Afinal, Lyoto foi prejudicado ou não contra Davis?

Fernando Cappelli | 04/08/2013 às 20:05
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Lyoto parece não acreditar na decisão

Não me leve a mal. Mas não foi algo tão absurdo assim a vitória por pontos de Phil Davis sobre Lyoto Machida no coevento principal do UFC 163.

Também não seria se o resultado fosse o inverso.

As circunstâncias ditaram rumos e a decisão favorável ao norte-americano gerou polêmica, mas genericamente traduz novo capítulo para velhos clichês das lutas – além de, mais uma vez, acertar na veia da margem interpretativa.

O resultado sintomático dará muito o que falar. Faz parte do folclore das decisões apertadas.

Sem ser formidável, Phil Davis teve de lidar com as limitações e ângulos mais restritos típicos de combates entre destros e canhotos (e vice-versa).

Vulgarmente, proporcionou a Lyoto Machida o que Machida costumeiramente proporciona. Como um satélite, girou e girou na órbita do “Dragão”.

Cutucou e marcou distância com chutes na perna direita, evitou a troca franca com a maior envergadura e apostou em pontuar com quedas nos minutos finais das três parciais.

A olho nu, não foi assim tão substancioso. Mais esperto, talvez.

Machida começou mais incisivo do que de costume. Dominou o centro do octógono e fez o adversário recuar algumas vezes com golpes mais fortes.

Com a eficácia tradicional dos contra-ataques um tanto dormente, deixou passar em branco boas oportunidades para conectar os pesados diretos de esquerda de encontro – nas diversas vezes em que o adversário chutou com a guarda aberta.

Mesmo assim, parecia levar vantagem no aproveitamento de ataques.

A olho nu, (também) não foi assim tão substancioso. Mais contido, talvez.

Aí, a batalha do convincente ficou nas mãos dos juízes. É como no futebol, quando a bola bate na trave e na linha do gol.

Mais para dentro, mais para fora, ninguém sabe qual vai ser a reação de quem tem de reagir na hora. Deu no que deu.

Não sou nada contra, gosto muito de ver lutadores estratégicos em ação. Lyoto é um cara polido, formidável e exemplo de conduta como atleta.

Mas também é 10º dan na arte da margem interpretativa. Aí nem sempre a corda estoura para o lado que se espera.

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