Flashback: beleza põe mesa
no MMA feminino (e no UFC)?

Fernando Henriques | 28/04/2016 às 21:52

Quando Dana White voltou atrás em sua posição de jamais ter mulheres lutando no UFC, não fui um dos que mais se alegrou. Para mim, àquela altura, o MMA feminino não era tão interessante devida sua escassez de talentos.

Cheguei a escrever um texto a respeito, onde argumentava, basicamente, que Dana White não havia se rendido ao MMA Feminino, mas a Ronda Rousey especificamente.

O abre alas

O abre alas

Tudo girava em torno dela, tudo dependia dela. Caso algo desse errado, poderia ser uma chance perdida para todas as lutadoras.

Esse era meu ponto. Mas a mensagem não foi bem recebida (acredito que sequer entendida) por alguns, que me viram como “inimigo do MMA feminino”. Duda Yankovich (lembram dela?) chegou a me mandar uma mensagem malcriada no Facebook.

Passados três anos, posso afirmar que apesar do meu pessimismo inicial ter bons fundamentos, o melhor aconteceu para o esporte.

O UFC 200 está aí, recheado de talentos e as meninas marcarão presença no card principal. O peso-galo feminino é hoje uma das categorias mais interessantes da organização, e a categoria de baixo (até 52kg), que também não me animou muito quando instalada, ruma pelo mesmo caminho com a rivalidade genuína entre Joanna Jedrzejczyk e Cláudia Gadelha (capitães do TUF 23).

Mas tudo isto tem um claro motivo principal: o bem-sucedido reinado de quase três anos de Ronda Rousey. Quando Ronda despachou Liz Carmouche na primeira luta feminina do UFC, o tom foi dado.

Apesar da conhecida superioridade técnica da campeã, o combate foi eletrizante, com direito até a mordida involuntária, e serviu de ótimo teaser para tudo que viria a acontecer dentro do octógono quando duas mulheres ali estivessem: porrada da boa!

Rivalidade crescente

Rivalidade crescente

Ficou a pecha de que, ao contrário dos homens, as mulheres não enrolavam e partiam logo para resolver à parada. Impressão que ajudou um pouco na aceitação das meninas, pois gostasse você ou não de vê-las em ação, era consenso que as lutas eram movimentadas e dinâmicas.

Hoje isto parece ter diminuído um pouco. A experiência e a pressão por resultados têm feito muitas tornarem-se mais estratégicas (mesmo assim, ainda vejo uma impetuosidade maior entre as meninas).

E em nenhum momento nesta breve história de sucesso do MMA feminino no UFC, ele foi atrapalhado ou ajudado por qualquer suposto machismo. Esse papo ajuda mais os jornalistas a terem assunto do que atrapalha efetivamente alguma lutadora.

As meninas conquistaram seu espaço à base de suor e sangue, como se diz, com uma categoria (peso-galo) esteticamente heterogênea.

As características físicas de cada uma podem ajudar ou atrapalhar sim, mas no fim das contas, não é fator definitivo para uma carreira bem-sucedida. Há espaço para todas.

Podemos dizer que as três únicas campeãs que o peso galo já teve são mulheres bonitas, mas não foi isso que lhes conferiu o cinturão. E não só por isso tiveram a oportunidade disputá-lo.

Outras menos interessantes esteticamente – considerando o gosto comum no ocidente- tentaram e não conseguiram. Segue o jogo.

Paige e Sage

Paige e Sage

Na verdade, não segue. É invariável encontrar, de tempos em tempos, alguém tentando reforçar a narrativa de que há machismo implícito no meio e que as belas têm mais oportunidades.

A jovem Page Vanzant é nome fácil nestas horas. Ao invés de observarem os feitos técnicos de belas e não belas dentro do octógono, como a incrível batalha entre Miesha Tate e Ronda Rousey no UFC 168, destacam a exceção Vanzant – que já tem seu devido “duo” masculino: Sage Northcutt.

Mas há um fator não mencionado neste tipo de análise que é ainda mais subjetivo e imensurável do que a beleza, importante para homens e mulheres: carisma.

É o carisma inerente a personalidade de Ronda, por exemplo, que lhe confere tanta atenção, e não sua beleza física em si. Do contrário, Holly Holm ou Miesha Tate seriam tão badaladas quanto.

Entre os homens, a mesma regra. Nomes como Conor McGregor e Nate Diaz reúnem em suas personalidades uma série de adjetivos capazes de gerar rejeição ou adesão, e em ambos os casos geram interesse.

No MMA, não é indispensável ser agradável fisicamente para gerar interesse. Cada um que descubra como espremer seu limão.

A bela campeã vem de 5 vitórias consecutivas

A campeã vem de cinco vitórias consecutivas

Digo isto por que me incomoda um pouco a imposição dessa narrativa. De leve, o nobre João Vitor Xavier reforçou o discurso que aqui tendo desfazer em um parágrafo de sua coluna da semana.

Mas João apenas argumentou civilizadamente sobre um ponto que divergimos. Isto não é problema algum. Pior é quem aponta o dedo para os outros e chama de machista, apenas por apreciar, além das habilidades de luta, os dotes físicos das lutadoras.

Esse clima persecutório faz com que seja preciso diversas ressalvas antes até de se brincar a respeito, o que gera um clima desconfortável. Maldito politicamente correto!

Você, fã do esporte, não é machista por simpatizar com alguma lutadora por ela ser bonita. Para certos ouvidos isto soa como absurdo, mas é apenas uma grande obviedade.

Machismo é qualquer coisa mais feia do que ter bom gosto, não ser cego e não ter vergonha de expressar sua opinião.

Guarda dando um "confere"

Guarda dando um “confere”

É fútil opinar sobre lutadoras considerando apenas suas medidas, em detrimento de suas técnicas? É, claro, mas não é “machismo”. Nem aqui, nem na Terra do Tio Sam.

Quando aquele tal guarda olhou para a bunda da Miesha Tate na pesagem da luta contra Holly Holm, ele não se provou um “machista”, muito menos desrespeitou a lutadora, como se alardeou por aí. A meu ver, ele apenas mostrou-se vivo. Quem nunca?

Não custa afirmar: Ele não fez mal algum para a lutadora. Olhar discretamente para algum dote físico de alguém não causa nenhum mal.

Caso fosse o contrário (como na brincadeira que Miesha fez com ele posteriormente e postou no Instagram), a lógica segue.

Se Miesha Tate olha para minha bunda enquanto me peso para lutar, fico feliz, não histérico.

Some of you Will get this right away! If you don't watch the viral YouTube video of officer Russel Mettke and I at weighins this past friday! Paid him a little surprise visit today

A video posted by Miesha Tate (@mieshatate) on

Se estamos falando de luta, o que importa são os resultados – o marketing caminha por fora. Miesha não venceu Holm porque recebeu boas ou más energias do guarda danadinho.

A implantação do peso galo e posteriormente do peso palha no UFC (por meio de um reality show que se não ajudou como pretendido, sem dúvida não atrapalhou) fez que com o esporte desse um salto não previsto por mim em 2013.

O UFC não trouxe Ronda e criou uma categoria para ela para atender a uma demanda anterior dos fãs, como geralmente acontece, mas com sua afiada máquina de publicidade – e alguns bons dólares – “criou” esta demanda.

Cyborg - amplamente considerada a maior lutadora de todos os tempos e a mais popular do Invicta FC- estreará num PPV mesmo sem sua categoria existir no UFC!

Cyborg – amplamente considerada a maior lutadora da história do MMA feminino – estreará num PPV do UFC mesmo sem sua categoria de peso existir no evento!

No fim, deu tudo certo, apesar da rota incomum.

O simples fato de mulheres lutarem sob a insígnia do UFC, para milhões de fãs ao redor do mundo, é um incentivo e tanto para o início de um processo de retroalimentação de talentos para ambas as categorias.

E quanto mais lutadoras tivermos no plantel, maior será diversidade étnica e consequentemente maior serão as belezas ali presentes.

Em um esporte cuja grande maioria dos fãs são homens, heterossexuais (a grande maioria dos seres humanos de sexo masculino ainda são héteros, que eu saiba), estranho seria se não comentássemos a beleza das lutadoras.

E o contrário simplesmente não acontece com tanta frequência porque temos menos meninas interessadas pelo esporte. À medida que isto mude – não que eu ache que vá -, a tendência é termos mais comentários calcados exclusivamente em dotes físicos.

Como fazia a namorada de um amigo, à época do Pride, que não perdia uma luta do Shogun porque o achava gato (vai entender…).

Se você gosta de ver a Paige Vanzant lutar somente porque ele é bonita, ou acompanha a pesagem da Miesha Tate só para dar um confere em seu supervalorizado traseiro, tudo bem. É um direito que lhe cabe como espectador de um esporte que não é apenas esporte, mas um entretenimento televisivo.

Ora, a comunidade LGBT também já não se interessou por MMA quando sua representante legítima, Liz Carmouche, esteve em evidência? Tal interesse foi, também, por critérios não esportivos e não se viu ninguém dar ataque nas redes sociais por conta disso.

Ao contrário, vimos foi Dana White em companhia felizes por ter mais gente disposta a comprar o seu produto. É este o jogo.

Paige vai bem na "Dança com Famosos", mas, no octógono, caiu diante de Namajunas

Paige vai bem na “Dança com Famosos”, mas, no octógono, caiu diante de Namajunas

Agora, se você quer ver Paige Vanzant disputar o cinturão do peso-palha somente por ser bela, aí, meu amigo… você continua não sendo machista por isso. Em minha opinião, é apenas um fã fanfarrão que não merece adjetivo tão mais pesado.

Claro, o ideal é que se “adote” um atleta com interesse maior na parte esportiva – e acredito que é assim com a maioria, ou senão iriam ver um filme ou coisa mais adequada. Mas e se for por outro motivo?

Os interesses extras, aliás, fora o componente técnico, são inúmeros e vão muito além da beleza dos atletas e passam também por nacionalidade, etnia, simpatia, qualidades humorísticas e por aí vai.

Sempre que o interesse na luta é gerado por um componente que não o técnico, estamos no mesmo barco, só que sem algum termo pronto terminado em ismo a nos encher.

Fui claro?!

Que venham mais três anos de sucesso para o MMA feminino dentro do UFC, talvez com uma nova categoria de peso (mosca, até 57kg) e ainda mais polêmicas sadias para debatermos.

  • Hyuriel Constantino

    A beleza está para o MMA feminino assim como o TT está para o MMA masculino. Ambos são o contrapeso do aspecto esportivo e sempre haverá um público que se prime pelos contrapesos em questão. É o chamado “público médio”. É necessário pra engordar os cofres das entidades do esporte.

    • Coelho Bruno

      TT?

      • Matheus V.

        Trash Talk…

      • Hyuriel Constantino

        Trash Talking. hehe…

    • Thiago_NCO

      Faz total sentido.

    • Lucas Natan

      Mas a questão é que no caso do mma feminino trash talking também existe. Ronda x Bethe por exemplo cativou muita gente por tudo o que rolou antes. Joanna x Claudinha já tá gerando comentários pela rixa das duas e das discussões do TUF.

      Já com os homens, será que teve alguma luta que vendeu mais pq tinha caras bonitos nela? Provavelmente não. Creio que mais mulheres tenham visto lutas da Ronda por considerar ela um exemplo de mulher/atleta do que Rockhold x Weidman, que era vista como a luta entre os bonitões.

      Mas no fim, creio esses “números” sejam mais pelo fato de o público alvo do esportes ser masculino mesmo.

      • Hyuriel Constantino

        Bom, o TT existe no MMA feminino, de fato, e vende. Tanto que a luta entre a Cyborg e Ronda teria bastante ênfase nisso (tão aguardada quanto Spider x Bones no auge de ambos).
        Contudo, que a verdade seja dita tb que essa mesma luta era vendida numa vibe do tipo “A bela (Ronda) contra a fera (Cyborg)” do tanto que se exaltou a americana como primor de beleza e a brasileira de tudo que é degradante.
        Ou seja: a Ronda tb vendia essa luta bastante pela beleza. Ou vc acha que teria esse mesmo apelo, tirando o TT, uma luta entre Leslie Smith e Ediene Gomes? kkkkk…

        • André Guilherme Oliveira

          Comparação bem descabida.

          • Hyuriel Constantino

            Pq descabida?

          • André Guilherme Oliveira

            Porque uma luta entre Leslie Smith e Ediene Gomes não tem nem de longe a exposição de uma luta de Ronda ou Cyborg.
            Seria melhor comparar as duas primeiras com Herrig x Curran. Nesse caso a questão beleza realmente pesa, e muito, na balança pra chamar publico.

          • É um negócio. O objetivo é lucrar. Se a beleza ajuda nesse fim, vamos usá-la. Se é outra coisa, usemo-as também. Essa é a lógica.

            Não há nada mais democrático que o mercado.

          • Hyuriel Constantino

            Agora não acha que é uma democracia pra lá de ambígua essa daí? Tipo, mesmo a Cyba sendo monstra e demolindo quem lhe ponha na frente, pq até hj não foi criado um peso-pena feminino no UFC? Não é problema da categoria ser rasa, pois o peso-palha feminino não chegou já recheada de contenders e com visibilidade. A meu ver, nessa atitude há um quê de implicância com a brasileira pq ela não é lá um exemplo de top model.

          • Acho exagero considerar implicância, tanto é que ela está no UFC agora, de uma forma ou outra.

            Acho passa pela falta de adversárias sim, e isto não advém da quantidade de meninas que possam bater o peso. Pois, quem iria querer encarar a Cyborg?

            É a brasileira que deixa a categoria rasa. E pela lógica de mercado que mencionarei, torna-se desinteressante.

          • Hyuriel Constantino

            Mas Fernando, é o que já falei sobre as meninas do peso-palha. Foi uma categoria que veio pro UFC através de um TUF sem uma campeã ou carro-chefe tipo a Cyba.
            Então pq o Dana não investiu em criar um peso-pena já tendo uma mulher com o gabarito da Cyba e recheá-la com produtos não só do INVICTA FC, mas tb do Legacy e de uma pá de outros eventos que tb tenham MMA feminino? A princípio, não seria já mais fácil de construi-la tendo uma representante do que não tendo ninguém? Isso aí indiretamente já serve como um reforço a tese de que o parâmetro estético impulsionou tal esforço do Dana, estando acima do parâmetro esportivo.
            Além disso essa ida da Cyba eu só vejo uma razão para que tenha ocorrido: o timing de não poder mai enfrentar a Ronda, já que esta não é mais a campeã. Essa experiência do peso-casado, caso a loirinha ainda fosse campeã, duvido que iria ocorrer no UFC. Com certeza, a brasileira só iria pro UFC depois dessa experiência rolar no INVICTA e com o adicional dela fazer uma luta nos galos da mesma organização.

          • Acho que daria para fazer isso também, mas é a empresa que avalia se vai ou não e sinceramente não acho que o biotipo da Cyba tenha esse peso do todo. Eles tem os motivos deles e convenhamos, o exemplo do peso-palha não refuta o meu argumento, porque a categoria não tem uma rainha absoluta como o peso-pena.

          • Hyuriel Constantino

            Sim, é nesse ponto onde quero chegar, Fernando.
            A categoria dos palhas não tem uma rainha, e a dos penas tem.
            Então pq o esforço em levantar uma categoria (ainda por cima bem mais leve, considerando aquele silogismo de “quanto mais pesada a categoria, mais visibilidade ela tem) do nada ao invés de uma que já tem um carro-chefe (tipo a Cyba) a não ser algo que vá beeeeem além do esportivo?

          • Ora, pois, não me viu dizer que a Cyba dizima a categoria? Nesse caso, com uma rainha dominante, pode pesar negativamente. Afastar gente do peso. Será esse o medo do UFC? Não sei. Acho que nos carece informação para seguir especulando.

          • Hyuriel Constantino

            É, vc tocou num ponto que é nevrálgico: a questão da dominância.
            Só que tem outro ponto: tanto a Ronda quanto a Cyba, na época da migração do Strikeforce pro UFC, suas categorias não estavam devastadas.
            Além disso, algo que vem sempre a tona, e que reforça essa tese do comportamento discriminatório que favorece as mais belas: pq na época da migração da galera do Strikeforce pro UFC, só a categoria dos galos feminino foi pro UFC e a dos penas não?
            Além disso, se dominância fosse sempre um fator negativo, então isso só prova que a categoria dos galos feminino só é interessante com a Ronda, não pela dinâmica da categoria em si.
            Quanto a informações pra especular, eu acho que basta ligar os pontos e seguir as pistas e indiretas que a organização deixou nesses 3 anos de MMA feminino. Explicitamente eles nunca dirão nada. hehe…

          • Hyuriel Constantino

            Eu usei Ediene e Leslie nessa situação para ilustrar que, mesmo que houvesse um TT pesadíssimo entre ambas e fossem lutadoras com habilidades acima da média, com essa atual atenção que se dá a estética das atletas, ainda assim, elas não seriam tão notadas ou rentáveis. Foi isso que eu quis dizer.

  • Coelho Bruno

    A beleza é muito superficial, profunda mesmo é a feiura e só quem é feio sabe.

    Piadinhas à parte, beleza põe mesa em qualquer atividade humana, para o bem ou para o mal. Obviamente há gente que acompanha MMA Feminino só pelo fator beleza, da mesma forma existem mulheres que acompanham futebol para ver as pernas dos jogadores.

    É bastante complicado associar uma olhadela ou algum comentário ao machismo – um olhar e uma cantada podem ser de mau gosto, mas para tipificar machismo, penso que a coisa deve ser mais grave; tipo não contratar alguém por sem mulher ou pagar 40% meno do que se pagaria para um homem, por exemplo.

    Porém – ah, porém! -, penso que apenas uma mulher poderia nos dizer se realmente é um problema ser valorizada mais pela beleza que pela competência.

    Lembro quando, lá por 2012, trabalhava num instituto cultural na Venezuela e havia uma professora linda. Linda é pouco, ela era maravilhosa, umas das pessoas mais lindas que já vi. Ela simplesmente não conseguia dar aulas. As meninas “sabotavam-na”, dizendo na direção que ela era má professora… os caras ficavam a aula inteira lançando olhares escandalosos e fazendo piadinhas.
    A coisa ficou tão ruim que ela teve que fazer reunião com os alunos e a direção do instituto, uma confusão da porra. E digo a vocês que ela era super gabaritada e competente. E agora, Josés?

    Apesar de ser um caso extremo, há diferença entre homens e mulheres nesse tema. Eu não me incomodaria se uma fã gritasse da plateia na hora da pesagem:

    – Que pacotão, hein, filho? Vai viajar com essa mala gigante?

    Mas talvez uma mulher recebesse de outra forma um “e aí, ô, petecuda! que delícia, hein? uma mulher tão linda e trocando socos? vamos lá em casa lutar! diliça!”.

    Enfim, é um tema complexo que não foi resolvido nem no mercado de trabalho e no mundo acadêmico, imaginem se será resolvido no MMA… Contudo, acho que não podemos relativizar tanto a coisa porque, afinal, somos homens e apenas uma mulher lutadora de MMA poderia dizer-nos como ela se sente em relação a isso tudo.

    • Coelho Bruno

      Em tempo: alguém lembra dessa “danada”? Elas também gostam de um salseiro!
      https://www.youtube.com/watch?v=WYmXVG4dN14

      • Renato Rebelo
        • Carlos Montalvão

          Em contra-partida, vi um vídeo do Combate e fiz essa montagem aí antes de mandar pra Funny MMA no Facebook e eles adicionarem “Must. Not. Look. Dat Ass.” haha

          • Hyuriel Constantino

            LOL! Mas com a Jessica Eye nesse biquíni, até cego iria reparar! kkkk

          • Lucas Natan

            Tem essa aqui com a Ronda também. Só que nesse caso não sei se foi só ele que olhou viu. rs

            https://www.youtube.com/watch?v=J14J_gVuvXs

        • Tiago Nicolau de Melo

          A diferença do The Reem, hein? Hj tá no shape do irmão Valentjin, quase.

      • Neylon

        Cara de psicopata!

      • Wellington Fonseca

        kkkkkkkkkk Achei que a moçoila ia enfartar! Muito bom! kkkkkkk

  • Anderson Tomaz

    não posso com isso… <3 hahahhaaha

    • Wellington Fonseca

      Cadê o resto da foto, rapaz? hehehe

      • Anderson Tomaz

        Eh a Holly Holm hahaha
        Não aparece ai?

        • Wellington Fonseca

          Aparece… Ô se aparece!

    • Renan Oliveira

      Ainda será campeã novamente. Questão de tempo.

  • Felipe Oliveira²

    FH (se me permite a “intimidade” hehe) ja quero deixar claro que gosto demais de sua coluna. Sempre muito bem escrita, com opiniões relevantes e embasamento profundo.
    O texto de hoje não fugiu a regra. Parabéns! Concordo plenamente com tudo que foi abordado, e em tempos de um “politicamente correto” exacerbado é muito legal ver este tipo de opinião que diverge do lugar comum, e ainda assim de uma maneira saudável e leve.

    Pos bem, ja assisti MMA com diversas amigas e é quase unânime que elas sempre torcem pro lutador “eleito” mais bonito, e isso não é errado ou preconceito. Esse mimimi realmente ja ta muito chato. Hahahaha

    • Intimidade concedida, Fera, pode chamar de FH.

      Sobre o texto, bom saber que ele preenche alguma lacuna, no seu entender.

      E sobre as meninas, os relatos desta postura são inúmeros.

  • Carlos Montalvão

    Não vejo problema nenhum em assistir uma luta torcendo para o(a) atleta mais bonito(a), eu faço isso quando não conheço as meninas em algum evento nacional ou internacional (até que a técnica durante o combate me permita mudar ou não de opinião), quando juntamos uma galera pra ver sempre tem uma pessoa menos entendida do esporte que pensa assim (mais frequente entre as mulheres), minha mãe por exemplo não torce para o cara mais “bonitão” (ela entende bastante de MMA por sempre estar assistindo aqui em casa), mas, na brincadeira, ela torce CONTRA quem ela não gosta do corte de cabelo, eu elogio várias lutadoras na frente da minha noiva (e ela elogia os caras – sem polêmica), é uma coisa – como dito no texto – natural do ser humano, afinal, o esporte já é muito interessante e se juntar gente bonita praticando, fica mais agradável sim de assistir, mas não é crucial e não deveria gerar tanta polêmica assim.

    Genericamente falando, uma parte da mulherada não vê jogo de futebol por causa das pernas do jogadores e ninguém fala nada? Por que só as “gostosonas” lutando causam polêmica? Talvez por estarem seminuas? Assim como os caras também estão. Bonitas (os) para o padrão da sociedade ou não. Pra mim o politicamente correto, principalmente esse no MMA atrapalha muito mais do que acrescenta.

    • bedotRJ

      Quando vejo os eventos com minha mãe, ela torce sempre contra o lutador tatuado, rs.

      • Marley Fortunato da Silva

        Fala rapaziada! Engraçado que a minha também…E ela observou que os russos dificilmente usam tatuagens e é por esses que ela torce!!

        • Carlos Montalvão

          “QUE CORTE DE CABELO RIDÍCULO É ESSE? AHHH VAI TOMAR UM PAU! Esse merece apanhar!!”… MINHA, mãe.

          1 minuto depois ela volta ao normal comentando os golpes, as técnicas e as regras haha (mas sempre contra o cabelinho tosco)

      • felipe

        kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Essa foi boa!!!! Pra vc ver, como o preconceito é uma coisa que afetam mais um de que outros. Tenho varias tatoos e nao me senti nem um pouco ofendido, com seu comentario. E acho que se minha querida mae, fosse viva e assistisse uma luta, tb torceria contra o cara sem tatuagem. Abração!!!

        • Felipe

          Ps:corrigindo. Torceria contra o cara com tatuagem

          • Marley Fortunato da Silva

            Fala ai Felipe! Beleza!

            Para você vê o pensamento que incutem nas pessoas demoram para se renovar: Que mal tem uma pessoa usar tatuagem? Eu creio que nos anos 70, até poderia ser um sinal de rebeldia, mas hoje é uma arte!

          • felipe

            Opa Marley belezera e vc? Entao cara pra vc ver, Acho que hoje em dia, vc tem de tomar muito cuidado, em qualquer assunto que for abordar. Tudo hoje em dia esta relacionado a preconceito. Ja sofri preconceito por causa das tatoos, mas sempre cosegui lidar numa boa, ate pq foram coisas leves que aconteceram. Nao sei se lidaria da mesma maneira se tivesse sido de uma forma mais agressiva. Sinto muito pq no meu ponto de vista a tendencia é uma piora, em relação a isso tudo de uma forma geral. Tanto para quem tem o preconceito,quanto para quem o sofre. Abraços

          • Marley Fortunato da Silva

            Valeu Felipe! Pode deixar que eu vou dar uma lição de moral na minha mãe!! Rsrs! Até por que a nora dela é tatuada!

    • Não à toa o politicamente correto é chamado de praga (Praga PC) por gente — intelecutais — de gabarito.

  • bedotRJ

    Texto brilhante! Fernando Henriques mandando muito bem, como sempre.

  • Lero

    braço bem forte da Carmouche

    • Renato Rebelo

      Mas não rivaliza com Nakai Harumaki!

      • Lero

        Nada rivaliza com a Deusa do Japao.

    • Female Urijah Faber.

  • KRS Porlaneff

    Galera, ainda são somente 3 anos de MMA feminino dentro da maior liga de MMA da atualidade em um esporte que nem chegou a meio século de existência oficial.

    No caso das mulheres, pela pouca idade do MMA, ainda se precisa de um sopro de feminilidade como forma de divulgação. Afinal, Ronda VS Miesha e Claudinha VS Joanna são lutas entre mulheres que visualmente são mulheres lutando. Mas a gente pega uma luta entre Ediane Gomes e Liz Carmouche (nem sei se aconteceu já) ou entre Jocelyn Jones-Lybarger e Lívia Renata Souza: pra mim não tem quase nenhuma diferença entre ver uma luta delas e ver uma luta do… sei lá, vai, do, Cub Swanson.

    Não adianta: em tempos de consolidação do esporte no lado feminino, beleza ainda é ponto que conta. O que de grande contribuição geral que a Cris Cyborg trouxe para o MMA feminino em 10 anos que a Ronda não fez em um, dois anos?
    E isso porque a brasileira não é nenhum cramunhão (fora das lutas, no caso) e mesmo a Ronda não chega nem perto de ser uma musa unanimidade – nem no MMA ela é, que dirá fora do esporte.

    • Marley Fortunato da Silva

      Fala KRS Porlaneff!
      Comprovando sua tese, a Cyborg tem um estilo de jogo que o público médio adora: parte para a “porrada”, nocauteia todo mundo, etc. Se fosse por mérito esportivo, a Cris seria campeã de venda de PPV no Invicta, mas…Nessa caso especifico, a beleza foi posta a mesa.

  • Lucas Natan

    Já elogiei sua coluna várias vezes aqui, mas nesse texto tenho que deixar minha crítica: vc foi desonesto mais de uma vez.

    Existe gente falando que tem machismo no meio pq vivemos em sociedade machista, e como o mma não é alheio à sociedade, ele não foge à regra. Mas no seu texto vc fala como se cada passo fosse vigiado e patrulhado, como se esses acontecimentos citados no texto tivessem gerado comoção e protestos, e eu não vi isso acontecer.

    1º momento:

    Ao invés de observarem os feitos técnicos de belas e não belas dentro do octógono, como a incrível batalha entre Miesha Tate e Ronda Rousey no UFC 168, destacam a exceção Vanzant

    Ora, quem disse que não observamos os feitos técnicos? Quem fica destacando esse caso da Van Zant enquanto fecha os olhos pras boas lutas femininas rolando?

    * * *
    2º momento:

    …Pior é quem aponta o dedo para os outros e chama de machista, apenas por apreciar, além das habilidades de luta, os dotes físicos das lutadoras. Esse clima persecutório faz com quem seja preciso diversas ressalvas antes até de se brincar a respeito, o que gera um clima desconfortável. Maldito politicamente correto!

    Quem, em sã consciência, vai chamar um cara de machista pq ele (que curte as habilidades técnicas e a luta em si) acha x lutadora bonita? Que perseguição ocorre aqui no site por exemplo, quando alguém fala que acha a Namajunas bonita (como no texto de ontem, do João)?

    * * *
    3º momento:

    Quando aquele tal guarda olhou para a bunda da Miesha Tate na pesagem da luta contra Holly Holm, ele não se provou um “machista”, muito menos desrespeitou a lutadora, como se alardeou por aí.

    Eu digitei “guarda olha pra bunda de Miesha” e “guard cheks out Miesha” no google e a única coisa que encontrei foram textos noticiando a olhadinha. Entrei nuns 7 links e todos, tanto os em português quanto os dos sites internacionais, trataram com bom humor. Então… onde teve esse alarde do qual vc fala? Quem encheu o saco do guarda por ele ter olhado?

    * * *
    4º momento:
    Se Miesha Tate olha para minha bunda enquanto me peso para lutar, fico feliz, não histérico.

    Mas a Miesha não ficou histérica pq o guarda olhou pra bunda dela. Inclusive, ela levou na esportiva e brincou com ele de volta, como o vídeo do instagram dela que vc colocou no texto tá mostrando.

    * * *
    Sobre a questão do carisma: O fato de ser atraente com seu bom humor e o de ser com o físico são duas coisas diferentes, uma coisa não anula a outra. Ronda é carismática, mas também é bonita. Não se pode negar que a beleza também ajudou. Afinal, ela não foi capa da Sports Illustrated pelo seu carisma.

    * * *
    Por fim, a impressão que fiquei depois de ler o texto com cuidado foi que parece que vc tá querendo demonizar o pessoal que acredita que o machismo esteja presente, e que acabou dando uns exemplos sem nexo pra parecer “mais absurdo”. Parece que tá meio “olha esses chatos reclamando sempre disso, disso e daquilo” quando não tem ninguém reclamando das coisas que vc fala.

    Eu, Lucas Natan, acredito sim que o machismo influencie, só que eu acho que os pqs das possíveis reclamações e as situações que incomodam estão melhor explanadas nesse texto aqui, do Alexandre Matos (que vc deve ter lido): http://sextoround.com.br/18981-machismo-no-mma-por-que-nao-falar-sobre/.

    • Jonas Angelo

      Assino embaixo.

    • Salve, Lucas. Bom saber que habitualmente elogia minha coluna, e melhor ainda saber que desta vez discordamos — “toda unanimidade é burra”.

      Só que, infelizmente, pelas citações que fez, você vai precisar “rebolar” mais na tréplica para me provar como desonesto.

      A divergência entre nós começa já nas premissas. Não corroboro com a ideia de que vivemos numa sociedade machista. As democracias ocidentais, fundadas sob as bases da cultura judaico-cristã e da filosofia grega, não são machistas. Principalmente desde o advento do Estado Democrático de Direito e de suas adequações temporais decorridas no Século XX — direito equânime ao voto e etc.

      ***

      “Mas no seu texto vc fala como se cada passo fosse vigiado e patrulhado, como se esses acontecimentos citados no texto tivessem gerado comoção e protestos, e eu não vi isso acontecer.”

      Veja bem, não cito protestos ou coisa parecida em canto algum e se esta foi sua impressão, é calcada em outras coisas que não apenas o texto. Quem já leu sobre o Politicamente Correto sabe que o clima persecutório que cito é algo mais implícito do que explícito, não sendo necessário nenhum protesto formal para oficializá-lo.

      Não usei o termo “patrulhamento”, mas aludi, sim, que isto ocorre. E advém muito mais da imprensa do que de fãs médios — vejo inclusive como algo já normalizado. As reações negativas a uma mera opinião dissonante aqui comprovam a normalização.

      ***

      Sobre a primeira citação de suposta desonestidade:

      Por que assumiu como algo direto à você?

      Naturalmente, todo fã interessado viu o main event do UFC 168 e o comentou, mas qualquer um que opte por martelar a questão “Vanzant” acaba fazendo-o em detrimento de outros pontos positivos a ressaltar. É um procedimento recorrente em textos sobre o MMA feminino no geral. Seguindo no texto do João como exemplo, ele veio para ressaltar a chance de duas brasileiras conquistarem o cinturão em terminou em Vanzant. (?)

      O texto citado por você ao final do comentário é outra prova. O autor chega a dizer que Miesha Tate ganhou a vaga no 168 por ser bela, e não por ser a única técnica e promocionalmente (e isto envolve mais que beleza, como quis elucidar no texto) habilitada à época — a categoria era escassa.

      O trecho que cita como desonestidade versa sobre o quão melhor não seria destacarmos o aspecto positivo do MMA feminino e não o negativo, às exceções (lutadores nem tão boas e com muita mídia, fato que ocorre no masculino também). Tem mais luta boa que gente com o perfil da Vanzant, então é minoria sim.

      Urge entender o que eu disse, antes de incutir a pesada pecha de “desonesto”.

      Sobre a segunda citação:

      Quando Pat Barry reclama da imprensa perguntar mais sobre o cabelo de sua namorada, Rose Namajunas, do que de suas habilidades de luta, e uma matéria sobre o fato, como a da Ag. Fight (https://esportes.yahoo.com/noticias/namorado-namajunas-reclama-machismo-no-144121021.html), afirma que ele reclama de machismo, temos um exemplo da minha citação.

      Sobre o Sexto Round: Aqui não ocorre perseguição alguma, quem disse o contrário?!

      Sobre a terceira citação:

      Sua busca não chegou a esta matéria da Ag. Fight http://agfight.band.uol.com.br/campea-do-ufc-ironiza-secada-e-faz-policial-pagar-na-mesma-moeda-veja/ ?

      Foco nesse famigerado trecho: “Fica a dica, pessoal. Não importa o lugar, essas “secadas” são desrespeitosas e ninguém merece passar por isso.”

      Patrulhamento? Que nada…

      É contra este tipo de posicionamento professoral contra uma bobagem como essa que escrevi esta parte do texto. A Miesha levou mais na esportiva que o jornalista que assinou essa matéria (coincidentemente, novamente da Ag. Fight).

      Sobre a quarta citação, que compõe a peça/comentário que me prova de maneira cabal como um desonesto (!):

      Miesha não ficou histérica. Eu disse que sim? Agora, é inegável que há quem fique (já comentaram isso aqui). Não neste contexto necessariamente, mas em qualquer um que envolva uma olhadela discreta. Foi para eles (as).

      ***

      Sobre o carisma, acredito que você tenha entendido menos ainda o que quis dizer do que nos pontos divergentes acima.

      Modéstia à parte, esse era o tchan do texto, apontar que não é o fato de ser belo ou não o principal gerador de atenção, mas sim de o ter carisma.

      Holly Holm para muitos pode ser considerada mais bonita que a Ronda, mas a judoca a ultrapassa em carisma. Estou errado? Namajunas também é gata — mesmo careca –, mas a Vanzant cativa mais. Fazer o quê?

      ***
      “Por fim, a impressão que fiquei depois de ler o texto com cuidado foi que parece que vc tá querendo demonizar o pessoal que acredita que o machismo esteja presente, e que acabou dando uns exemplos sem nexo pra parecer “mais absurdo”. Parece que tá meio “olha esses chatos reclamando sempre disso, disso e daquilo” quando não tem ninguém reclamando das coisas que vc fala.”

      Impressão errada, amigo. Não quero demonizar ninguém, apenas critico diretamente certos perfis. E clamo por mais liberdade, por mais espontaneidade. Imaginei receber apoio, por exemplo, de gente que não concorda com a sua visão da coisa e não se vê representada por quase ninguém.

      O texto é um argumentação por inteiro, não um recorte de exemplos como — sem querer ou não — você quis fazer parecer neste trecho, onde afirmo que a história das mulheres no UFC seguiu sem qualquer interferência de machismo algum.

      O próprio sucesso e atenção gerada pelas duas categorias atualmente é uma prova. A sociedade não era machista, como que tanta gente para para ver essas minas trocarem porrada?

      Por fim, é estranho citar o texto do Alexandre como alternativo ao meu, se falamos coisas totalmente distintas. Estão mais para antíteses um do outro. E se quer saber, o de lá está repleto de falácias ao meu ver.

      P.S.: Seu comentário ficou todo vistoso, deve ter dado trabalho.

      • Lucas Natan

        Se vc não acha que a gente viva numa sociedade machista, então a gente realmente discorda já no início. Prefiro então não me alongar aqui tentanto explicar os pqs e onde eu vejo etc.

        * * *
        Eu me incluí pq vc falou das pessoas que enxergam machismo, e eu sou uma delas. E do jeito que vc falou (ao invés de), parece que a única coisa que falamos é disso, quando não é. No texto do João esse tema foi falado sim, mas foi citado só, o tema principal foi outro.

        Por onde leio, é minoria esse assunto ser tratado. Fala-se bem mais dos aspectos esportivas, das técnicas e tudo mais.

        * * *
        O Pat Barry reclamou de machismo pq estavam perguntando a Rose só sobre o cabelo dela, quando ela tava se aprontando pra fazer uma luta principal. Ele não reclamou de acharem ela bonita, mas simplesmente de não focarem no mais importante ali, que é a luta.

        Eu falei do sexto round só pra dar um exemplo de que achar a lutadora bonita não é machismo algum. No texto do João um rapaz comentou isso. (inclusive, concordo com ele, rs).

        * * *
        Sinceramente, não tinha encontrado. Pesquisei aqui agora de novo e não acha nos termos que digitei. (guarda olha pra bunda de Miesha e guard checks out Miesha). Provavelmente pq o título não tem “Miesha”, “olha”, “bunda” ou “guarda”.

        São muitos, mas encontrei esses no estilo que falei, (bem humorados e tal):

        http://revistaglamour.globo.com/Celebridades/Hot-news/noticia/2016/03/policial-nao-resiste-olha-miesha-tate-colocando-um-short-e-lutadora-retruca.html

        http://uolesporte.blogosfera.uol.com.br/2016/03/10/miesha-tate-repete-espiadinha-no-bumbum-e-da-troco-divertido-em-policial/

        http://torcedores.com/noticias/2016/03/policial-espia-miesha-tate-durante-pesagem-do-ufc196

        • Eu vejo pessoas machistas, aqui e ali, mas não uma sociedade que institucionalmente padece desse mal… Enfim, faz bem em não delongar, aqui é MMA.

          ***

          Sim, é minoria quem bate nessa tecla. Nunca disse que não, tanto o é que nesse trecho digo “tempos em tempos”:

          “É invariável encontrar, de tempos em tempos, alguém tentando reforçar a narrativa de que há machismo implícito no meio e que as belas têm mais oportunidades.”

          Não é algo diário não, assim como não faço a contraparte diariamente.

          ***
          Sobre o Pat Barry, pois bem, não precisa explicar a reação dele. Foi clara. O citei porque quem lhe perguntou (jornalistas) mais sobre o cabelo (aparência) do que sobre a luta (veja, perguntaram mais, ou seja, perguntaram sobre a luta também, mas em menor escala) da Namajunas, simboliza o tipo de gente que disse que existe (e você retrucou que não as vê por aí) e que geralmente é tachada de machista — como a matéria fez.

          Eu não acho que fazem bem em querer criar um clima “Ego” dentro do MMA, mas também não os acho machistas. Tipo, ninguém ali queria que a Namajunas “voltasse para a pia”.

          ***

          Sobre o lance da Miesha, sim, a maioria das matérias tratou o caso com bom-humor, até pela “resposta” dela ter sido engraçada. No geral, o bom-humor imperou, mas teve a matéria sacal da Ag. Fight e provavelmente outras que não lembro agora.

          O ponto é: Valia a pena me chamar desonesto por um link não achado e outras coisinhas mais, que configuram discordância normal?

          • Lucas Natan

            Não tinha terminado de comentar ainda. Acabei clicando em algum lugar e o comentário foi incompleto.

            Sobre esse de agora:

            – Entendi, então concordamos nesse ponto.
            – A beleza nesse caso não tinha que ser destaque na frente da luta, essa é a questão. O Theodorou não tem que responder a mais perguntas sobre seu cabelo do que sobre a luta em si.
            – Te chamei de desonesto não por discordamos desde o início nessa questão (sociedade machista [não] existe), mas pelo modo que vc apresentou os exemplos. Achei exagerado e enganoso, principalmente quando usa termos como “alarde” e “perseguitório”. Vi a demonização, como já disse no meu primeiro comentário…

            Por fim, a gente discorda na base da discussão, como falei no meu segundo comentário, então a não ser que vc tenha algo a acrescentar, creio que já entendemos o ponto um do outro e um loop infinito não é necessário, rs.

          • Ok, sem loop infinito.

            Só mais duas coisas: Sobre o exemplo do Theodorou, não temos como, arbitrariamente, evitar isso. Não sem cercear liberdades.

            E sobre eventuais exageros, pensei ter mostrado que não havia, mas tudo bem. Abs!

  • Eu sempre gostei de mma feminino pelo fato de ser mma e não por ser feminino.

    • Jp Mikelane

      A patroa lendo isso, vai até dá um joinha de tão orgulhosa 😀 huahuhauhs

  • Thorens Acchuphase

    O texto destaca claramente a evolução natural da categoria no UFC. Da época em que Felice Herrig já foi considerada uma boa lutadora até os dias de hoje, houveram muitas contratações que contribuíram positivamente para a valorização da categoria. A questão do carisma concordo plenamente, até porque a própria Herrig nunca conquistou o público apenas com os seus dotes físicos, porque mesmo sendo muito bonita, sempre foi extremamente arrogante e exibida nas pesagens e nessa mesma linha de pensamento, acho que a Ronda conquistou o público não tanto pelo carisma também, mas pelas suas habilidades como lutadora, pois dentro do UFC foi a primeira mulher a impressionar tecnicamente qualquer juri entendido do assunto, já Miesha e Holy são meigas, respeitosas, carismáticas e bonitas. Page VanZant tem shape de artista, sorriso lindo, simpática, carismática e linda, mas como lutadora mostrou o seu limite, penso que continuará tendo muitos fãs, mas não os puristas. Gadelha e Joana são diferentes: Gadelha têm se perdido no trash talking, tentando mudar a decisão do seu ultimo combate com a Joana no grito! Ela não percebe que já ficou feio pra ela, acho que ela tem mudar o discurso, virar a página! Sempre fui muito fã dela pelas qualidades como lutadora, mas não curti quando ela disse à Joana que ela era feia e se parecia com o Sméagol!? Achei muito baixo e desnecessário (ficou mais feio pra ela). Quem viu o ensaio da Joana pra Reebok, não vai concordar com isso! Além do mais, esse tipo de comentário da Gadelha causa e estimula justamente o preconceito contra a categoria feminina, porque ela está tentando colocar os sus dotes físicos na balança, como se o público fosse escolher entre ela e ou Sméagol?! Não se trata de uma ofensa a Joana apenas, mas a todas as outras lutadoras! Mas não vou crucifixar apenas a Gadelha, o que o Joe Rogan fez com Cyba no podcast foi zilhões de vezes pior, principalmente porque ele faz parte do núcleo do UFC! Nesse aspecto, o Invicta está dando aula de boas maneiras e profissionalismo!

    • Thorens Acchuphase

      Resposta da Joana para a Gadelha: O que achou do Sméagol?
      https://youtu.be/cayxW3DF2CU

      • Wellington Fonseca

        Essa polonesa não é ruim, não, viu!

        • Thorens Acchuphase

          Depois que vi esse vídeo passei a reparar a Joana por outros atributos além do excelente boxe haha.

      • Carlos Montalvão

        Joanna é linda, só não tem o corpo da Gadelha, mas prefiro a polonesa mesmo assim por uma série de fatores não-físicos

    • KRS Porlaneff

      A Claudinha também apelou pra essa história de Smigol?

      Achei que tinha sido só a Jessica Penne…

    • Você captou. O flashback era da breve história das mulheres no UFC, e a afirmativa polêmica é que elas alcançaram o sucesso sem serem ajudadas ou atrapalhadas por machismos quaisquer.

      Cyborg, que vence concurso de feiura por DU, prova que beleza não é essencial.

      E sobre o lance do Joe Rogan, eu devo ser um único que não viu nada demais no comentário, por que o considerei uma piada.

      • Thorens Acchuphase

        Oi Fernando, compreendo o seu ponto de vista sobre o Joe Rogan, mas penso da seguinte forma:
        Nós vivemos num mundo de muitas desigualdades, não somente de renda, mais sociais e culturais, temos pessoas de diversas raças, credos e religiões. Algumas pessoas tiveram criações bem severas à moda antiga, até por causa da história dos pais, pessoas que tiveram uma vida simples e dura, sem muitas oportunidades, pessoas que nasceram sem opção em países com regimes radicais. Muitos dos lutadores tem uma história de dificuldades, injustiças e superações e apostaram no mma não apenas como um passa-tempo, mas como uma oportunidade de mudar de vida. Outras pessoas, porém, foram criadas em uma ambiente mais sadio e culto, têm um ciclo de relacionamento como pessoas do mesmo feitio, pessoas bonitas saudáveis, de bem com a vida, inteligentes, cultas, descoladas e bem humoradas (Penso que você, assim como todos do 6Round fazem parte desse grupo).
        Não existe parâmetro para o senso de humor: Há quem ache graça em fazer piada de defeitos físicos das pessoas, de suas opções sexuais ou religiosas, suas características físicas, de acidentes,etc.., mas existem pessoas que não veem graça nisso e ao contrário se sentem ofendidas quando são o alvo.
        Para exemplificar, recentemente tivemos o caso do atentado em Paris por causa das charges do Charlie Hebdo sobre os muçulmanos e deu no que deu! Depois desse lamentável e trágico episódio, tivemos uma segunda publicação sobre o menino sírio encontrado morto na praia:
        http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/01/charge-do-charlie-hebdo-sobre-garoto-sirio-afogado-causa-revolta.html.

        Pergunto: até onde vai o limite do humor? Para mim, a resposta é simples: Humor é tudo de bom, desde que não ultrapasse a linha entre a ingenuidade e genialidade e a ofensa e invasão a individualidade de cada um.
        Sou totalmente contra o radicalismo, mas a segunda publicação do Charlie Hebdo , sobre o menino encontrado morto na praia, juntamente com a declaração que eles nunca parariam como isso por se sentirem no direito de expressarem sua opinião, demonstra desrespeito a dor da família do menino, desrespeito à vida e tanto radicalismo quanto!
        Fazer uma piada que a Mila Kunis é horrorosa e gorda é diferente de fazer a mesma piada com a Susan Boyle!
        Achei a piada do Rogan desrespeitosa por vários motivos: Ele não é amigo ou íntimo dela, Cyba não é considerada uma mulher bonita ou atraente, além de ser grande e musculosa, mas apesar disso é mulher! E deve ser tratada e respeitada como! Na educação que eu tive dos meus pais, eu jamais faria uma piada dessas com nenhuma mulher e não gostaria ser vítima desse tipo de humor, principalmente em público!

        • Compreendo seu ponto de visto e respeito, porém permaneço em divergência. Não existe limite para o humor assim como não existe limite para liberdade de expressão — o que não impede o responsável pela palavra de se sujeitar à Lei, se infringi-la ou suscitar que o façam.

          Naturalmente que não dou risada de qualquer coisa, mas acho que o humorista, assim como o intelectual, está livre para pensar e ir até onde julgar necessário. Seu julgamento, como pessoa pública, será realizado quase que de forma instantânea pelos que os ouvem e a pena será a perda de credibilidade, audiência e etc. Assim é o jogo.

          Jamais posso concordar que existam sujeitos não disponíveis para gozação. Isto, a meu ver, beira o preconceito. É possível sacanear a Susan Boyle sem que isto seja feito de maneira infame.

          Até porque, cairemos sempre no mesmo problema. As pessoas podem se sentir a vontade em “bater” nas pessoas de perfis “não-sofridos”, por julgar serem mais capazes de suportar a bronca, mas uma repetição disto pode facilmente mudar este quadro.

          Pegue nomes como Donaldo Trump e Jair Bolsonaro por exemplo. Jornalistas não se sentem envergonhados de chamá-los do que for (Trump, um sujeito bilionário — portanto, de burro não tem nada — foi chamado de demente e irresponsável por Jorge Pontual, na Globo News), porque eles não integram os perfis frágeis.

          Mas a coisa notadamente foge do controle. Hoje, depois de tempos de escárnio, Trump é impedido de ir e vir para fazer campanha por opositores que de tanto verem “analistas” desqualificá-lo, realmente acreditam que ele não merece estar ali, concorrendo (numa democracia, qualquer um tem esse direito), enquanto Bolsonaro recebe cusparadas ao vivo e cagadas simbólicas.

          Que comece na Kunis com o salvo conduto dela ter alguma imunidade por ser bela, não adianta, a coisa pode fugir do controle, então, a meu ver não deve haver este tipo de diferenciação.

          Ou somos realmente iguais, ou não somos. Ou somos realmente livres de nos expressar, ou não somos.

          O caso do Charlie Hebdo é emblemático e será lembrado por décadas, mas com todo respeito a você, seu discurso chega a justificar a ação dos terroristas, indiretamente.

          Os humoristas de extrema-esquerda (nada mais distante de mim) do Hebdo possuem o direito de sacanear quem quiser, e nós possuímos o direito de não lê-los.

          Tudo que faziam com a imagem de Maomé, faziam com Jesus e Maria por exemplo, mas você não viu nenhum cristão partir para violência.

          E isto porque o Ocidente, cristão, possui — na verdade definiu — um conceito de civilidade bem simples: reação proporcional.

          Não posso responder a um soco com um tiro, sem ser taxado de assassino. Muito menos responder a uma charge com uma série de tiros. Um caminho correto seria a crítica ao que era ali desenhado, mas não para pedir seu fim, o que configuraria censura, mas apenas para expor o quão ruim era. Fazer a contraparte.

          Os islâmicos não conhecem isso, seu processo civilizatório não teve a sorte de ser banhado pela cultura cristã/filosofia grega. Para eles a medida da resposta dada se justifica porque mexeram com um “Deus”, mas este não era Deus para os chargistas.

          Eles não compreendem o outro. Nós sim. Não sejamos pautados por eles, estamos à frente.

          A questão da ofensa passa por aí. Não posso me toler seja em piadas ou argumentação séria imaginando que alguém irá se ofender, simplesmente porque alguém sempre irá.

          Veja o caso deste texto mesmo, que na análise de alguns é brilhante (lisonja de quem concorda comigo no tema), na de outros é “tranquilo” (no sentido de não ter cometido nenhuma pecado mas não ser nada demais também), mas para o Paranhos foi uma ofensa direta.

          Não posso me pautar pelo que ofende o outro, e isso não tem nada com falta de empatia.

          P.S.: Desculpe o textão, mas é que o tema é complexo.

          • Thorens Acchuphase

            Caro Fernando, sua posição assim como de qualquer jornalista é de enaltecer e promover a liberdade de expressão. Através dela é as pessoas comuns vem a saber da verdade das minorias dominastes e opressoras, é através dela que nos sentimos unidos em lutar contras os opressores e através dela que a história é contada de forma verdadeira. Sempre serei a favor da liberdade de expressão, do debate inteligente, do compartilhamento, da partilha e da lapidação de vários pensamento e idéias pra se tornar um só, aceito pela maioria, vencido pelo bom senso e formador das regras a que toda sociedade democrática é sinalizada a seguir. Liberdade de expressão porém, nunca pode ser confundido com bullying ou insulto diretamente a uma única pessoa e foi exatamente isso que o Rogan fez, seja para você engraçado ou não. Quanto ao seu entendimento e comparação entre as duas religiões:
            “Os humoristas de extrema-esquerda (nada mais distante de mim) do Hebdo possuem o direito de sacanear quem quiser, e nós possuímos o direito de não lê-los.

            Tudo que faziam com a imagem de Maomé, faziam com Jesus e Maria por exemplo, mas você não viu nenhum cristão partir para violência.”
            Me permite a franqueza: “eles tem o direito de sacanear quem quiser” e ” não viu nenhum cristão partir para violência” já é o suficiente pra eu não prosseguir com essa discussão.
            Só peço que se informe mais sobre tudo que está falando, mas não no “google” procure conhecer e ouvir a história do povo sírio refugiado o Brasil, vá até eles, conheça-os, ouças suas histórias e seus valores. Não estou falando de religião, estou falando de caráter e humanidade. Todas as reliões pregam o bem, mas não seus seguidores, isso

  • Thiago Eugenio

    Vejo coerência nos dois artigos. Admirar a beleza das lutadoras (ou dos lutadores, dependendo do gosto), não é um problema. Enxergo problema que as coisas só aconteçam em função disso.

    Esse talvez seja o ponto a ser discutido aqui: os eventos preferem promover o mais “belos” em detrimento dos mais técnicos? Prestamos mais atenção na forma física que nas habilidades dos lutadores (parte do trash-talk entre Ronda e Cyborg, foi a primeira encrencando que a brasileira não merecia mais atenção por “parecer um homem”)?

    Entretanto, não acredito que as discussões sobre respeito e equidade de direitos devam ser suprimidas por receio de parecer politicamente correto demais ou porque há aqueles que de fato exageram.

    • Então, Thiago, o texto aponta que “as coisas acontecerem somente em função disso [beleza]” é exceção. Vanzant tem este perfil, mas outras belas não.

      E sobre a discussão no geral, do tema, estou aqui e aberto. Respondi todos que julguei necessário, e continuarei aqui. Com calma, mansidão e em busca da razão. A histeria deixo para os contrários. Valeu por participar. Abs!

  • Rafael Fiori

    Muito bom texto. Concordando ou não, nos ajuda a formar opinião sobre um tema que abrange a sociedade como um todo. O nível dos comentários também está ótimo.

  • Marley Fortunato da Silva

    Bom dia senhores do sexto round!!

    Primeiramente quero parabenizar Fernando Henriques por mais um texto excelente e interessante para nós leitores. (Deveria aparecer mais no podcast, hein…)

    Bem esse é um assunto polêmico e necessário de se acontecer, devido ao sucesso do MMA feminino e da influência cada vez mais maciça da mulher na sociedade; em qualquer esporte, carreira ou atividade humana, veremos pessoas suspirando pelos os atributos físicos de outrem, seja do mesmo sexo ou do oposto; eu acho super valido e isso não representa machismo em si; cada atleta (como você mesmo citou) tem uma característica que o ajudar a vender sua imagem: se a Miesha vende devido a sua beleza, tudo bem; se a Holly Holm por causa da sua habilidade, por que não? Se a Bethe Correia vende por causa do trash talking, que bom! O que não pode é a Claudinha Gadelha ganhar menos que o Aldo somente pelo fato de ser mulher; o que não deveria acontecer é os fãs irem ao twitter da Ronda dizer que ela não serve para lutar por que é feia (Quem é o maluco?); O que tem que acabar é o discurso machista de que mulher não serve para lutar, para pilotar carro de corrida, ou trabalhar na construção civil. O lugar da mulher, é aonde ela quiser.

    Para finalizar, o que não pode acontecer, de maneira alguma, é algum colaborador ou um leitor do sexto round, ir na conta da Rin Nakai e dar “likes” nas fotos sensuais dela…Esse individuo vai ganhar um “Abraço da cobrinha”, no próximo podcast!

    Valeu rapaziada!

    • André Guilherme Oliveira

      To contigo nessa Marley. Tu é o cara.

  • Felipe Paranhos

    Com todo o respeito ao colega FH, de quem discordo em praticamente todos os aspectos possíveis, sua insistência em negar o machismo presente na promoção do MMA feminino e no interesse que ele gera nos fãs — afinal, é ponto pacífico que o mundo ocidental é paternalista — supera o insensato.

    Acho que Fernando briga com a realidade quando diz que a breve história de sucesso do MMA feminino nada tem a ver com machismo, já que A PRÓPRIA CRIAÇÃO da primeira categoria de mulheres, pouco tempo depois de o presidente do Ultimate vir a público dizer que não havia chance de isso acontecer, foi calcada na promoção de uma mulher dentro dos padrões estéticos vigentes — o que não é comum no esporte. Pior: faz parecer que houve algum destaque institucional ao fato de Liz, a primeira desafiante de Ronda, ser gay, quando toda a discussão sobre este aspecto surgiu espontaneamente, da parte dela, em entrevistas à imprensa esportiva — esta que ressalta todo dia as “musas” em detrimento de outras grandes atletas consideradas feias — e em redes sociais. E, não à toa, foi muito menos motivo de interesse do que a beleza de Ronda ou seu posterior ensaio com corpo pintado. Não entendo como isso pode ser apartado da sociedade machista em que vivemos.

    Tratar o caso de Paige VanZant como exceção é ignorar que ela, a despeito de sua clara incapacidade técnica, foi mais promovida pelo UFC do que qualquer outra lutadora que não Ronda Rousey. Veja bem, mais até do que Miesha e Holm, duas detentoras de título em momentos diferentes. Ora, se os dois casos de maior promoção do UFC são de mulheres dentro do padrão que estamos acostumados a ver nas revistas, na TV etc, como se pode tratar isso como exceção?

    Me parece extremamente leviano, além disso, dizer que não estar no padrão não atrapalha alguma lutadora. É evidente que apenas ser considerada bonita não faz de ninguém bem-sucedido no MMA, mas dizer que não ajuda é no mínimo contraproducente — inclusive porque acho que esta opinião precisaria ser embasada em depoimentos de mulheres, e não na mera palavra de quem não é mulher E lutadora.

    Cito aqui Tecia Torres, no fim de 2015: “É um pouco doido ver a quantidade de atenção que elas têm por causa do visual. Mas é o que vende. Isso vai fazer a empresa ganhar dinheiro e, em contrapartida, acho que vai me fazer ganhar dinheiro também, a longo prazo”

    Ora, o que é isso senão explicar, em poucas e sutis palavras, como funciona o machismo no esporte? Se ela acha que pode ganhar com isso por outros aspectos, tem todo o direito — afinal, não será ela, sozinha, que vai mudar todo o esquema de marketing do UFC —, mas não tenho dúvida de que “é o que vende” prova como as coisas realmente funcionam.

    Quanto à insistência tácita em negar a própria existência do machismo na nossa sociedade e de tratar qualquer negativa a isso como “mimimi”, “politicamente correto”, “histeria” ou considerar “apenas um fã fanfarrão” alguém que quer que uma mulher dispute o título meramente por ser bonita, sequer consigo discutir. Para além da minha absoluta discordância, repudio a postura do colega ao citar aqueles que pensam diferente dele e lamento profundamente que sua opinião, que a mim chega a ser ofensiva, seja colocada de maneira tão superficial.

    • Luis Felipe Fabricio
      • Luis Felipe Fabricio

        Assino embaixo aonde?

    • Jonas Angelo

      Bom saber que existem pessoas que não se omitem diante da opressão! Grande paranhos!

    • Prezado colega baiano, não sabia que era possível superar o insensato, mas tenho certeza que outros contestadores da ordem vigente, em qualquer era, ouviram coisa parecida.

      Em todo o comentário, você acerta apenas na primeira linha, quando esclarece que discordamos em quase tudo. A começar pelo status da sociedade ocidental. Paternalista é apenas mais um adjetivo usados pelos insatisfeitos de plantão para criticar o mundo verdadeiramente civilizado. Não imagino o que deve ser usado para descrever o restante do mundo, culturalmente não-ocidental. Em suma, não é ponto pacífico para mim porque não temos a palavra na mesma escala de significância.

      E eu não brigo com a realidade, apenas a descrevo corretamente, ao contrário de você, que prefere enxergar no “Efeito Ronda”, criador do MMA feminino no UFC, algum machismo devido a sua aparência casar com o padrão de beleza vigente (existe isso mesmo?).

      Que a ordem das coisas não foi comum, eu destaquei primeiro. O ponto é: Ronda foi a catalizadora por ser loirinha e bonitinha (nem tanto) ou por ter algo mais que chamei de “carisma”?

      Por que não com Miesha Tate, campeão antes dela? Por que não com Gina Carano, sensação ainda antes? Todas gatas.

      Dana White tinha certeza que o boom só viria através de uma loira ou viu nesta loira um sorriso capaz de cativar meio mundo? Poderia ter sido com outra menina, com outro perfil, mas igualmente carismática. Esse é o ponto (que fica nublado para quem vê machismo em tudo).

      Sobre a Liz, alto lá. Não atropele o que escrevi. Em nenhum momento afirmei que foi algo institucional do UFC. A afirmativa que fiz, em acordo com o histórico real, foi: Quando Carmouche, lébisca assumida, enfrentou Ronda, a comunidade LGBT se interessou pela luta. Dana White (UFC) apenas não reclamou disto.

      E quem iria? Não se seleciona quem consome o seu produto, se ele é vendável a todos. Ninguém quer perder dinheiro.

      Se quiser persistir neste ponto, gostaria que, se possível, confirmasse que fiz o contrário que digo que fiz no texto com recortes e comentários mais detalhados — depois eu que sou superficial…

      Sobre Page Vanzat (já está virando algo parecido com a Lei de Godwin), padrões de beleza e TV, primeiro digo que não vejo TV. Segundo que a exceção apontada não foi percebida por você. Eu pouco falo de promoção no texto (digo, diretamente).

      Vanzant é exceção pela grande atenção e falta de capacidade técnica que a acompanhe e justifique isso. Não é o mesmo no caso da Ronda e da Miesha. É quase o mesmo no caso de Sage Northcutt (vale invocar machismo quando se tem um “duo” idêntico masculino?).

      Entendeu (a intenção, pelo menos)?

      Outra: Onde eu disse que beleza não ajuda? Neste trecho, reforço que ser bela pode ajudar e feia atrapalhar:

      “As características físicas de cada uma podem ajudar ou atrapalhar sim, mas no fim das contas, não é fator definitivo para uma carreira bem-sucedida. Há espaço para todas.”

      O que disse é que não é fator definitivo, como provam Gadelha e Joanna no peso de baixo, ambas interessantes a meu ver, mas longe dos tais padrões estéticos.

      O ponto (eu gosto desse lance de ponto, para falarmos da mesma coisa, visto que há aqui uma má vontade com o que foi escrito) é o quê cada uma fará com o que tem. Dá para chamar atenção, cativar maior promoção e tudo mais, com a fuça que tiver. Reclamar que a sociedade é machista que não ajuda.

      O “é o que vende” da Técia Torres mostra como é o gosto do público médio, mas eu não atribuiria isto a qualquer machismo. Lembre-se do carisma. Para o bem ou para o mal, os carismáticos vendem.

      E já que me chamou de leviano e repudiou (ui!) minha citação honrosa ao João (que ficou de boa sobre), repudio com ainda mais força o reforço ao discurso de identidade necessária para se comentar a respeito de algo.

      Só mulher pode falar sobre algo que envolva mulheres veio, se não me engano, de alguém que como jornalista repudia o discurso comum dos lutadores que afirmam que quem nunca lutou não pode opinar sobre.

      Não é preciso obter a mesma identidade do alvo da crítica ou elogio para tecê-la. Apenas um cérebro funcional.

      Sobre uma tal “insistência tácita em negar a própria existência do machismo na nossa sociedade e de tratar qualquer negativa a isso como ‘mimimi’, ‘politicamente correto’, ‘histeria'”, acho que você juntou coisa alheia ao texto aqui. Dê um Ctrl+F na página para confirmar que sequer uso o termo “mimimi”. Tratei com seriedade a coisa toda.

      E sobre não conseguir discutir o lance do “fã fanfarrão”, é realmente uma pena. Queria mesmo saber como devemos chamar o perfil do fã — se é que existe — que procede tal forma, em sua opinião.

      Por fim, ainda sobre a citação direta a um colega, não é a primeira vez que o faço e nem a última. É muito estranho ver que merece algum repudio. Não há nada mais comum no colunismo do que a citação a outras colunas e colunistas.

      No mais, tente não se ofender da próxima vez. Eu realmente fico triste de gerar sentimentos negativos em alguém através de um singelo texto opinativo – imagina se a moda pega?

    • Informo que dei like com o pé porque estava com as mãos ocupadas batendo palmas.

      • Esse foi o like menos manjado de todos.

        • Fernando Batista Lima

          Manjado e piegas, pra não dizer “ridículo”. Jogou pra torcida por falta de argumentos. Hahaha! Tô contigo nessa xará.

  • João Vitor Xavier

    Primeiro de tudo, quero falar que eu e FH temos opiniões conflitantes em várias áreas e já debatemos algumas coisas, sempre com respeito. Agora não vai ser diferente.

    No entanto, acho que nesse caso a discordância vem de uma falha talvez até no que eu quis passar no meu texto. Não me incomoda que a beleza seja um dos componentes pelos quais os fãs se identificam com os atletas, ou pelos quais os próprios lutadores se destacam. O que me incomoda é que isso é colocado em primeiro plano entre as mulheres, para além da personalidade e da capacidade técnica. Eu tenho 100% de convicção que isso acontece e nada do que for dito vai tirar essa certeza de mim.

    Em relação à tentativa do texto de colocar uma questão como o feminismo no mesmo saco do “politicamente correto”, prefiro não opinar.

    Abs.

    • Eu respondo: feminismo está no mesmo saco do politicamente correto, termos inventados pela Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, escola artista da mistura do marxismo e do freudismo. João ,se quiser, a gente pode debater sobre essas coisas em outra plataforma, em outro momento.

      Fugiu do MMA, mas é isso aí.

      Quanto ao primeiro comentário, concordo contigo sobre colocar a beleza das mulheres em primeiro plano, ao invés de outras virtudes dentro do esporte. Quando vejo uma luta, percebo o desempenho da lutadora. Isso já é uma visão minha. Tem gente que vê de outra forma, mas não condeno. O problema é tratar esse aspecto de alguma forma para depreciar a mulher, o que não vi no texto do FH.

      Abs, João, saudade sua meu camarada.

      • Jonas Angelo

        Olá Leo, tudo bem?
        To interessado em saber sobre esses “termos invetados pela Teoria Crítica da Escola de Frankfurt. Onde podemos debater sobre isso?

        • Assim como a Ideologia de Gênero nasceu no seio do Feminismo também.

          Recomendo a observância deste ótimo livro: http://www.livrariacultura.com.br/p/gender-quem-es-tu-sobre-a-ideologia-de-genero-42894511.

          • Jonas Angelo

            Então, na resposta eu mencionei Leo, se não me engano…vou ver, só um min.
            É isso mesmo, mencionei Léo.

          • Obrigado pelo fora gratuito. Realmente é muito gentil de sua parte, um sujeito que considera um texto uma “opressão”.

          • Fernando Batista Lima

            Novamente, a velha falta de argumentos. Bem desnecessário e deselegante. Nem merecia resposta.

          • Fabricio Alves

            Aqui tem dicas boas sobre a escola de frankfurt:

            https://www.youtube.com/watch?v=R13y6q_XkTg

          • Já conheço o vídeo e gostei de saber que temos aqui alguém que aprecia o Véio. Abs!

        • Olá Jonas, tudo certo? Então, meu convite foi para o João, que é um amigo da imprensa e que tenho contato, e propus bater um papo com ele. Pessoas que conheço prefiro discutir essas coisas pessoalmente. Internet é um antro de belicosidade e boçalidade, não é verdade? Mas se quiser conversar comigo, não tem problema, é só marcar um local aí. Moro no Rio. Abs!

          • Jonas Angelo

            Humm, então você seleciona as pessoas para debater? Curioso isso. Soa meio tendecioso, mas tudo bem. Como preferir.

          • Seletividade é vida!

          • Acho que voce entendeu errado, caro Jonas. Disse que minha mensagem foi para o João, não mais para ninguém. Se quer entender isso, beleza. Nào te conheço e não to afim de conversa fiada. Um abraço!

          • Jonas Angelo

            Comigo não está afim de conversa fiada mas com o João sim? Curioso de novo. Não será fiada, eu pago se for o caso. Não sei qual seu receio em trocar uma ideia com um desconhecido, não vou te envenenar e nem te dar bala estragada. Mas de boa, se não quer tudo bem. Abçs.

          • Ja entendi a sua. Grande abraço!

      • Perfeito, Leo, tanto no destrinchamento da origem do Politicamente Correto, quanto ao observar que visei depreciar ninguém.

        Abs!

      • João Vitor Xavier

        Fala, Leo…adoraria trocar uma ideia sobre isso mesmo, camarada..vamos marcar com o Tannuri um chopp #mara HAHAHAHA

        • Rodrigo Tannuri

          Rod é o mara, JVX o sensa, seria Leo o top? kkkkk

    • Salve João, sempre bom divergir de você. Foi ao ler seu texto que tive a ideia desta coluna, não tinha como não citá-lo.

      Pois bem, seu texto foi o responsável pelo insight para esta minha coluna, mas ela não o responde em nenhum ponto. Falei de bem mais coisas e vejo, pelo seu comentário agora, que concordamos: também não acho bom, no esporte, termos a beleza em primeiro plano.

      A diferença entre nós talvez esteja na forma com que tratamos isso. Não acho que seja fruto de “machismo” (que já virou culpado por tudo) e não acho que quem faz essa opção por olhar só a beleza deva ser desqualificado e apontado como machista. Ponto.

      P.S.: Feminismo? Isso é contigo, não há essa palavra no meu texto.

      • João Vitor Xavier

        É aí que concordamos em discordar. Abs

  • Muito divertido ver o esforço dos comentaristas contrários, principalmente os colegas colunistas, para divergir das colocações postas no texto. Acho que, a certa medida, a ideia era provocar exatamente este tipo de reflexão.

    É um pouco desolador, porém, saber do meu esforço em tocar num tema “quente” sem abrir muito para fora do MMA e sem subir o tom contra os contrários, e ver que outros não se pouparam fazê-lo (leviano, desonesto, superficial). Por outro lado, é reconfortante saber que estou “autorizado” a fazer o mesmo.

    Em momento oportuno (hoje o dia está corrido) aparecerei na caixa de comentário logo abaixo de cada um de vocês. 🙂

    • Felipe Paranhos

      Sinta-se à vontade. Porém, acho que seu texto sequer é sobre MMA.

      • Ah, não?! De repente é sobre como irritar progressistas sensíveis.

        • Felipe Paranhos

          Deve ser. Pela sua resposta, deixa pra gente discutir quando você passar pra sexta série, então.

          • Poxa, Paranhos, o texto é claramente sobre MMA. Não enviaria e não seria publicado aqui um texto que não fosse sobre MMA. Queria que eu dissesse o que diante disso?

    • Marley Fortunato da Silva

      Boa tarde querido Fernando!

      Esse tema realmente é polêmico por si só, e como toca em uma questão profunda e um pouco espinhosa (machismo e marginalização da mulher), alguns de nós leitores podemos ficar um pouco acalorados e proferir algumas palavras contundentes, como as que você citou.

      Bem, eu acho que você definiu bem o seu texto quando referenciou: “Os interesses extras, aliás, fora o componente técnico, são inúmeros e vão muito além da beleza dos atletas e passam também por nacionalidade, etnia, simpatia, qualidades humorísticas e por aí vai.”; nesse trecho, você deixou claro que seu texto não se tratava especialmente de machismo no MMA e sim o lado business do esporte, onde os atrativos físicos (principalmente), patriótico, humorísticos etc., contam para vender a imagem de um lutador e angariar mais fãs para o esporte. Achei um texto descontraído e reflexivo em relação a essa história do MMA feminino; não vi motivos para criticas tão pesadas, mas até com estas podemos aprender e aprimorar nossos conhecimentos; é como disse o filosofo: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”

      Mais uma vez Fernando, quero elogiar não só o seu texto, mas o tempo que você gastou realizando a pesquisa, preparando o material e pelo seu interesse em não somente gerar reflexão, mas nos contribuir para o nosso conhecimento, desse esporte que tanto amamos!

      • Salve Marley, agradeço a atenção dispensada e o esforço que fez em observar bons pontos no texto, ainda que não concorde com uma parte ou outra.

        Sobre a frase citada, é atribuída à Voltaire. E vem bem a calhar, realmente.

        Sobre o trecho cotado. Então, eu fala de machismo e outras coisas mais. O parágrafo que você selecionou é importante, porque no meu entender é uma argumento forte. As pessoas se irritam e encontram um “ismo” legal quando veem interesse pela beleza das lutadoras, antes da técnica, mas não se contorcem tanto se a escolha que antecede a técnica é outro critério de bussiness.

        Quem não curtia o Sonnen só pelo trash talking? Não tem “ismo” pronto para isso, mas dá no mesmo para mim.

  • Isabella Kida

    Acompanho sempre Sexto Round mas não sou muito de comentar
    os textos, neste caso em específico resolvi colocar a MINHA visão.

    Respeito seu ponto de vista mas tendo a discordar da tua
    opinião aqui no texto.

    Concordo quanto você diz que não há nenhum problema em achar
    alguém bonito, é normal as pessoas olharem e apreciarem o que é belo … faz
    parte da vida e isso não faz de ninguém um “criminoso” – porém quando deixamos
    o lado de telespectador e olhamos o esporte em si, fica bem claro pra mim que
    as lutadoras consideradas mais atraentes são sim beneficiadas em suas oportunidades
    dentro das organizações. Lógico que, não adianta nada ter a oportunidade e não
    ter o preparo e competência para chegar ao topo, e também entendemos que as
    empresas visam o ganho de lucro, logo vão buscar as soluções que mais
    interessam para o seu bolso … qual dos campeões de suas respectivas
    categorias (homens) hoje, tiveram uma oportunidade diferente pois era bonito?
    Ou melhor, qual lutador no geral? Será que Luke Rockhold só chegou onde está
    pois teve melhores oportunidades que os outros pela sua beleza? Eu acho que não
    … Os “critérios” não deveriam ser os mesmos? Por que no lado justamente
    feminino um atributo físico pode definir uma oportunidade melhor em muitos
    casos?

    Se não for por esta ótica analisemos o dito “sucesso na
    carreira”… só é bem sucedido quem é o campeão? Provavelmente não, conseguimos
    ver vários lutadores bem sucedidos que não são os detentores do cinturão . A
    visibilidade que o evento dá para a pessoa também influencia diretamente (não
    somente), a construção da carreira do profissional, chama atenção dos
    patrocinadores entre outras coisas … então seria justo uma escolha desta
    maneira? E o ponto principal, o que leva a organização a ter essa posição em
    alguns casos? Então quando você diz:

    “E em nenhum momento nesta breve história de sucesso do MMA feminino no UFC, ele foi
    atrapalhado ou ajudado por qualquer suposto machismo. Esse papo ajuda mais os
    jornalistas a terem assunto do que atrapalha efetivamente alguma lutadora.” –

    Não consigo enxergar desta maneira, acho sim, que o machismo
    melhorou muito de uns tempos pra cá … mas sinceramente fechar os olhos e
    achar que ele nunca existiu ou ao menos atrapalhou as mulheres é um pouco
    descabido … não é questão de politicamente correto ou não, só ao meu ver, de
    enxergar alguns pontos que para uns podem não ser tão relevantes mas que fazem
    toda a diferença no total.

    Não sou lutadora mas trabalho com MMA , e sinto claramente
    que existe esse preconceito velado ou na maioria das vezes explícito, o
    machismo enraizado em algumas pessoas envolvidas neste esporte limitam o espaço
    feminino por pura ignorância … é uma conquista diária e muito difícil
    conseguir qualquer espaço neste meio.

    Muitas mulheres no mundo do MMA passam por isso, tem seu
    valor, seu profissionalismo e capacidade e mesmo assim precisa provar isso à
    todo momento. Já o homem, basta ser homem para estar implícito que ele entende
    de MMA … sabemos que não é bem assim né? Dizer que não atrapalha efetivamente sem sentir na
    pele o que acontece, sem receber a carga emocional e

    Enfim, são diversos pontos que divergimos as opiniões mas
    não quero me prolongar muito.

    Veja bem não estou generalizando, existem sim pessoas como
    descrevi e também outras que não agem assim … mas o fato é que na minha
    opinião existem sim.

    • Salve Isabella, tudo bem?

      Legal conhecer sua visão de tudo isso, importante para o debate. E nós concordamos que a beleza ajuda, não neguei isso; e concordamos também que só com isso não dá para ser campeão. Fui tácito a esse respeito no texto.

      Sobre ser justo ou não, uma promoção maior para uns e do que para outros, acho que você mesma respondeu um parágrafo acima quando citou o lucro que a empresa precisa ter. O meu entendimento é que “justiça” devemos observar no que concerne a parte esportiva. Todo o resto é carregado de valores subjetivos e envolve a lógica de mercado. Sob meu ponto de vista, não é injusto alguém ganhar mais que o outro. Seja porque fala melhor ou porque é mais bonito.

      Imagina se a empresa promove alguém e o público em geral, pelo motivo que for, não o recebe bem? Não tem lucro nem para a empresa, nem para o lutador. Quando falamos de economia, mercado, a lógica do que é justo ou não começa na observância do gosto do público (que pode ser fatiado para ser melhor atendido). Numa economia de mercado como a americana, o consumidor é rei, o patrão. E não há nada de errado ou injusto nisso.

      Sobre o machismo no meio, para quem trabalha no esporte principalmente, é aquilo: se eu, como homem, for adentrar num meio onde predominam as mulheres, algumas desconfianças serão naturais; mas nada que “mate”. O trabalho duro e bem feito supera tudo isso. 🙂

      Estou certo que você conseguiu superar!

      O MMA começou com os homens. As mulheres chegaram e já conquistaram seu nicho. Nunca terão o mesmo espaço (análise minha, não um desejo) que os homens — com todas as categorias preenchidas e tudo mais –, até por critérios fisiológicos, mas conquistarão ainda mais respeito com o passar dos anos. É um processo natural.

      Sobre homens serem vistos como entendedores e mulheres não, é a mesma lógica do futebol, criada pela quantidade maior de homens envolvidos. Eu não chamaria isto de preconceito e nem nada pior, mas apenas uma impressão superficial que é quebrada por cada mulher que faz um bom trabalho com MMA, dentro e fora do octógono.

      Por fim, reforço que homens e mulheres não são iguais. Tem corpos distintos, cérebros que funcionam de maneira distintas — e são também distintos entre si –, de modo que algumas atividades, no geral, são dominadas por uns e outros. E, falando de maioria, sempre serão. Talvez, sempre tenhamos mais pedreiros do que “pedreiras”. No MMA não sei como será, mas que há nichos de mercado separados é claro para mim.

      Existem estudos antropológicos nessa área. Esse documentário busca alguns. Se puder, dê uma olhada, apenas para conhecimento mesmo: https://www.youtube.com/watch?v=G0J9KZVB9FM.

      Abraços!

    • Marcio Rodrigues

      Em todos os comentários dessa matéria, só consegui enxergar claramente o machismo nos seus últimos parágrafos.

      Machismo, a princípio, deveria ser isso: colocar o homem ou os valores masculinos em posição de superioridade à mulher e aos valores femininos.

      Menosprezar a eficiência de alguém em uma determinada tarefa apenas por ser mulher; pagar menos a uma mulher do que a um homem pelo mesmo trabalho; colocar uma mulher em cargo inferior ao de um homem, mesmo ela tendo mais capacidade. Isso é machismo.

      Mas, o que eu vi nessa e em outras matérias parecidas, é o pessoal reclamando de uma mulher mais bonita receber mais atenção ou privilégios que uma menos bonita.

      Ora, isso não é machismo e sim a chamada “ditadura da beleza”, que está presente não só no mundo feminino como no masculino e em vários setores da sociedade. Olha o Sage, aí! Até a derrota, já recebia mais atenção que o campeão da categoria. E quem você acha que o UFC prefere como campeão dos médios? Rockhold ou Caio Monstro?

      A beleza vai sempre ser uma vantagem (principalmente se estiver relacionada a TV), só discordo que seja exclusividade do mundo feminino.

      Enfim, acho que o termo machismo está muito banalizado e muita gente ampliou esse conceito, utilizando ele em situações em que não caberia.

      • Isabella Kida

        OI Márcio, tudo bem?
        Você diz que achou meus parágrafos machistas ou que conseguiu enxergar a parte machista que relatei?

        • Marcio Rodrigues

          Olá! Acho que na pressa me expressei mal. Quis dizer que o preconceito que você diz sofrer no seu trabalho é um exemplo claro de machismo. Machismo nada tem a ver com feio ou bonito e sim com a inferiorização da mulher em relação ao homem.

          Isso é muito grave. Por isso me incomoda quando usam esse termo pra qualquer coisa como uma secada na bunda de uma lutadora.

          Já aproveito pra deixar claro que não pus em pé de igualdade o valor que se dá a beleza no MMA masculino e feminino. Isso é claramente mais comum entre as lutadoras.

          Só nao pode ser considerado machismo, tampouco prejudicará a carreira de alguém como atleta. Ou então, nunca teríamos Cyborg campeã ou Amanda Nunes disputando cinta. Afinal, é esse o objetivo de uma lutadora, não?

          • Isabella Kida

            E Agora entendi kkkkk!

          • Marcio Rodrigues

            Sobre o porquê de ser tão mais frequente entre as mulheres, eu penso que, pelo menos no MMA, se deve aos negócios. O UFC visa lucro. Quem da esse lucro é o público que, como dito no texto, ainda é prioritariamente composto por homens hétero. Logo…
            Então, pra mim, essa questão é grana, não machismo. Era machismo quando Dana White dizia que mulher não servia pra lutar MMA, que era coisa de homem, etc…

          • Exato, Marcio, você captou a alma do texto. Quando digo que machismo é qualquer coisa mais feia do que dar atenção a “bonitinha”, quero, primeiro, desbanalizar o machismo, segundo, fazer as pessoas buscarem outros motivadores para isso.

            A lógica de mercado é um.

          • Marcio Rodrigues

            Pois é. Uma pena esse tema gerar até uma certa intolerância. O pessoal repudia o pensamento do outro e o pior, sem nem saber o que é machismo de verdade.

            Tem que desconstruir essa idéia, afinal, uma mentira contada várias vezes vira uma verdade. Nessa toada, logo o machismo passará a ser conceituado como a preferência por mulheres bonitas ao invés de feias. Conceito totalmente errado.

          • Então, Márcio, intolerância é o modus operandi padrão dos progressistas — a maioria dos textões contrários a mim aqui vieram deles, com exceção deste da Isabella.

            E uma má notícia: a mentira já foi contado mil, as pessoas já acham que tudo, até gosto pessoal, é machismo.

            Com este texto, remei contra a maré.

          • Doniel Porter

            Porra, Fernando, que saco enorme o seu, (sem duplo sentido, aos comediantes de plantão, por favor hahahahaha) hein cara! Foi realmente muito corajoso da sua parte escrever o texto, quando vc certamente imaginava que viria porrada de todos os lados, nessa atual sociedade onde é mais seguro bancar o politicamente correto para ter aprovação de
            todos, e depois ainda ter toda essa disposição pra debater com muita gente que se acha detentor do monopólio da virtude. Eu sinceramente tenho preguiça dessa turma que acha que deve e pode patrulhar tudo e todos segundo seu ponto de vista, que para eles é a verdade absoluta e inquestionável. Parabéns, brother!

          • Porra, brother, é sabendo que existem pessoas como você, que mesmo talvez em maioria, sentem-se compelidos ao silêncio por conta da minoria barulhenta e birrenta de sempre, que encarrei essa. Jamais vou me calar, em função de qualquer patrulha do pensamento — que a gente vê claramente quando os comentários vêm para invalidar a própria existência do texto, e não contra-argumentá-lo.

            Ademais, eu poderia rebater essa turma, nesses pontos levantei no texto, o dia todo. É como a hora do recreio para mim!

            Obrigado pelo apoio, abraços!

          • Isabella, nesse meu trecho que citou, acredito que o uso da palavra “natural” tenha atrapalhado a ideia que quis passar.

            Penso que reclamar, no curto prazo, não adianta muito. Acredito mais no trabalho, na persistência, sempre. Eles podem ajudar no curto prazo a derrubar uma barreira erguida sem fundamentos reais (ninguém é inferior por ter piu-piu ou pepeca). Abs!

      • Boas colocações, Márcio!

  • Lucas Souza

    O MMA feminino é algo muito importante promocionalmente e esportivamente, sem dúvidas. Além de descobrirmos a beleza dessas mulheres, também vemos o seu talento como lutadoras. Não acredito que o FH foi leviano no texto. Creio que ele apenas salientou alguns pontos divergentes com o posicionamento exagerado e arrogante que, infelizmente, alguns tomam e acabam construindo um “politicamente correto” no nosso meio social e desportivo, assim como o movimento feminista moderno tem feito.

    Há machismo dentro do esporte? Absolutamente!

    Não há duvida de que ninguém no seu perfeito juízo queira ver (o machismo) imperar em algum lugar. Mas o que eu não quero ver também é pessoas arrogando o direito de exigir respeito e igualdade em qualquer aspecto da vida. É verdade que uma simples “olhada” para poupança de uma mulher pode ser motivo de histeria para muitas pessoas, é aí que começa o problema.

    Parabéns FH, é bom trazer esse tema pra galera discutir e pensar um pouco melhor.

    • Se você é crítico ao movimento feminista moderno, temos um ponto convergente. Acho inclusive que quem não vê o radicalismo dessa turma é míope.

      Obrigado pela defesa na acusação infundada de leviandade.

  • Renato Rebelo

    Gente, que estresse… Vejam o Kleber Bambam malhando para acalmar o coração…

    https://www.youtube.com/watch?v=3_qEE2i6h5Q

    • Engraçado que eu achei que a polêmica viria da afirmativa que a Miesha tem um traseiro supervalorizado….

      Nem o Carrano veio reclamar dessa.

    • Rodrigo Tannuri

      Se continuarem de gracinha vou derrubar as árvores do Parque Ibirapuera com a galera nela! Estão avisados! #Ihiiiii

      • André Guilherme Oliveira

        MONSTRO

        • Rodrigo Tannuri

          Sabe o que a gente está buscando? A treta descendente! kkkkk

          • Renato Rebelo

            É ela que a gente quer?

          • Rodrigo Tannuri

            Queremos terminar a treta. Só quero o trapézio kkkkk

  • Fabricio Alves
  • Fabricio Alves

    Ela tem o inglês do Joel Santana mas é um colírio pros olhos.

    https://www.youtube.com/watch?v=uYUPyy41GdY

  • André B

    Já acompanho o Sexto Round há alguns anos e acho que esse é um dos textos que rendeu mais polêmica até hoje.
    De cabeça, lembro só do texto do Paranhos sobre o Rizin que também rendeu. Da até pra fazer um flashback dos 5 textos mais polêmicos do sexto round hahaha.

    • Teve um outro texto antigo sobre Machismo no MMA — com discurso contrário ao meu — que rendeu algumas coisa também.

    • Renato Rebelo

      Mãos a obra, Tannuri!

      • Rodrigo Tannuri

        Já tenho 4. Se achar mais um, the work is done ahaha

        • É sério? Hahaha.

          • Rodrigo Tannuri

            Aqui, missão dada é missão cumprida! kkkkk

          • Luis Felipe Fabricio

            Ainda esperando esse kkk que será o maior “5 motivos” da história.

  • Saulo Henrique

    Parabéns Felipe.Que texto..e que treta, hein? Caraaaio maluco! Até o Alexandre M. do mma brasil estava aqui. E parabéns aos outros colunistas que colocaram e defenderam suas idéias. Que site ! 🙂

  • Renan Augusto

    Ja tive problemas em aceitar o UFC dando chance a atletas somente pela beleza e fanfarronice, mas dps q vc percebe q no MMA assim como na vida existe a “seleção natural” parei de encanar com isso.

    Pode dar holofotes a Van Zant e Sage, mas qdo cair dentro do cage não tem beleza que salve. Então esses aspectos hj ja não me incomodam mais.

    O problema é que vivemos uma epoca de mimimi e que tudo é reclamação. A menina parece um homem reclamam, é linda de morrer reclamam, ele parece um Ken humano reclamam, ou um Massaranduba tb reclamam.

    Chato demais, tudo reclamam e acaba que de nada aproveitam.

    • Deveríamos falar mais de “seleção natural”. De repente, se a turma entender o conceito, diminui o mimimi.

  • bedotRJ

    Ver machismo em tudo, com todo respeito, é coisa de complexado por transferência. Quem age assim, apenas está projetando nas mulheres em sentido lato os traumas que sente em sentido stricto. Ou está tentando ser cordial com a mulherada progressista prá ver se deixa no passado os tempos de bronha – nesse caso, estão perdendo tempo, pois é sabido que as ‘sujinhas’ adoram uma benga reaça. Recomendo fortemente pararem de alimentar esse mito (favor não confundir com BOLSOMITO) do machismo. Se essa questão já esteve presente como um problema social de grande abrangência em outros tempos, hoje, se tanto, é residual – exceto nas sociedades islâmicas, curiosamente aquelas que costumam ser poupadas de críticas pelo discurso progressista anti-ocidental.

    • Boa teoria, certamente se aplica há alguns cabras “engajados”.

      Ato contínuo, concordo ainda mais com sua visão do que é o machismo nos tempos atuais, algo residual. Abs!

  • Luiz Henrique Brito

    Boa noite, concordo com vc FH, e sei que como jornalista vc precisa escolher bem as palavras sob o risco de ser mal interpretado pela patrulha virtual do politicamente correto, mas a verdade é que a beleza ou a personalidade são sim diferenciais quando a técnica das lutadoras é equivalente, se duas lutadoras tem resultados semelhantes que as habilitem a um titleshot, certamente vão precisar escolher algum critério subjetivo para o desempate, e vai ser escolhida aquela lutadora que for mais popular, que é geralmente a mais bonita ou carismática. Isto não é injusto, a empresa sempre visa lucros. Injustiça seria dar um tittleshot a uma miss que acabou de entrar no evento.

    • Talvez eu seja um dos que menos mede palavras aqui, pelo perfil politicamente incorreto que tenho. Mas beleza. Valeu pelo apoio!

  • Thiago Eugenio

    Todos nós somos movidos por ideologias. Até quando negamos uma determinada ideologia ou a combatemos por acreditar ser “invencionice marxista/comunista/petista/foro de são paulo/whatever” trazemos à tona aquilo que acreditamos sobre o tema (a ideologia).

    Ideologias divergentes podem dialogar entre si, desde que haja respeito às ideias e ao outro. É conversando sobre nossas diferenças que descobrimos o quanto somos parecidos e acredito que assim vamos nos desenvolver enquanto sociedade.

    Afinal, seja gostando de Marilena Chauí ou Olavo de Carvalho, todos temos o mesmo desejo: uma sociedade justa e com oportunidades iguais para todos. Ou não? (õ.o)

    Abraço a todos!

  • Ridelson Medeiros

    – Acompanho o Sexto Round desde o seu inicio, e acabei descobrindo o mesmo na época em que ainda olhava noticias através do MMA Brasil, mas nunca cheguei a postar em nenhum dos dois sites.
    – Faço isto hoje porque porque fico muito feliz ao ver posturas como a do Fernando Henriques, que não se deixa levar pela maioria ou que tem medo de ir contra o “rebanho”… é preciso coragem para ter esse tipo de pensamento critico e mostrar novas facetas para o pessoal que acompanha o MMA, pois falar de temas como esse é travar uma guerra contra o politicamente correto, senso comum e derivados… e isso demanda uma paciência que apenas alguns “escolhidos” (rs) tem.
    – Em resumo: espero que você continue quebrando essa “cara homogênea” presente em muitos portais de MMA, pois assim como eu aprecio essa sua postura, garanto que muitos outros tem na sua fala um pouco de si mesmos.

    p.s: um abraço ao Tannuri em nome da Comunidade MMA – Vale Tudo, Pride e UFC.

    • Feliz em receber teu apoio, Ridelson. Pode deixar que de minha parte continuarei tendo “coragem” de me expressar como bem entender, independente da maioria.

      E aproveito o momento para cobrar o mesmo de ti. Não deixe de elogiar quem achar que deve, e criticar talvez, quem achar que deve. Tais comentários são importantes.

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