Deus e o diabo nos ombros (ou na cintura) de Shogun

Fernando Cappelli | 14/08/2013 às 15:47
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Shogun tomando o cinturão de Lyoto

Faturar o cinturão do UFC, em 2010, teve sentido dúbio para Maurício Shogun.

A glória adquirida com o nocaute  na edição 113 – que acabou com 16 lutas de invencibilidade do compatriota Lyoto Machida – foi o estopim para um período repleto de vaivéns.

Em uma visão mais realista (ou masoquista), o título foi Deus e o diabo na carreira do paranaense.

Após a vitória sobre o “Dragão”, Shogun machucou feio o joelho e ficou quase um ano sem lutar.

Retornou direto no ‘olho do furacão’ e encarou o emergente Jon Jones, que o venceu ao realizar monólogo de pés, punhos, joelhos e cotovelos certeiros.

Depois, foi aos Estados Unidos voltar às raízes, com Rafael Cordeiro, e alcançou um oásis: a vitória por nocaute sobre um desanimado Forrest Griffin, no primeiro UFC Rio.

Aí veio o “camp” misterioso e totalmente fechado, em São Paulo, para o compromisso com Dan Henderson.

Atuação bombástica, porradaria pura, luta histórica. Mas o resultado cravou nova derrota por pontos e rompimento com o irmão, Murilo Ninja, que parou de atuar como córner.

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“Gustavão” joelhando o curitibano

Na última apresentação, o fio da meada mais uma vez se perdeu.

Novo revés, desta vez para o sueco Alexander Gustafsson.

Pouco depois, o “head coach” André Dida também revelou que não trabalharia mais com Shogun.

Nesse meio-tempo, ainda trocou duas vezes de empresário.

Talento não falta para o curitibano. Mas insistir no erro crasso de manter autonomia plena da carreira já não tem funcionado corretamente há muito tempo.

Fica claro que falta direcionamento.

Também não é (nem de longe), falta de humildade.

Está mais do que na hora de abrir a mente para uma visão empreendedora menos estrábica da carreira.

Pode ser o passo mais importante para reverter o panorama que têm tirado a confiança gradativa de fãs, especialistas e do próprio UFC.

Para muita gente, um cara como Shogun precisa sempre da figura de um mestre turrão por perto, que exerça pressão diária, ensine e reensine como fazer assim e assado.

Será que o “caxias” Renato Babalu – novo contratado para comandar seus treinos- é essa cara?

Com três derrotas e duas vitórias em cinco lutas, o compromisso contra Chael Sonnen ganhou ar de providencial para determinar até onde dá para confiar em Shogun no Ultimate.

Pode não configurar luta de risco para o ‘emprego’, mas sim para a reputação.

No cenário competitivo atual do MMA, não há mais espaço para profissionalismo mambembe.

Senão, vira e mexe o pão vai continuar teimando em cair com o lado da manteiga para baixo.

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