Flashback: Quando Overeem
decidiu virar peso-pesado

Fernando Henriques | 26/05/2016 às 18:46

A maioria dos lutadores, quando em má fase ou necessitados de uma nova guinada na carreira, buscam cortar peso e descer de categoria para respirar novos ares.

A ideia comum que os norteia é que, no peso de baixo, terão maior vantagem física, uma vez que estão acostumados a enfrentar caras maiores e – é o que pensam, pelo menos – acabarão por lutar mais pesados que a maioria.

Mas nem sempre é uma decisão acertada, pois nem sempre acontece como se espera – Cézar Mutante que o diga.

Temos o exemplo recente de Thiago “Pitbull”, que depois de lutar toda carreira no meio-médio (77kg), fará sua próxima luta entre os leves (até 70kg).

Torço meu nariz para essa decisão do brasileiro, uma vez que Thiago nunca foi um meio-médio levinho (pelo contrário, em lutas marcantes como contra Matt Hughes ele sequer bateu 77kg). Mas existem outros casos de notório sucesso, como o de Demian Maia.

Demian, que quase não cortava peso para lutar até 84kg (no ADCC lutava até 88kg; Hughes, ex-campeão do UFC, lutou no ADCC na categoria até 99kg), mudou para o peso de baixo e viu seu grappling encontrar menos resistência física.

Na contramão destes que buscam descer de categoria, temos algumas boas exceções, lutadores que se viram fracos no peso em que estavam e decidiram acrescer peso para alçar voos no peso de cima.

Overeem no Pride

Overeem no Pride…

Os brasileiros Thiago “Marreta” e John Lineker e o americano Dustin Poirier são exemplos recentes desta mudança em mão contrária, com ótimas resultados. Mas o caso mais notório e mais antigo realmente é do holandês Alistair Overeem.

Não há quem tenha obtido mais sucesso numa guinada tão brusca na carreira do que Overeem. A começar pelo fato de ter subido para o peso-pesado, a categoria com maior margem de peso.

Do peso-pena para o peso-leve, temos uma diferença de quatro quilos. Do meio-médio ao médio, sete. Mas do meio-pesado ao peso-pesado, a margem de diferença vai de 10 a 20kg em média. Não é pouca coisa.

Por isto mesmo que a escolha de Overeem é incomum – outro caso de lutador que alternava do pesado ao meio-pesado era Randy Couture, mas o americano lutava em ambos os pesos com praticamente o mesmo porte, cortando peso no meio-pesado e não cortando no pesado apenas.

Diferente de Couture, Overeem comprou passagem apenas de ida para o peso-pesado. E para se adequar a categoria de cima, fez um trabalho de evolução física impressionante, cujo idoneidade não é defendida por ninguém.

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Estreia no UFC

Impossível acreditar que alguém possa adquirir tamanha evolução física no espaço de um/dois anos sem usar nenhuma substância anabólica. Ainda assim, foi um trabalho e tanto. Que rendeu frutos.

Antes de ir de vez para o peso-pesado, o irmão mais novo de Valentijn Overrem já havia tido duas experiências no peso: nocauteou o duro Sergei Kharitonov no Pride 31 e foi finalizado por Fabrício Werdum na primeira fase do GP Absoluto do Pride – que teve como vencedor, posteriormente, Mirko “Cro Cop”.

Ambas as lutas foram em 2006 e à época Overeem era “apenas” um meio-pesado lutando entre os pesados, com uma “carcaça” de meio-pesado um pouco mais “inflada”.

Como é alto (1,95m), Overeem ficava bem magro com 93kg. Seu porte, portanto, permitia sim adição de massa muscular, mas ninguém esperava o que viria.

Versus Shogun

Voltando: luta com Shogun

Entre julho de 2006 e fevereiro de 2007 o holandês viveu seu pior momento, acumulando derrotas acachapantes para Rogério “Minotouro”, Ricardo Arona e Maurício “Shogun”. Foi o estopim para abandonar o meio-pesado, categoria que oferecia, sem dúvida, concorrência maior.

Mais uma vez, não era esperado por quase ninguém, acredito, que o sucesso alcançado por ele seria tamanho.

Repito: Overeem era um lutador mediano no Pride. Venceu sim um peso-pesado duro, mas seu cartel quase igualado entre derrotas e vitórias (8-7) revela mais sobre ele.

Falando em gestão de carreira, portanto, é fácil apontar a decisão de Overeem como acertada. De meio-pesado mediano, uma promessa nunca concretizada (quase um Erick Silva holandês), passou a top 5 do peso-pesado no mundo. Uau!

Mas a jornada não começou bem. Em uma revanche contra o russo Kharitonov, no K-1 Hero’s, foi ele o nocauteado.

Estávamos em 2007 e seu cartel no peso-pesado era de 1-2. Mas ele não desistiu, e não parou de crescer até estourar o limite de 120kg da categoria.

Trinca de títulos (K-1, Dream e Strikeforce)

Trinca de títulos (K-1, Dream e Strikeforce)

Sua luta seguinte foi contra o ex-desafiante do UFC Paul Buentello, valendo o título peso-pesado do Strikeforce. Overeem venceu e começou a fazer história.

Longe de um contrato que o amarrasse (como é o caso do atual com o UFC), o novo gigante lutava MMA, submission e K-1. Acumulando títulos.

No K-1, lutou duas vezes o World Grand Prix, em 2009 e 2010, caindo na semi na primeira vez e sagrando-se campeão na última.

Um feito e tanto para que não fazia só isso da vida. Nomes históricos da organização, como Peter Aerts e Remy Bonjasky, e outros talentosos como Tyrone Spong e Badr Hari, viraram número em seu cartel.

Foi no K-1 que o vimos em sua forma física mais assustadora. Era músculo sobre músculo.

Overeem também foi campeão do Dream, organização que tentou assumir o protagonismo no MMA no Japão após a queda do Pride e até conseguiu, por certo tempo.

No mesmo ano em que entrou para a história no K-1, o holandês conquistou seu terceiro importante título como pesa-pesado, contra Todd Duffee no K-1 Dynamite 2010, evento de fim de ano da FEG (que organização K-1 e Dream).

E foi assim que ele chegou ao UFC, com a cintura recheada e o status de melhor peso-pesado fora o UFC.

O choque de realidade, porém, foi inevitável.

Na estreia contra Brock Lesnar, tudo certo. Uma ponteira certeira na linha de cintura baleada do ex-campeão certificou a chegada do bicho-papão.

Derrota pra Rothwell: o início da repaginação

Derrota pra Rothwell: o início da repaginação

Mas logo na luta seguinte, a invencibilidade de 11 lutas foi para o espaço em combate épico contra Antônio “Pezão” (não o espectro que vemos hoje, o verdadeiro). Na sequência, novo revés, novamente de virada, contra Travis Browne.

A breve estadia no UFC havia revelado fraquezas antigas do lutador, não expostas desde a chegada ao novo peso. O mundo lembrou que ele não apanhava tão bem quanto batia e mesmo a vitória chocha sobre o decadente Frank Mir não foi capaz de aplacar esse discurso.

Ainda mais depois do nocaute que lhe impôs Ben Rothwell, seu compromisso posterior. Seu queixo não tão resistente dava as caras novamente.

À época (2014), pensamos que Overeem já era (confessa vai, você pensou). Que o sonho de ser campeão de mais uma grande organização tornara-se impossível (para quem ainda insiste em ser imediatista quando se trata de MMA, eu rogo que pare).

Overeem pode também fazer história no UFC

Ele pode, também, fazer história no UFC…

Mas nada que uma sequência de quatro vitórias sobre lutadores do top 10 (menos o Struve), com boas atuações, não apague.

Hoje, depois de quatro anos no UFC, ele enfim é o desafiante número 1. Com potencial real de se tornar campeão.

Como enfrenta o campeão Stipe Miocic no UFC 203, é factível cogitar que ainda este ano ele pode ser tornar campeão peso-pesado do UFC.

E se isto for consumado, será o maior peso-pesado em títulos da história.

O mesmo cara que perdeu para Rogério Minotouro (2x vezes), Maurício “Shogun” (dois estupros) e Ricardo Arona (pediu para sair) no Pride. Coisas do esporte.

Nota de rodapé: É digno de nota o trabalho realizado pela dupla Greg Jackson e Mike Winklejon com o holandês. Eles literalmente o ensinaram a esconder melhor seu queixo frágil, a ser mais estratégico e moderado ao atacar e defender. Quase um outro lutador, que mesmo experiente, submeteu-se a aprender.

  • Leonardo Neves

    FHC, você é o cara! Sensa!!

  • Paulo de Tarso Lins

    Me tirem a dúvida por favor, Overeem era da turma do TRT? Se for, além de todos os feitos ainda é o caso de maior sucesso pós-TRT; mas enfim quando estava perdendo e sendo nocauteado por lutadores menos gabaritados, a sensação era sempre essa de que ele era melhor, mas o gás e o queixo já não eram os mesmos da juventude, então com certeza o fato de ele se submeter a aprender um novo estilo é realmente surpreendente.

    • Leandro Mendes

      sim ele era do TRT, mas ao contrario do pezao ele n precisava, no auge da forma dele acho q ate cortava peso p bater 120, sendo q tava seco na pesagem e no dia da luta retido de novo

      • Paulo de Tarso Lins

        É aí fica a discussão, se ele precisava e conseguiu seguir lutando sem é um fenômeno, OU realmente não precisava.

  • Renan Oliveira

    Overeem perdia direto, quando foi pra Jackson’s se tornou outro lutador. Podia pedir revanche com Pezão, Travis e Rothwell pra limpar o cartel. Me surpreendeu ao vencer o Cigano. Tem tudo pra ser campeão.

    • Perdia direto também não… Perdeu umas lutas ou outras, a pior para o Rothwell, até então do segundo escalão da categoria.

      • Renan Oliveira

        Sei, foi modo de falar. Não digo que ele era ruim, mas não tava tão bom como agora. Hoje ele vence tranquilo esses 3 que mencionei. Pezão é o mais fácil de todos.

        • No caso, mais por demérito do Pezão. É um dos piores casos de descida de ladeira já vistos.

          • Renan Oliveira

            Pezão tá morto. Em 2 anos ele só venceu 1 luta. E perde sempre da mesma forma e no 1º round. Com aquele queixo e sem o TRT não tem chance com quase ninguém.

  • Thiago de Carvalho

    Torcendo pro Overeem ganhar essa luta! (Prefiro ele do que o Cigano rsrs)
    Um bom exemplo de subida de peso e se dar bem é o Anthony Johnson.

    • Renan Oliveira

      Acho que o Johnson tem boas chances de nocautear o Jones

    • Sim, outro ótimo exemplo. Deixou a sofrência para bater 77kg para trás e teve uma vida muito melhor até 93kg.

    • RWillians

      AJ já lutou nos pesos pesados, acredito que se a cinta não chegar nos meio-pesados ele pode retornar para lá;

  • Luiz Guilherme Volpato

    Ótima avaliação! Overrem inclusive não está mais descontando a frustração nos treinos e machucando seus colegas de treino. Vale a pena lembrar que não foi citado, a diminuição de massa muscular que ele sofreu, para ganhar mais gás e resistência!

    • Sim, teve isto, mas não sei ao certo se pelo motivos que citou ou se foi apenas o efeito “USADA”. Optei por deixar de fora para não levantar suspeitas levianas.

  • Hyuriel Constantino

    Tanto ele quanto o Rumble foram ascensões fantásticas de mudança de categoria pra cima.
    É aquele lance: quando o cara descobre o peso ideal no qual lutar, não tem nada que o desencoraje a sair dali. Se fosse outro no lugar de Overeem, com os revezes que teve até emplacar, já teria pensando em descer pros meio-pesados.
    Lamento pelo Miocic. Não tenho nada contra ele, acho ele um cara bacana, mas quero ver o holandês por cima da carne seca só pra ver a história sendo feita. hehe…
    Inclusive, é curioso como o cara, outrora antipático pela sua arrogância e pedantismo característicos, tb pode dar uma virada na própria imagem se tornando carismático a ponto de alguns começarem a torcer por ele (eu fui um dos convertidos. hehe…).

    • Thiago_NCO

      Somos dois, amigo.
      Quero ver o Overeem com a cinta. Seria o ápice de uma das carreiras mais interessantes da história do MMA. Além do mais, ele simplesmente se recusou a fazer parte do exército das viuvinhas do TRT, se reinventou, trabalhou os pontos fracos do seu jogo, tudo isso mais próximo dos 40 que dos 30 anos!

      • Glauco Lopes

        Vcs falaram tudo!!!

    • Silas K

      Lendo seu comentário até seria legal ver Overeem campeão, seria a consolidação dele como um dos maiores pesados da história, mas acho difícil ele esconder o queixo fraco durante 25 mins.contra uma máquina de cardio como o Miocic.

      • Hyuriel Constantino

        Tb acho uma tarefa ingrata, mas todos nós achávamos que Cigano ia fazer ele de gato e sapato. Aí…

        • Overeem tem boas chances. Ele pode fazer outra coisa além de trocar, também. Tem recursos.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Overeem me impressiona bastante, teve uma luta dele no UFC que eu assisti (não lembro contra quem) que ele estava quase estourando de músculo, agora nessa última contra o Arlovski praticamente estava somente atlético e não BODYBUILDER PORRA.

    Eu acho que ele ganha do Miocic, o camp inteiro tem que ser pra defender soco e nao mostrar o queixo embora ele já não faça isso mais, porém realmente os pesados são a minha categoria predileta e Overeem é espetacular.

    Quais lutadores do meio pesado podem fazer essa subida? Latifi, Rumble, Glover ?

    • Dos três citados, acho que apenas Rumble o faria com qualidade. Glover, no Brasil lutou como peso-pesado, mas a concorrência era bem pequena — no Brasil, até Maldonado e Vitor Miranda eram pesos-pesados. Não faria isso no UFC.

      E o Latifi é nanico. Mais fácil lutar de médio.

      Outros dois que lutam fácil no peso-pesado são Jon Jones e Daniel Cormier (sendo que este veio de lá).

      Talvez o St. Preux também, se fizesse trabalho similar ao Overeem.

      • Idonaldo Gomes Assis Filho

        Eu não falei do Jones e do Cormier pois esses acho q já lutaram pelos pesados, falei do Latifi por causa do peso da mão mesmo como Glover e o Rumble também tem, mas de fato tem a questão do tamanho os menores dos pesados são os gordinhos igual o hunt e o jordan de fato kk

  • RWillians

    Falou tudo, menos que suas derrotas vieram após ter sido pego do doping. Acredito seriamente que se tivesse passado por aquele teste, teria literalmente estuprado

    • Não quis focar demais no assunto doping para não desviar a atenção do que queria tratar: a decisão acertada de subir de categoria.

      • RWillians

        Sim, vc foi bem categórico nisso.

  • diego

    calma lá pessoal kkkk acho que o que ele está tendo agora é sorte.
    MAS a sorte privilegia as mentes mais preparadas.

    • Você considera a carreira de uma dos maiores pesados da história como sorte?

      • diego

        não pô, a carreira dele é de top de linha MAS o que acho que ele pegou o title shot foi por causa de vencer o cigano e o arloviski.

  • Marcelo Silveira

    Ótima coluna, parabéns é uma das minhas preferidas do site. Um ponto que eu destacaria é que eu achei que ele tava acabado sim, mas achava que o principal motivo era a proibição do TRT. E incrívelmente ele Ta se dando até melhor no seu shape mais “humano”, enquanto seus praças de TRT estão ladeira abaixo nas suas respectivas divisões.
    Abraço

    • Por isso ignorei o TRT. Ele melhorou depois, oras. Foi mais uma questão de mudança de postura dentro da luta do que de força e explosão, que ganhava com o TRT. Na verdade,são vinculados. Com menos força e explosão, ele tinha que mudar mesmo.

  • Vinicius Maia

    Excelente texto, tava sentindo falta dos seus textos no sextoround FH. Engraçado ver como o Overeen mudou sua estrutura. Minha mulher vendo ele no auge da bomba, na luta contra o Brock Lesnar não reconheceu ele quando o viu contra o Arlovisk que ele tava até com uma barriguinha saliente.
    No texto podemos citar o Frankie Edgar que lutava nos leves e foi pros penas (apesar de na minha opinião ele é muito pequeno para os leves, na realidade eu acho que ele consegue bater o peso galo).
    Abraços.

    • Faltarei menos a partir de agora, Vinicius. Pode deixar.

      Sobre o Edgar, decerto que bate 61kg sim. Ele é menor que a Cyborg, que acabou de bater 63kg.

      Talvez ele cogite isso se perder no UFC 200.

  • StrikingTruth

    Excelente o texto Fernando, parabéns. A trajetória do Overeem é realmente curiosa, apesar de nunca te-lo considerado de fato um grande lutador, pois a guinada em sua carreira ocorreu quando virou um “lab rat” e ganhou 30kg em menos de 2 anos e mesmo assim, amargou derrotas, tanto no k1 como no mma, demonstrando que tamanho e força fisica ñ significam muito sem a técnica e estratégia apropriadas, vindo a encontrar um “equilibrio” apenas recentemente após passar a treinar com o Jackson e aparecer visivelmente menor do que nos ultimos anos. Eu só comecei a leva-lo a sério mesmo após a vitória contra o cigano, onde realmente vi mudança em seu jogo e mesmo vencendo o miocic (q nao sera facil) e se sagrando campeão do evento, ñ creio que segure o cinturão por muito tempo. Só lembrando aí, já que alguns nomes que viraram numeros no cartel foram mencionados, o Badr Hari vingou a derrota, nocauteando Overeem (já bombadao) na final do K1 grand prix em 2009. Só pra fechar, vou fazer uma critica, mas por favor, ñ se ofenda, ñ quero pagar de politicamente correto e o texto está muito bom, mas acho de extremo mau gosto e até ofensivo, associar a dominancia de um lutador que surra seu adversario, que remete a vitoria acachapante no esporte, a palavra “estupro”, que é crime hediondo previsto por lei em vários países, além de ser uma das maiores atrocidades cometidas pelo ser humano. Obrigado e boa tarde a todos.

    • Agradeço os elogios, Fera. E sobre a parte final, crítica ao texto, suspeitei ao escrever que alguém pudesse chiar. Mas, claro, não tiraria o trecho.

      Não acho de “mau gosto”. A palavra forte cumpre seu papel no texto, que é mostrar que foi um “vareio”.

      Chama-se alusão, e é bem comum no MMA até com coisa pior, como atropelamentos e assassinatos (fulano é o assassino do machado, beltrado atropelou o outro, passou o carro; ou mesmo o famoso “anotaram o número da placa?”).

      Não há nada demais nestas referências. Elas não reforçam ou legitimam nenhuma conduta ruim. Somos seres civilizados e sabemos distinguir as coisas, certo?

      Fique tranquilo que jamais vou me ofender com coisa alguma — entre meus amigos mais próximos, rola aposta para ver quem me ofende com palavras e nunca dá certo. Só começo a me incomodar depois de algum contato físico.

      E, sobre você, eu entendo que não quis ser politicamente correto. Mas infelizmente (ou não) o foi.

      • StrikingTruth

        Pois exatamente por ser uma alusão ( ato de aludir, fazer uma menção), que a considero de mau gosto e ofensiva, principalmente para as mulheres que tb leem e acompanham o site. Ser comum tal alusão, so reforça isso, torna corriqueiro algo tão complexo e cruel . Falar de estupro assassinato ou qualquer outro ato hediondo, fazendo alusao a uma performance avassaladora de um atleta em um esporte, que remete a vitoria no caso, é negligenciar os mesmos. Enfim, é apenas uma mera opinião de um humilde leitor assiduo do site, felizmente ( ou não). Obrigado pela atençao.

        • Disponha da minha atenção sempre, papo interessante. Mas sigo em discordância.

          A meu ver, você raciona emotivamente (e nisto está com a maioria dos ocidentais atuais), o que não acho muito bom nesse caso. Se você conseguir me provar factualmente que tal alusão (que nesse caso recebe o enquadramento de “referencia indireta”, e nemhum um outro) faz algum mal, ou seja, gera mais estupros, eu nunca mais uso.

          Porém, já adianto que é missão impossível. É ingenuidade pensar que alguém toma a atitude de cometer tal crime hediondo porque viu sabe Deus onde alguém usar o malfeito em alusão. Não, tal referencia não naturaliza a coisa. Ninguém romperá a barreira civilizatória porque viu isto em meu texto.

          Outra observação que gostaria de fazer diz respeito a entender o tema como exclusivo das mulheres — talvez pelo momento atual. Homens também são estuprados aos montes. Já ouviu falar em presídios?!

          Por fim, lembro que há um quê de liberdade poética que a sua forma de pensar (eu sei que em nenhum momento foi sua intenção) acaba por restringir. Pense que quando Kurt Cobain escreveu e cantou Rape Me, ele não queria ser estuprado por ninguém, apenas evidenciar como se sentia perante algumas convenções sociais. Foi uma alusão, como esta que fiz aqui em outra linha.

          • StrikingTruth

            Não é questão da sua alusão “gerar mais estupros”, isso, não creio mesmo que ela faça. Mas ela de fato ajuda a banalizar algo que ñ deveria ser tao banal, e erroneamente, remete a vitória do atleta que derrotou outro por “estupro” como colocado por vc. Ñ incentiva o ato em sim, mas que o banaliza de maneira cotidiana, isso, sem duvida. Pode ser ingenuidade, raciocínio emotivo ou até liberdade poética, mas continuo achando de mau gosto a alusão, sendo ela fundamentada ou não, assim como acredito que outros partilhem dessa opinião. Creio que seja apenas questão de perspectiva. Novamente obrigado, e boa noite.

          • Sim, com certeza muita gente concorda você. Talvez a maioria dos leitores do site.

            Mas… Meus argumentos estão aí, de repente alguém acaba concordando comigo e, amanhã ou depois, começa a refletir se a expressão “passar o carro” também não banaliza os crimes de trânsito.

            Abração, Velho.

          • alvinho

            Patrulha do Politicamente Correto querendo censurar os outros até aqui! Pelo amor de Deus, voltem pro “Quebrando o tabu”.

          • StrikingTruth

            Alvinho, isso foi apenas uma divergencia de opiniões, expostas de forma muito cordial como bem citou o Fernando. Não houve censura alguma, tampouco a qualidade do texto, q está muito bom, foi questionada. Ainda bem que existe diversidade e liberdade de expressao para debate-la. Acho até graça quando usam o “politicamente correto” no intuito de ofender, afinal, num país onde impera o “jeitinho brasileiro” e onde tudo acaba em pizza, parece que ta na moda e é “super cool” ser politicamente incorreto. Ainda há pessoas que felizmente ñ se calam. Um abraço, e Fernando, novamente obrigado pelo tempo e pela perspectiva, sempre bom debater com alguém que ao menos fundamenta suas opiniões, mesmo havendo discordancia.

          • 😉

            Sobre o PC e o PI, há bibliografia a respeito, mas em linhas gerais explico que o “correto” e o “incorreto” nesse não podem ser abordados pela perspectiva moral, mas sim mais pelo marketing e imagem pública. Tipo pensar em como irá soar algo antes de dizer.

          • alvinho

            É, muito cordial, até conseguirem passar uma lei e usarem a repressão oficial pra calar quem desrespeita o que consideram “politicamente correto”. Estamos de olho.

            Viu, você já incrimina indiretamente quem simplesmente discorda da sua patrulha com “aqueles que se calam” , acusando-os de omissão dolosa – “já que ‘ainda há pessoas que não se calam’, existem aqueles que se calam ante os crimes, justamente os que discordam do nosso politicamente correto”.

            Volte a paparicar as feministas.
            Parei por aqui.

          • StrikingTruth

            como assim cara? Vc sequer compreendeu o que estava sendo discutido? Que lei é essa, totalmente inconstitucional que sera passada? Ñ diga asneiras. Liberdade de expressao esta ai, para todos. Sou contra toda forma de fanatismo, seja moral, politico ou religioso e em momento algum, impus, ou pedi para que qualquer coisa fosse alterada no texto, apenas expressei uma opinião pessoal. Ñ levantei bandeira alguma, tampouco a do feminismo ou sufragismo. Está de olho? Em que rapaz, deveria estar d olho em sua propria vida, se enxerga! E va aprender a interpretar algo, antes de sair pegando frase por frase que foi dita e distorcer seu conteudo. Melhor vc parar mesmo, pq claramente ñ sabe o que diz, e nem da conta de continuar. Tanto que até o Fernando, que argumentava comigo, tomou a liberdade de tentar esclarescer algo pra vc. E vai aprender o significado de incriminar tb moleque, pq parece que Nem isso vc sabe o que é. Analfabeto funcional.

          • alvinho

            FH, que equilíbrio nas respostas, e que texto sobre o Overeem.
            Um dia quero ser assim.
            “Cultura do estupro” é essa patrulha de pensamento hahaha

          • Não é o caso nosso amigo aqui, que foi cordial em sua divergência, mas certamente já se instituiu uma “cultura do patrulhamento” no país.

  • Daniel Holanda

    Grande texto Fernando ! parabéns !

  • Rafael Fiori

    Muito legal a carreira do Alistar. Tem um caso muito bom do Cormier que desceu de categoria para não enfrentar o Cain, e se saiu muito bem. Será que Werdum nunca pensou em perder tecido adiposo e desafiar o cinturão dos meios pesados? O Daniel está aí pra falar que é tranquilo descer de categoria e ganhar vantagem física.

    • Talvez pelo Werdum ser mais alto, tenho uma ossatura que o impossibilite fazer isso.

  • Júnior Soares

    acompanho a muito tempo a carreira do aliatair cess overeem, brilhante texto meu amigo, ele realmente conta a historia que para muitos ele tem queixo de vidro, mais o cigano foi nocauteado com um soco de esquerda dele que e o mais fraco, isso ninguem lembra e o proprio cigano diz nao sei como fui prrder pra esse cara, da ate vontade de rir, no meu ver perdeu para monstros mesmo o shogun e o arona eram monstros, hoje ele ganhou a chance de colocar seu nome no patamar mais alto do mma, o unico lutador a vencer os torneios mais importantes do mundo em mma. parabens overeem agora e terminar com miicic.

  • Malk Suruhito

    Só faltou citar que quando ele foi campeão do K-1, houve um série de eventos alheios a vontade ou ação de Overeem que somente um alinhamento astral poderia explicar (tal qual meu Mengão em ’92 e 2009).

  • Ridelson Medeiros

    – Bonita historia… mas n consigo hatear o Miocic e espero que o mesmo mande o Bombereem pro top 15 rs.

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