Será que Tito x Rampage vai subir no telhado?

Renato Rebelo | 08/08/2013 às 15:50
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Encaradinha pra lá de amena

Se você apostou que Quinton Jackson boxearia com Roy Jones Jr. em sua estreia pelo Bellator se lascou.

Desmentindo previsões iniciais, no último dia 31, Rampage foi à jaula arredondada anunciar que o pontapé inicial será nas regras do MMA.

Subitamente, à la telecatch, me entra um emocional Tito Ortiz ao som de “Mosh”, do rapper Eminem, carregando a famosa bandeira-pizza: meia americana, meia mexicana.

Mas a cereja no bolo ainda estava por vir:

A popularidade dos “coroas” será posta à prova no primeiro “pay-per-view” da promoção de Bjorn Rebney.

Eu sou um fã e estou tendo o privilégio de montar uma luta que sempre quis, entre dois ícones. Não estou com números de venda de pay-per-view na cabeça, apenas quero proporcionar uma luta memorável – disse o cartola.

A iniciativa de incrementar o portfólio e incomodar cada vez mais o líder de mercado é, sem dúvida, louvável.

Mas, como por aqui olhamos até dente de cavalo dado, pintou uma dúvida:

Faz sentido apostar alto em cidadãos que, somados, acumulam seis derrotas e uma vitórias nos últimos dois anos?

Tenho cinco motivos pra enxergar o copo meio vazio:

Retaguarda
Rebney disse que preencherá o restante do card com “muitas lutas por cinturões”. É claro que em seu primeiro PPV é prudente lançar o que há de melhor. Mas, qual é o real apelo promocional dos duríssimos –porém relativamente desconhecidos – Dudu Dantas, Pat Curran, Michael Chandler, Ben Askren, Alexander Shlemenko, Attila Vegh e Alexander Volkov?

Custo-benefício
Respondendo a um jornalista americano, Tito Ortiz disse que ele e Rampage farão milhões de dólares no confere. E se não houver adesão maciça por parte dos fãs? Como justificar cifras tão altas na sequência? A Viacom, que agora controla o Bellator via Spike TV, não se tornou um dos maiores conglomerados de mídias do mundo entubando prejuízos…

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De 2006 pra cá, Tito venceu apenas uma

Salgado
Circundando a data estipulada para Ortiz x Rampage (dois de novembro), temos o UFC 166: Velasquez x Dos Santos III (19 de outubro), o UFC 167: GSP x Hendricks (16 de novembro) e Manny Pacquiao x Brandon Ríos (23 de novembro). Será que o bolso do fã de lutas americano comporta tantos cards a cinquenta doletas cada?

Sem sal
Tito e Rampage treinaram juntos na Califórnia por anos e são bons amigos. Além de não haver nenhum tipo de pimenta na promoção, a julgar pela coletiva de imprensa da última segunda-feira, isso tá com cara de uma tremenda mamãezada. Rivalidade zero.

Briga boa?
Bjorn vem batendo na tecla do entretenimento. Esqueçam rankings ou relevância pro cenário dos meio-pesados, apenas assistam ao show dos ex-campeões. Mas, com base nas últimas exibições de ambos, a chance de sermos agraciados com uma sonolentíssima decisão unânime é gigantesca. Pra sair coelho desse mato, só se o teletransporte pra 2006 for inventado a tempo.

Pra vocês terem ideia, Rampage anunciou que fará seu camp numa academia de boxe no México (!!!) – que, segundo ele, fica próxima a “belas praias”.

Ah, e tem mais. Sabe quando você termina um relacionamento e sua (seu) ex recorre às redes sociais para mandar aquelas indiretas marotas?

– Estou saudável, minha mente está em um lugar legal, tenho um chefe que não preciso lutar contra e uma empresa que toma conta de mim. Não estou mais em uma relação que me puxa pra baixo – mandou o ex-marido de Jenna Jameson.

– Vocês não entendem, mas no outro lugar em que estávamos, não tinha como estar com a cabeça no lugar. A energia lá era ruim. Nas minhas últimas lutas, estava machucado e mesmo assim não arruinei o card pedindo pra sair. Um “obrigado” me deixaria satisfeito, mas não, fui muito criticado – fez coro o “B.A. Baracus”.

Ainda há a desastrosa possibilidade de uma lesão mandar rios de dinheiro gastos em publicidade pro beleléu.

EliteXC e Affliction também botaram todos os ovos em uma só cesta e sabemos como a história terminou.

É claro que seres mais adoentados – como eu e você- estarão ligados de qualquer forma. Resta saber se o espectador casual comprará esse barulho.

Abraços.

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