Pensando alto: a análise informal do UFC 163

Renato Rebelo | 04/08/2013 às 06:25

Com comparecimento médio da torcida carioca, o desfigurado UFC 163 foi pra conta. Sem muitas delongas, vamos à minha confusa leitura do que rolou na HSBC Arena:

 

ALDOJosé Aldo x Zumbi Coreano

Dizem que anjos da guarda de grandes homens trabalham dobrado. Pois bem. Além de lutar três rounds com o pé quebrado, o nocaute achado por Aldo foi pura obra do acaso. O enroscar do braço que tentava um direto com outro que cruzava mandou o ombro do desafiante pras cucuias. Na sequência, Aldo farejou sangue e decapitou o morto-vivo. É verdade que o manauara abocanhava três rounds, mas o valente coreano acabou saindo estilisticamente mais complexo que Frankie Edgar, Chad Mendes, Kenny Florian e Urijah Faber. Os golpes abertos, a frieza analítica e o gás inesgotável prometiam colocar o rei dos penas em encruzilhada inédita nos últimos 10 minutos. Gostaria de ver essa história sendo passada a limpo, por isso, torço pra que haja um reencontro mais a frente.

Tem algumas pessoas na minha frente. Vou ter que vencer mais algumas antes de pedir revanche – disse o desafiante de tipoia.

DAVISPhil Davis x Lyoto Machida

Wrestling, definitivamente, não é a kriptonita do carateca. Mais rápido e técnico que “Mr. Wonderful” nesse setor, não há no peso. E o especialista em grego-romana conseguiu desequilibrar “O Dragão” apenas duas vezes em 15 minutos. Com isso dito, dentro do possível, Davis teve atuação cerebral. Usou braços e pernas longas para manter o rival à distância e engajou de forma moderada – evitando contra-ataques. Mesmo assim, no apagar das luzes, Lyoto acertou mais golpes significantes (27 a 21). E aí, o que vale mais: bordoadas moderadas ou quedas marotas ladras de rounds? Na minha conta, 2 a 1 pro brasileiro – mas também não estou enojado protestando contra a pior decisão da história. Nada contundente aterrissou – e, como sabemos, deixar a subjetividade dos árbitro decidir é rolar os dados. “Title shot” agora só entre só médios.

Estou chocado. Só posso dizer que não concordo com esse resultado. Estou muito infeliz com as regras do MMA. Se o UFC deixar, quero uma revanche com o Phil Davis – disse Lyoto ao repórter Ariel Helwani.

 

MUTANTECezar Mutante x Thiago Marreta

Cezar não carrega apelido tão impactante à toa. Seu vigor físico o tira, há anos, da manada. Agora, assessorado por kickboxers cabulosos, campeões mundiais de jiu-jítsu e o “Jovem Dinossauro”, veremos até onde a mão invisível o leva. Infelizmente, o mal casado monólogo de hoje não diz muito. Marreta, valente paraquedista do exército, matou o abacaxi aos 45 do segundo tempo e entrou rápido pelo cano. Fica a pergunta: até que ponto casamentos de última hora agregam valor?

 

THALESThales Leites x Tom Watson

Há sete anos, “Kong” deixava a pacata Manchester para tomar lições de jiu-jítsu no Rio de Janeiro. Quisera o destino que o inglês reencontrasse, no meio de uma jaula de aço, um dos caras que o afiou na época. No chão, o domínio do professor por 15 minutos certamente não surpreendeu. Agora, a forma como Thales se portou após dois anos de geladeira me chocou. O tempo costuma ser cruel no MMA. Enquanto Thales visitava seguidamente o açougueiro, o ex-jogador da base do Liverpool mantinha o motor ligado. A falta de ferrugem se chama trabalho, amigos. Meses e meses de psicopatia ininterrupta na Upper – local que precisa ser revisitado por Watson.

 

* Como ainda estava entrevistando vencedores do card preliminar, não pude acompanhar John Lineker x José Maria “Sem Chance”. Promete assistir a luta neste domingo e, assim que der, atualizo o post.

Abraços.

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