Pensando alto: a análise informal do UFC FN 26

Renato Rebelo | 18/08/2013 às 15:24

Se tudo que Dana White pediu a São Longuinho foi uma noite insana para estrear, com o pé direito, o novíssimo canal Fox Sports 1, o careca terá que dar três pulinhos.

Do começo ao fim, o Fight Night 26 entregou um dos card mais divertidos dos últimos tempos.

Na porção preliminar, dois nocautes, duas finalizações e duas batalhas épicas: Diego Brandão x Daniel Pineda e Michael MacDonald x Brad Pickett.

Entre os casamentos mais badalados, muitas surpresas. Bom, vamos àquela sempre confusa leitura:

 

SONNENChael Sonnen x Maurício Shogun

Basta um vídeo cassete e uma fita para constatar que o americano avança à la “Boi Bandido” assim que o juiz autoriza a peleja. Cair logo na primeira investida sem nenhum tipo de movimentação lateral ou resistência já ligou o sinal amarelo aqui em casa. Na sequência, uma inversão baseada na força bruta e a aceitação praticamente passiva de Shogun a um jogo que jamais lhe favoreceu violou minhas esperanças. A derrota do curitibano não chega a chocar. A guilhotina pega bobo sem um soco lançado na direção de Sonnen, sim. É mole ser profeta do passado, mas a real é que os estilos não casam. O grande problema é: atualmente, qual estilo casa com o do curitibano? Infelizmente, com cinco derrotas em oito lutas, Shogun apenas observa o gradual fechamento de sua janela de oportunidade. Ah, quer gostem dele ou não, preciso destacar esse fabuloso trabalhador braçal chamado Chael Patrick. O cara pediu licença à Fox, deixou a esposa em Oregon – semanas após o casamentos- e foi morar num hotel na Califórnia por seis semanas para afiar o wrestling com Mark Munõz. Há uma velha frase que diz: o trabalho duro vence o talento toda vez que o talento se recusa a trabalhar duro. Pois é, agora aguenta:

Eu arrebentaria Wanderlei Silva no caminho para arrebentar Vitor Belfort no octógono, e depois arrebentaria o outro cara, cujo nome eu esqueci (Lyoto Machida), no estacionamento, a caminho da minha festa pós-luta.

BROWNE

Travis Browne x Alistair Overeem

Chega ser tragicômico o fracasso do “Demolition Man” no UFC. Até mesmo com a luta em pé, gás no tanque e o rival castigado feito gato sarnento, o malandro me recebe um bico na ponteira à la Anderson Silva e cai falecido. “Happa” rasgou o manual de como matar o campeão do K-1 World GP pelo cansaço e passou a régua em quatro minutos – aproveitando-se daquela problemática guarda, sempre perigosamente baixa. É incrível como Overeem ataca feito pitbull e defende como chiwawa. Bom, depois da piaba aplicada por Pezão, o holandês viu o preço de suas ações despencar, agora, com mais essa, será complexo explicar pro RH tantos zeros no contracheque. Sei não…

Meu corpo apagou quando ele me acertou uma joelhada. Nunca tive uma experiência como essa, nem treinando, nem em luta. Graças a Deus consegui sobreviver e aplicar meu jogo – disse Browne.

URIJAHUrijah Faber x Iuri Marajó

O “Califórnia Kid” justificou, mais uma vez, o recebimento de tantos “title shots” no passado. Pra quem não entendeu, é simples: há um abismo separando ele, Dominick Cruz e Renan Barão do resto dos galos. Marajó, sujeito capaz de desmantelar qualquer top 10, incomodou por três minutos, mas foi logo sossegado por um mortal misto de experiência, velocidade e torque. Atuação primorosa do cara mais avulso da divisão. Além do jovenzinho Michael MacDonald, quem aguentaria com ele?

 

BROWNMatt Brown x Mike Pyle

“O Imortal” devia lançar um livro de autoajuda sobre sua incrível recuperação no UFC. Após ser finalizado três vezes seguidas (por Chris Lytle, Brian Foster e Ricardo Cachorrão) em 2010, o olho da rua lhe piscava mais que semáforo quebrado. Sabe-se lá por que, uma quarta chance apareceu. A partir daí, Brown incorporou Ikki, a ave Fênix, e despachou sete cabeças – cinco por nocaute. Pyle, a vítima em questão, sequer suportou a primeira barragem de socos.

Cade você, GSP? Já são seis seguidas!

HOWARDJohn Howard x Uriah Hall

“Essa luta foi horrível”. O tweet de Dana White já explicitava: a paixonite pelo “melhor lutador a sair de um TUF” foi pras cucuias. Howard, demitido após três derrotas consecutivas em 2011, substituiu o nada impressionante Josh Samman na clara missão de servir de cobaia ao “Homem Ambulância”. Nada feito. Apenas duas semanas de treino foram suficientes para “Doomsday” frustrar o inflacionado Hall – que tem técnica, velocidade e poder, mas é incapaz de puxar o gatilho. Uma pena que seu brio e nervos não deram as caras na primeira divisão.

Eu amo o Uriah Hall. Eu tenho uma grande relação com esse garoto. Ele é um dos melhores seres humanos que você pode conhecer. Ele só não é um lutador, cara – desabafou o presidente do UFC.

O que acharam de Michael Johnson x Joe Lauzon? O que houve com o “Papa Bônus”?

Abraços.

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