Weidman, a grande porta de saída para Anderson Silva

Renato Rebelo | 07/07/2013 às 21:52
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Weidman com o novo brinquedo

Rapaziada, primeiramente, peço desculpas por não ter lançado meu habitual “Pensando Alto”.

A patroa completou 27 anos e precisei dar um suporte na festinha.

Em um ponto, tive o bizarro desejo de ser estrábico – para manter um olho na televisão e outro no “cooler” de cerveja (minha missão era mantê-lo abastecido, além de recepcionar as pessoas).

Prometo que os outros lutadores do card serão lembrados no “Atacando de Joe Silva” de amanhã, mas hoje preciso focar no “main event” do UFC 162.

Pois bem.

Em 2010, surgiu todo aquele papo brabo sobre a aposentadoria de Anderson Silva.

Sei que já estamos calvos de saber que não se escreve o que o “Spider” diz, mas por que um assunto tão aleatório surgiria do nada?

Como já estava inserido no meio, fiquei intrigado.

No final daquele ano, antes mesmo da luta contra Vitor Belfort ser casada, bati um papo informal com uma pessoa muito próxima ao então campeão dos médios.

E o que escutei foi, sem tirar nem pôr, isso:

Ele sai na mão desde 13 anos de idade. O Cara tá com 36, quase quarenta lutas só de MMA nas costas… Ele tem cinco filhos e mal os vê. Ele já fez o pé de meia e vai sair dessa muito antes do que as pessoas imaginam.

Eu, cético por natureza, me mantive na defensiva em todas suas lutas seguintes.

Enquanto seu favoritismo explodia em bolsas de apostas, acreditava que a tênue linha que o separava da fila do INSS poderia se romper a qualquer momento.

Assim como a bola pune, o MMA também não é o esporte mais indicado pra quem está “meio-grávido” – por mais que suas habilidades escorram pelos poros.

Dana White ainda adicionou um ponto interessante à minha linha de raciocínio:

Vai chegar um dia em que o Anderson Silva vai aparentar ter 38 anos de idade dentro na jaula. Será que vai ser sábado, contra o Weidman?

Minha desconfiança nunca esteve tão aflorada, mas, confesso, amarelei.

Fiz algo que prometo a vocês nunca mais repetir, doa a quem doer.

Semana passada, pedi o palpite do Vinicius. Ele apostou no Anderson.

Respondi: “Beleza, faz um textinho dizendo seus motivos enquanto eu escrevo um contraponto ”.

As palavras do meu camarada chegaram por e-mail logo em seguida.

Revisei, adicionei alguns fatos e pontos de vistas a favor campeão e publiquei na quinta-feira o “Anderson Silva e a manutenção do cinturão”.

O artigo foi o segundo mais visto e compartilhado em um ano de Sexto Round.

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O cruzadão de derrubou o mito

Vi a voz que me assombra internamente descendo pelo ralo ao carregar o arquivo de Word com argumentos pró-Weidman para a lixeira.

Negligenciei um óbvio tripé:

1- O maldito relógio – salientado por White
2- As chagas de tantos anos em turnê
3- Todo poder de fogo e talento de um wrestler All-American de jiu-jítsu fino e punhos perigosos.

E a combinação dos itens 2 e 3 foi fatal.

Anderson ainda driblou Chronos (Deus do tempo) ao se movimentar em velocidade semelhante a de um garotão de 29 anos.

Mas, todo aquele deboche exagerado e desproposital – travestido de boa intenção (entrar na cabeça de Weidman para que ele se exponha e, então, contragolpear) foi, pra mim, uma grandessíssima porta de saída.

Não que o Anderson quisesse ser nocauteado, mas tamanha irresponsabilidade é típica de quem não tem muito a perder.

Não quero revanche. O Chris agora é o campeão. Meu tempo de brigar pelo cinturão acabou – disse o Aranha a Joe Rogan ainda no octógono.

A reação blasé engrossa ainda mais o coro.

Nenhum tipo de justificativa ou remorso e até a exaltação exagerada ao rival decretavam: uma tonelada havia deixado suas costas.

Eu não acreditaria em um milhão de anos que Anderson perderia a luta, mas acredito que ele está feliz por tirar a imensa pressão de seus ombros. A guarda baixa é o que Silva tem usado muitas vezes para frustrar seus oponentes e usar como isca para um nocaute. Ele falhou desta vez. Mesmo Anderson Silva não pode ficar sempre com suas mãos para baixo – analisou o ex-lutador / comentarista Kenny Florian.

Me atrevo a dizer que o final teria sido o mesmo se na jaula estivesse Ronaldo Jacaré, Vitor Belfort e até (pasmem!) um Michael Bisping da vida.

Mas, claro, esse é um grande SE. Repito: se minha avó fosse homem, não teria nascido.

A real é que a bola foi cruzada por Carlos Alberto Torres, resvalou no zagueiro e ficou pingando na marca do pênalti.

Pra que? Ali não pode brincar, é matar ou morrer! – Wanderlei Silva

Weidman teve a competência que outros não tiveram (leia-se Sonnen, Bonnar, Okami, Thales, Griffin, Demian…), com um cruzado lindo que deveria estar ao lado da palavra em um dicionário ilustrado.

Me lembrei do baixinho Romário, o “Rei da Pequena Área”.

Seus gols (a grosso modo, claro) não eram os mais complexos, mas quem estava sempre no lugar certo e na hora certa pra balançar a rede?

Que droga – esbravejou Jon Jones no Twitter.

Weidman é de verdade, mas, ontem, seu grande mérito foi não sucumbir ao nervosismo e ter mantido a compostura para empalar o dragão invisível.

Estou faminto, cara. Quero voltar o mais rápido possível por que acho que não mostrei o meu melhor hoje – confessou o aluno de Matt Serra.

Com as superlutas mortas – uma vez que o ex-campeão era o elo de ligação entre GSP e Jon Jones-, so resta a ele abraçar concursos de pouca relevância (leia-se Cung Lee, Rich Franklin, Nick Diaz, Roy Jones Jr.,etc) ou botar a cabeça no lugar em troca de um último checão.

Ele diz que não, mas como não se escreve o que ele diz…

Garanto a vocês que não há nada que ele queira mais do que uma revanche com o Chris Weidman – disse o presidente do UFC ao repórter Ariel Helwani.

A dura realidade é que o matador morreu – e não foi ontem.

A morte, no entanto, poderia ter sido durante o sono, como um passarinho, mas não, por imprudência, atravessou uma via movimentada fora da faixa de pedestre e foi atropelado.

Quem sabe o sentimento de perda não o faz voltar mais forte? Do contrário, é melhor se dedicar integralmente ao recém-inaugurado Muay Thai College e à família.

Abraços.

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