Campeões conservadores e uma nova rodada de vaias

Renato Rebelo | 23/07/2013 às 20:55

Dana White costuma dizer que, quanto mais corpos estendidos no chão você deixar, maior será a recompensa.

Mas como explicar o fato de que o campeão mais bem pago da turma não faz vítimas fatais desde janeiro de 2009?

Bom, é claro que há muitas variáveis nessa equação.

Obviamente, a capacidade de impor seu jogo é a primeira delas.

Além disso, GSP é carismático, tem boa aparência, conduta irrepreensível e carrega nas costas um dos maiores mercados do mundo (o canadense).

Ou seja, a demanda pelo cara é alta – apesar do estilo conservador.

No entanto, críticos surgem a torto e direito:

Pra mim o maior problema do esporte são os caras que jogam de forma segura. Você quer valer mais? Vá lá e lute. Se divirta. Nocauteie as pessoas, finalize-as. Não me importa como, mas tente terminar a luta. Esse é um dos motivos pelo qual me aposentei. Para continuar, teria que passar a lutar com segurança e não quero chatear as pessoas – disse Chuck Liddell essa semana ao programa “Inside MMA”.

Mais ao sul, temos outro detentor de cinturão que, ao contrário de GSP, é vesgo, cabeludo, não conta com um país inteiro na retaguarda e nem lança frases de efeito como “não estou impressionado com sua performance” e “cale a boca seu tolo desrespeitoso”.

Mas também vem decidindo sem a interrupção dos oficiais.

Não sou fã do estilo dele (Ben Henderson). Eu nem tentaria fazer algo assim. Ele apenas manipula as regras do jogo para manter o título. Se você é o melhor, como o Anderson Silva, você finalize caras tops de forma impressionante e não tenta se manter por cima para ganhar rounds. É isso que eu respeito e é assim que eu quero ser – lançou anteontem Anthony Pettis ao MMA Junkie.

Considerando que até o periculoso José Aldo foi questionado no passado por uma série de decisões unânimes, haveria alguma correlação entre a conquista do título e a adoção de uma postura mais resguardada?

Anderson Silva foi um que sentiu na pele recentemente o quão doloroso é ser destronado:

A ficha só caiu quando ergueram o braço do Weidman. Eu vi e pensei: ‘Caramba, eu decepcionei o Brasil e a minha equipe. Não acredito que fiz isso.’ Depois, por causa do calor do momento, eu dei declarações que não foram legais, dizendo que não ia mais disputar o título – disse o “Spider” ao UOL.

Portanto, não estranhem se, no dia 28 de dezembro, o paulista resolver defender seu legado e os benefícios da nobreza com paciência inédita, guarda fechadinha e semblante firme.

Abraços.

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