Por que cards do UFC ficam tão desfigurados no Brasil?

Renato Rebelo | 19/07/2013 às 05:29

Oito gringos escalados para os três últimos cards do Ultimate na terra descoberta por Pedro Alvares Cabral sequer entraram no avião.

Pro UFC 163 do próximo dia três, então, já foram contabilizados mais feridos do que na batalha de Stalingrado.

Os faltosos da vez – até o fechamento deste artigo- são: Anthony Pettis, Josh Koscheck, Clint Hester, Robert Drysdale e Phil Harris.

Aí, quem curte queimar uma massa cinzenta se pergunta: por que a proporção entre baleados estrangeiros e brasileiros é tão discrepante quando o show é pelas bandas de cá?

Bruxa seletiva ou uma pitadinha de má vontade?

Belfort parece bom para mim! Não no Brasil! – mandou Costa Philippou há poucos dias.

Homem de fé que sou, prefiro acreditar no acaso, mas confesso que minha fértil imaginação cria algumas caraminholas – mais precisamente, quatro:

Viagem longa 
Para pobres almas que precisam enxugar até 10 quilos, voos de 9, 10 ou mais horas – fora aquelas rotineiras complicações aeroportuárias- é de lascar. Chegando aqui, o perrengue persiste em alguns casos. Uma vez, o nutricionista Mike Dolce me disse o seguinte: “Trago em mochilas térmicas tudo que meus atletas vão consumir durante a semana – exceto água. Não encontro tudo que preciso aqui, principalmente em cidades menores (referindo-se a Jaraguá do Sul)”.

Impostos
Não podemos acusar o governo brasileiro de falta de hospitalidade. Os que vem trabalhar por aqui recebem o mesmo enrabamento tratamento que os nativos. Ou seja, 27% do cheque vai pro leão.

Pressão local
Por mais que o “Uh, vai morrer” proveniente do futebol não seja ameaça real, a frase choca povos mais polidos. Também não é suave ter 10, 15 mil pessoas contra você independente de personalidade ou currículo. “Cada coisinha mínima que o Diego (Nunes) fazia dava impressão que o chão tremia” – afirmou Nik Lentz.

Jurados
Revoltado com o resultado da luta contra Rodrigo Damm, em Fortaleza, o japonês Mizuto Hirota mandou: “Quero fazer essa luta novamente, mas, dessa vez, não no Brasil”. Ou seja, o mesmo temor que temos lá, os caras tem cá.

Quero voltar o mais rápido possível. Os cards de Indianápolis e Milwaukee estão cheios. Acho que podia ir para o card de setembro, em Toronto. Tem os do Brasil, mas não sei se seria uma boa lutar lá – por mais que eu ame o Brasil – disse Brendan Schaub essa semana à repórter Karyn Bryant.

Que viagem minha, não? Afinal, cards praguejados tem aos montes mundo afora…

Pelo sim, pelo não, vale fazer uma rezinha pela integridade física – e pela boa vontade- de Phil DavisZumbi Coreano esta noite.

Pois, caso esses piquem mula, teremos em agosto um Jungle by Dana a preços nada módicos.

Abraços.

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