Roger em: o céu e o inferno Gracie no UFC

Fernando Cappelli | 07/08/2013 às 20:54
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Vitória de Kennedy sendo declarada

Fato 1: Não existiria o UFC se não fossem os Gracies.

Fato 2: Não existiria MMA se não fosse o UFC.

Fato 3: Não está fácil emplacar um Gracie no MMA, muito menos no UFC.

A recente – e para muita gente precoce – demissão de Roger Gracie do Ultimate com apenas uma luta – a derrota para Tim Kennedy na edição 162 – abriu novos precedentes para diversas teorias e discussões sobre a família mais famosa do mundo das lutas e sua importância relevante no panorama do circuito mais importante de MMA do mundo.

Desde o pioneirismo de Royce Gracie (vencedor das edições 1, 2 e 4) e a posterior venda, anos depois, da marca por Rorion – criador do evento – para Dana White e os irmãos Fertitta, o Ultimate e o clã de lutadores mantêm relação que alterna cortesias casuais e alfinetadas esporádicas.

Sem tantos integrantes de renome nas artes marciais mistas entre os da nova geração, os Gracies vez por outra criticam o formato pasteurizado que o esporte tomou nos últimos anos.

White ja contragolpeou no passado falando que os integrantes da família são ultrapassados e pouco abertos às novidades.

E por aí vai. Nada que vá mudar o mundo.

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Mesmo nas costas, o decampeão mundial de JJ não finalizou

A ideia de que “Rojão” acabou demitido de forma proposital ou em represália por algum tipo de rusga antiga é sedutora e fácil de comprar, mas não sei se a polêmica faz algum sentido .

A luta contra Kennedy era a última do contrato que mantinha com a Zuffa/Strikeforce.

O erro cabal de Roger – meio-pesado por natureza – talvez tenha sido insistir em competir entre os médios logo no desafio em que seu futuro estaria condicionado à performance.

Era um compromisso de risco.

O fato de querer aproveitar a envergadura avantajada e os 1,93m de altura como “handicaps” para atuar na divisão até 84kg – sem estar plenamente habituado – abriu brechas para ‘erros logísticos’.

Visivelmente debilitado pelo corte de peso brutal, a consequente atuação pobre tanto física quanto tecnicamente não convenceu quem deveria ser convencido.

Aliado a isso, a política atual da marca em enxugar um elenco muito inchado também pesou contra.

E o contrato não foi renovado.

Roger registrou quatro vitórias e uma derrota no Strikeforce.

Na fila de triunfos, três aconteceram como esperado: por finalização. O único revés veio para King Mo Lawal.

Seu nome e sobrenome certamente interessam organizações como Bellator e World Series Of Fighting, onde deve fazer novo pit-stop antes de galgar lugar entre a cereja do bolo.

No mundo megalomaníaco e frenético atual do UFC – onde a lei do custo-benefício impera- , contra fatos não há (muitos) argumentos. Mesmo para um Gracie.

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