UFC na China e a concorrência asiática a longo prazo

Renato Rebelo | 12/07/2013 às 19:05
UFC-Macau

O UFC já esteve em Macau, região administrativa especial da China

Com o desmoronar do castelo de Anderson Silva no último sábado, mais um cinturão do UFC deixou mãos brasileiras.

No textítculo “Indiretamente, quem ganha e quem perde com o UFC 162”, demonstrei que não sou fã de ufanismo – mas também sei reconhecer importância dos nossos representantes para crescimento do esporte no cenário nacional.

E é por isso que trato logo de alardear que o bagulho ficará, exponencialmente, mais doido a médio-longo prazo.

Ontem, o diretor executivo internacional Mark Fischer anunciou que o Ultimate aterrissará em Cingapura no primeiro trimestre de 2014.

UFC144_poster

Japão foi o outro asiático que recebeu o maior evento do mundo

Mas essa é apenas a ponta do iceberg. A trupe de Dana White finalmente fechou contrato com uma emissora de televisão chinesa, a Liaoning.

No acordo, além de múltiplos eventos no país mais populoso do mundo, está prevista a realização do reality show “The Ultimate Fighter”.

Detalhe: os caras estão em mais de 800 milhões de lares no oriente!

Com os Estados Unidos, Brasil, Canadá, Austrália e Inglaterra no papo, a incursão no mercado asiático torna-se crucial para o domínio do tabuleiro (sim, sou saudosista de “War”).

Ao mesmo tempo que fecham com os vermelhinhos, os Fertitta Bros tentam meter o pé na porta de Índia e Rússia – torrando milhões no processo de conscientização e adaptação a legislações locais.

Se bem-sucedidos, darão “start” naquele velho ciclo capitalista:

Mais público, novos patrocinadores, criação de postos de trabalho, bolsas mais atraentes, crescimento no número de eventos…

Outra consequência natural será o “upgrade” no banco de talentos da empresa.

A penetração em novos rincões estimula a garotada a treinar e/ou migrar de outras modalidades.

Peguemos o exemplo do jiu-jítsu – esporte ainda amplamente dominado por brasileiros.

Em 18 anos de campeonatos mundiais, apenas dois gringos fora de série sagraram-se campeões na faixa-preta (BJ Penn e Rafael Lovato).

Com a difusão da arte suave nos últimos anos – e a migração da competição para a Califórnia– a base da pirâmide explana que esse panorama não será eterno.

Na última edição tivemos, entre os medalhistas de ouro nas nove categorias de peso das faixas branca, azul e roxa, o quadro abaixo:

                           Branca   Azul     Roxa

Brasileiros         3              3            4

Gringos              6             6            5

 

De olho no futuro, Dana ainda cogita a implementação do peso-palha (até 52kg) para acomodar porradeiros chineses, mexicanos, tailandeses, coreanos, filipinos, indonésios…

Vale lembrar que nossos dois últimos monarcas de pé (José Aldo e Renan Barão) estão contidos exatamente nesse grupo de levinhos que mercados emergentes prometem lotar.

Americanos com seis cinturões, olhos puxados na espreita… Será que as novas safras continuarão projetando o Brasil nas artes marciais?

Abraços.

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