José Aldo e as (pequenas) agruras dos contratempos

Fernando Cappelli | 05/08/2013 às 22:11
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Zumbi apertando o pescoço do campeão. Notem o pé direito inchado

De alguma maneira, a vitória por nocaute de José Aldo sobre o Zumbi Coreano não foi exatamente o que as pessoas esperavam no UFC 163.

Para os mais extremistas – ou ansiosos -, a atuação do campeão peso pena no Rio de Janeiro esteve distante de atestar a condição de fenomenal – geralmente associada às performances do manauara.

Na vida de campeão, há momentos em que a “porralouquice” tem de dar lugar à cautela.

Desta vez, o monstrinho do imponderável forçou Aldo capitalizar a performance de forma mais segura e paciente.

Foi preciso ignorar o oba-oba do público e lidar com um problemão logo de cara: o pé direito quebrado no primeiro chute baixo que desferiu e acertou em cheio o joelho do adversário.

Além de tolir uma das principais bases de ataque, a lesão também prejudicou a movimentação e o senso de confiança.

A quinta defesa de cinturão ganhava suor frio e tons de dramaticidade com o passar dos minutos.

Com apelido emblemático e fama de ‘lutador cult’ – que Dana White tanto gosta de promover-, o Zumbi Coreano foi adversário honesto, mesmo um tanto distante de ser totalmente brilhante.

Há 15 meses sem lutar por causa de grave lesão no ombro, suas habilidades se ampliaram com as limitações de Aldo.

Mas a capacidade de o brasileiro modificar a tática foi mais forte e o livrou de qualquer ‘Deus nos acuda’.

O plano B brotou em sua mente de forma instantânea e foi suficiente para mantê-lo dominante com receita baseada em contragolpes, jabs e quedas, ao melhor estilo ‘é o que temos’.

As expectativas sobre o manauara sempre são agigantadas.

No bom sentido, os fãs estão mal acostumados (se é que você me entende) , e se ele não vencer bombasticamente sempre causará certa estranheza e narizes torcidos.

No quarto assalto, Zumbi e Aldo enroscaram os braços em uma troca mais franca de socos.

O ombro do coreano saiu do lugar e a dor abriu caminho para o nocaute técnico. Foi o único lampejo em que o acaso pareceu ter ajudado o brasileiro na noite carioca.

E no momento mais propício.

Mesmo fora do usual, Aldo conseguiu mais uma vez expressar grandeza de campeão. Mesmo em noite em que boa parte das coisas teimavam em tentar o contrário.

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