Glover Teixeira, a pressa popular e a calma do patrão

Renato Rebelo | 27/06/2013 às 16:14
Maldonado passando um dobrado

Maldonado passando um perrengue

O espancamento de James Te Huna cimentou uma certeza no instinto coletivo do revanchista povo brasileiro: Glover Teixeira é o cara para recuperar o cinturão que já foi nosso.

Quando ataquei de Joe Silva pós-UFC 160, no entanto, precisei manter os pés no chão. Pra mim, naquele momento, Ryan Bader era a melhor opção para o mineiro de Sobrália.

Mesmo alvejado por balas de borracha e rajadas de spray de pimenta, tentei expor minha lógica: Jones, Gustafsson, Phil Davis, Shogun e Lyoto estavam comprometidos, Henderson vem de duas derrotas, Mousassi voltará aos médios, Rogério Minotouro possui os mesmos empresários – o que dificultaria a negociação- e Rashad Evans foi prontamente descartado por Dana White.

Além do mais, noto um cuidado especial do Ultimate com Glovão – levando em conta o gradual processo de maturação proposto pela empresa.

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Apertando a mão de um novo – e ilustre- fã

Vamos combinar que Kyle Kingbury, Fábio Maldonado, um Quinton Jackson travestido de ações da OGX (em queda livre) e Te Huna não são exatamente o crème de la crème até 93kg, né?

Agora, essa constatação é, de forma alguma, um desmerecimento.

Pelo contrário, o aluno tirou nota 10 em todos os testes e assustou CDFs antigos ao reduzir oposição legítima a pilhas de escombros.

Mas volto a bater na tecla da exposição gradual. Dana White é malandro e sabe que tem um produtaço em mãos.

O insumo já chegou maduro, é pupilo de Chuck Liddell, nocauteia e finaliza com a mesma facilidade, vem de 19 vitórias consecutivas, é brasileiro e fala inglês fluente.

Lembram quando Tito Ortiz declarou guerra ao careca faltando uma luta pra seu contrato expirar?

Quem foi escalado para mostrar a porta de saída ao ex-campeão? O invicto e imprevisível Lyoto Machida, ora.

Afinal, evitar que um desafeto se dirija ao concorrente com vitória é tarefa para alguém de confiança.

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Rampage se defendeu como pôde

O desgostoso Rampage também cuspiu meia dúzia de desaforos antes de atravessar a ponte para o Bellator

Entenderam a lógica?

Na sequência, Glover assumirá, pela primeira vez, o papel de estrela principal de um card.

E a moral não para por aí.

Minas Gerais (seu estado) será o palco do UFC on Fox Sports 3, que terá transmissão ao vivo para os Estados Unidos e servirá como prato de entrada para a estreia do aguardado TUF 18 – protagonizado pelas belas Ronda Rousey e Miesha Tate.

Se nenhuma mão furtiva ou revolta anárquica tirar o brasileiro dos trilhos, o duelo contra um dos maios fenômenos da história do MMA é só questão de tempo.

E, considerando o catiço em pauta, qualquer laboratório extra torna-se bem-vindo.

Abraços.

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