempo de preparo.

Mas, combalido com as costas no chão, sequer teve tempo de mostrar qualquer habilidade recém-aprendida na nobre arte.

Shogun talvez tenha se preparado para tudo. Menos para a previsibilidade – sempre presente no cardápio do falastrão.

Ele visivelmente não soube lidar com o caminho que a luta tomou.

Chael Sonnen, o cara que desafia parâmetros sisudos do MMA no melhor (ou pior) estilo telecatch de promoção megalomaníaca, estava em baixa após duas derrotas consecutivas em disputas de cinturão (para Anderson Silva e Jon Jones).

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A velha tática do moedor de carne

Desta vez, falou menos do que de costume. Mas roubou o show com o padrão de luta manjado.

Claro que pouca gente apostou em uma finalização sobre Shogun de forma tão fácil.

Na minha previsão, havia votado que Sonnen eventualmente levaria a melhor, nos pontos.

Após a luta, Chael Sonnen chamou Wanderlei Silva para um próximo acerto de contas.

Mobilizou também Vitor Belfort e Lyoto Machida, que via Twitter, começaram a campanha para enfrentá-lo.

Voltou a ser o cara que todos adoram odiar.

Já Shogun coloca mais um ponto negativo na carreira pelo UFC.

Seu talento nato que já o colocou no topo do esporte precisa de um ‘quê’ estratégico ou um ‘algo a mais’.

Três dos últimos cinco lutadores que venceu no UFC estão aposentados. Algo tem de ser feito logo. Senão, bye bye UFC.

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