Aldo nos livrará do trauma depois do tombo?

Fernando Cappelli | 30/07/2013 às 22:14
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Weidman nocauteando Anderson Silva

O Brasil volta a ser o centro do universo no octógono do UFC pela primeira vez após o estado de choque massivo causado por Anderson Silva e a derrota indigesta para Chris Weidman na famigerada edição 162.

Sábado, no Rio de Janeiro, José Aldo Júnior defenderá o cinturão dos penas contra Chan Sung Jung, o Zumbi Coreano, e todos saberão até que ponto sequelas e sequelados ainda surtem efeito com o público brasileiro – sobretudo o ocasional – que endeusa vitórias e coloca em xeque a credibilidade em qualquer derrota com a mesma velocidade.

Agora dentro de casa, a nova prova de fogo será providencial em muitos sentidos.

Igualmente importante, mas bem menos megalomaníaca que a do “Spider”, a postura técnica, tática e psicológica de Aldo não deve render outro capítulo indevido de teorias da conspiração no caso de o Brasil perder mais um cinturão no Ultimate.

O estilo explosivo característico do manauara alcançou a maioridade no último combate, contra o ex-campeão peso leve Frank Edgar, no UFC 156.

Aldo controlou o combate com jabs, timing metódico e contundência na medida certa.

Levou alguns sustos com o volume de golpes e o ‘padrão maquininha’ sempre presente no competente adversário, mas construiu a vitória sabiamente.

Particularmente, ainda acho que um striker por excelência representaria perigo real e mais imediato para a soberania do detentor do título, já acostumado a desbancar grapplers teimosos.

Botava fé que o padrão repleto de jogadas de efeito de Anthony Pettis (adversário original do brasileiro na empreitada) traria aquele ‘algo a mais’ necessário para desbancar favoritismos veementes.

Mas ao contrário da maioria de lutadores asiáticos, o Zumbi é menos pragmático e bem mais espalhafatoso. Triângulos, joelhadas voadoras, chaves de braço, torções de coluna e cotoveladas letais são as marcas registradas mais intensas.

Ele coloca um jalapeño na tigela de arroz sem graça de seus camaradas, se é que você me entende. Ele pode não ser o cara mais carismático do mundo, mas traz elementos que podem favorecer um choque estilístico interessante.

Charles Bukowski uma vez disse:

Estilo é a resposta para tudo, é forma nova de abordar coisas maçantes. Fazer algo perigoso com estilo tem de ser sempre chamado de arte.

Que fique subentendido.

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