Dana White se rendendo ao socialismo no UFC?

Renato Rebelo | 03/07/2013 às 09:46

John Cholish pingou um pouquinho em maio, Tim Kennedy adicionou outra colherada no final de junho e o caldo entornou.

Depois de anos sendo questionado sobre a divisão de lucros com lutadores de castas inferiores, Dana White se enfezou e propôs uma solução:

Vocês não gostam da nossa estrutura? Tudo bem, vamos pagar aos caras de nível baixo mais dinheiro, mas acabarei com os bônus… Acabar com os bônus, é isso que estou pensando em fazer.

Quando o presidente do UFC fala em bônus, ele não se refere apenas aos 50 mil dólares pagos pela finalização, nocaute e luta da noite.

A real é que, se você performar no maior evento do mundo, dificilmente voltará pra casa apenas com o que foi combinado no papel:

Achei que pela primeira vez eu ia receber somente o que assinei no contrato com UFC nessa última luta e mais uma vez fui surpreendido por um cheque de bônus de boa luta nessa semana em casa. O que posso falar dessa empresa? Obrigado, Dana White, irmãos Fertitta e Joe Silva – disse Fábio Maldonado após bater Roger Hollett.

No UFC 104, por exemplo, Maurício Shogun não deixou o vestiário tão desolado após a duvidosa derrota para Lyoto Machida.

dana-white-money cópia

Bônus com os dias contados?

O careca, que havia dado a vitória para o curitibano no Twitter, desembolsou 200 milhas extras para consolá-lo.

E os casos pipocam em praticamente todas as edições do Ultimate.

Acho que ninguém em sã consciência é contra esse sistema baseado na meritocracia – mesmo que seja para dar uma mãozinha aos que cortam um dobrado no início da caminhada, certo?

Então, a grana precisa sair de outro canto.

Acontece que, ao contrário da maioria das ligas esportivas, os caras bancam toda a transmissão e produção de cada show.

Como podem imaginar, os custos desse circo são estratosféricos.

É como se a própria CBF tivesse que botar os jogos da Seleção Brasileira na sua televisão – e não a Rede Globo ou a Band, por exemplo.

Mas, também, não sejamos ingênuos. É claro que Dana e os Fertitta Bros faturam alto.

E eles não diminuirão a própria margem de lucro para agradar lutadores inconstantes e/ou iniciantes.

Afinal, os caboclos transformaram uma prática marginalizada num império de 2 bi – e merecem essa colheita abençoada.

Então, amigos, para que o salário-base não seja mais seis mil / seis mil, bônus irão pro cacete.

Mal comparando, temos o recente caso das tarifas de ônibus em São Paulo.

O governo foi obrigado a fazer um reajuste inflacionário para equilibrar as contas.

O povo, puto pela combinação aumento + serviço ruim, foi às ruas e deu início a toda essa onda de protestos.

Acontece que não existe tal coisa chamada “passe livre”. Tudo na vida tem um custo.

Para que o preço do transporte seja acessível, o que será feito?

A) Políticos cortarão seus próprios salários e benefícios para atender a população
B) Monopólios das empresas de ônibus que bancam campanhas políticas serão quebrados e a livre concorrência baixará os preços naturalmente
C) Aumentarão outros impostos de forma furtiva (Alô, IPVA! Alô gasolina!) e o povo que pagava como consumidor passará a pagar o mesmo ou ainda mais como contribuinte
D) Tirarão tudo de outro setor (saúde, por exemplo)

Se você respondeu A ou B, volto a apelar: larguemos a chupeta das utopias em favor da bigorna da realidade.

Então, na ponta do lápis, qual é a solução?

Manter o sistema que beneficia os que rendem mais ou socializar bruscamente os ganhos?

Se o mecanismo de incentivo for alterado, haveria uma perda técnica e/ou ainda mais insatisfação?

Não importa quantas vezes você venceu e nem quem você venceu. Tudo que importa é: você bota bundas nos assentos? – disse o poeta Jon Fitch.

Vale a reflexão.

Obs: Dana White com Karl Marx na camisa é uma –grosseira- montagem, ok?

Abraços.

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