O quão real é a ameaça do tinhoso Phil Davis?

Renato Rebelo | 01/08/2013 às 00:01
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Gustafsson batucando para o faixa-roxa de Lloyd Irvin

Em 22 lutas profissionais, Lyoto Machida jamais foi subjugado por um grappler – considerando a guilhota de Jon Jones mais circunstancial do que fruto de planejamento.

Se tratando de “Dragão”, não espanta a ausência de ortodoxia até no agarra-agarra.

É uma estranha base de sumô intercalada com wrestling da New Japan Pro Dojo e jiu-jítsu brasileiro.

Essa gororoba acaba impondo muitas dificuldades àqueles que querem colocá-lo de costas no tablado.

Os dados não mentem. Desde que pisou no UFC, sua taxa de defesa de quedas chega a 83%.

Para base de comparação, Chuck Liddell – famosíssimo por manter o conflito onde lhe interessa- tinha números compatíveis.

Acontece que Lyoto jamais dividiu a jaula com um campeão da NCAA (quatro vezes All-American) cujo cartel no wrestling colegial aponte 116 vitórias.

Minhas credenciais no wrestling são suficientes para derrubar qualquer um que eu quiser e ponto final – disse Phil Davis em entrevista ao Sexto Round.

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Brian Stann passando um perrengue

No MMA, “Mr Wonderful” já botou no bolso uma galerinha da pesada (Minotouro, Gustafsson, Brian Stann, Tim Boetsch…) fazendo uso de sua pujança.

É verdade que a trocação não enche os olhos, mas o fato do cara não portar mãos pesadas acaba gerando uma falsa sensação de segurança.

Ao contrário de Rashad Evans, por exemplo, Davis vai de feijão com arroz do início ao fim (claro, quando o adversário não se chama Vinicius Magalhães).

E por isso é tão difícil de ser batido.

Confesso a vocês que a inspiração para escrever esse textinho sobre a “Ameaça da Pennsylvania” veio da impressionante diferença de tamanho constatada por mim  na coletiva de imprensa para promover o UFC 163 (mês passado).

Os já conhecidos quatro centímetros de altura e 13cm de envergadura que os separam, na ocasião, tinham a companhia de, pelo menos, uns 10 quilos de massa.

São da mesma categoria? – perguntou-me um dos seguranças do hotel Royal Tulip, em São Conrado, Rio de Janeiro.

Não me entendam errado. A intenção não é criar alarmismo bobo.

Como meu amigo Fernando Cappelli esmiuçou bem no texto Machida x Wrestlers lá no blog Casca-Grossa, ainda há ataque em deslocamento, ângulos inusitados e joelhadas de encontro para fornicar aqueles que desejam agarrá-lo.

Exatamente por isso, as casas de apostas pagam 3,19 dólares para cada um apostado em caso de vitória de Davis.

Agora, também é ingênuo aquele que faz vista grossa a um pepino desta bitola.

É bom que Lyotão tenha exorcizado seus fantasmas na Black House, porque, do contrário, pode muito bem ficar pelo caminho.

Abraços.

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