UFC 197: Jon Jones faz o
mínimo; Johnson, o máximo

Fernando Cappelli | 25/04/2016 às 21:26

Jon Jones fez tecnicamente o mínimo e manteve o máximo de cautela para vencer Ovince St.Preux na luta principal do UFC 197, que marcou o retorno do ex-campeão dos meio-pesados após toda balbúrdia pessoal e profissional nos últimos tempos.

Mas se o evento principal causou alguns bocejos aos mais imediatistas, as outras promessas do card fizeram jus às expectativas.

Na disputa de título dos moscas, Demetrious Johnson detonou Henry Cejudo e frustrou ainda mais as esperanças de haver algum adversário que possa fazer frente à seu poderio técnico em curto prazo. Já Barboza x Pettis foi mais cérebro do que pernas.

Seguro

ezgif-1028602381Ovince St.Preux é um lutador de físico avantajado, que atua plantadão e varia bastante de postura. Aposta em golpes isolados, e em muitos deles ainda se desequilibra em virtude do peso corporal excessivo empregado em cada ataque.

Como de costume, Jones adotou a ambidestria como padrão de luta, tomando iniciativas quando destro e atuando mais como contragolpeador nos momentos de canhoto.

A estratégia para desgastar o adversário foi básica: angariar vantagens sem se expor em demasia, por meio de recursos que facilitam a manutenção de distância e aceleram o cansaço alheio, como pisões laterais e oblíquos nas pernas, além de chutes laterais e circulares no plexo.

Seja para criar uma barreira defensiva com um dos braços esticados, incomodar com under e over hooks nos clinches ou desenhar golpes inesperados com os cotovelos, o alcance de Jon Jones segue como um dos mitos mais intensos a serem superados no MMA moderno.

ezgif-2197650193Mesmo em noite menos inspirada e contra um oponente com envergadura também avantajada (2,01m), Bones dominou com folga as ações nas três distâncias e tirou proveito de cada uma à sua maneira.

O grande ‘fator-sono’ foi justamente a opção de Jones se prender demais nas medidas de segurança para cadenciar o combate de acordo com o ritmo, mais lento, de St.Preux.

Sem tempo hábil para se preparar adequadamente, o haitiano/norte-americano já demonstrava cansaço no segundo assalto. Mesmo assim, conseguiu lampejos de reação, acertando o ex-campeão com alguns socos.

Jones sedimentou as vantagens com quedas pontuais nos assaltos finais e distribuiu alguns chutes de habilidade até garantir o resultado final por pontos. E que venha logo a revanche contra Daniel Cormier.

Intacto

Henry Cejudo pode ter credenciais de sobra no wrestling, mas faltou feeling para lidar com a malícia técnica dos thai clinches impostos por Demetrious Johnson.

O desafiante veio com a intenção clara de apostar nos chutes baixos para amenizar a velocidade frenética do adversário e teve relativo sucesso com isso nos instantes iniciais, e ainda conseguiu uma queda. Mas o campeão logo apertou o cerco e puxou para os clinches usando a pegada combinada, conhecida em muitas escolas como 50/50.

LinearThriftyAfricanbushviperNela, ambos ficam em situação igual, com uma das mãos atrás da cabeça e a outra pousada sobre um dos braços, A partir daí começa a ‘esgrima’, que visa conseguir posições de dominância.

Johnson então variou ataques no corpo e cabeça para condicionar e confundir o oponente. Inicialmente, mandou joelhadas curtas com a direita nas costelas.

Quando Cejudo começou a se encolher e cedeu o mínimo de espaço, o campeão rapidamente deslocou a mão que estava sobre o bíceps para o pescoço, fazendo o ‘colar’ e executando um golpe com o joelho esquerdo no rosto simultâneo ao puxão da cabeça para baixo.

O desafiante sentiu, recuou e acabou atingido mais vezes até o nocaute técnico ser decretado. Brutal!

Lá e cá

Quem pensou que Edson Barboza x Anthony Pettis seria um festival de pernadas espetaculares acabou frustrado, mas apenas em parte. O combate esteve longe de ser ruim.

SevereConsciousGreatdaneMas as táticas de ambos visivelmente foram montadas de formas similares, com um esperando as tentativas de chutes do outro para aproveitar o timing e entrar com socos, pegando o adversário supostamente desequilibrado ou desguarnecido.

A intenção mútua modificou o senso que seria mais comum, deixando a luta muito mais tensa e presa aos detalhes.

Para lidar melhor com a movimentação multiangulada do adversário – Pettis avança e ataca com eficiência em ambos os lados – o brasileiro confiou nos cruzados de esquerda de forma metódica.

tumblr_o654lpWOab1u2ragso1_500Barboza variou o fundamento do boxe de duas maneiras: como golpe final para fechar uma sequência de dois socos retos, ou em contragolpe por cima dos cruzados e diretos de direita de Pettis.

Nas duas formas, o aproveitamento foi mais que satisfatório e fez a diferença.

Outro fundamento explorado pelo carioca foram os chutes na parte interna da perna. Barboza foi sistemático nas patadas baixas, após bloquear algum combo ou mesmo quando Pettis recuava.

No final, a coxa do Showtime parecia um carpaccio, e este cravou a terceira derrota consecutiva na organização.

tumblr_o6552vSWMp1u2ragso1_500Pedalada

O momento ‘vale o GIF’ da vez ficou por conta do mexicano Yair Rodriguez, que mais uma vez abusou da versatilidade e mandou um voleio na cara de Andre Fili.

Nocaute por ‘double kick’ para o habilidoso chicano, que carrega uma mistura especial de displicência e coragem sempre interessante de ser vista nos esportes de combate.

  • Renato Rebelo

    Jesus, olha o estado de putrefação da coxa do Pettis…

    • Coelho Bruno

      Necrose em 3…2…

      A barriga também ficou feia – com marca nítica dos dedos do Barboza. Pena que não consegui imagens…

    • Glauco Lopes

      Caramba lembrou muito a coxa do Faber na luta contra o Aldo

  • Tiago Nicolau de Melo

    Não lembro se o Ariel ou algum lutador comentou no Twitter que não tinha visto o Pettis se “tatuando” na coxa entre os rounds, unLOL.
    Esses chutes do Barboza são de matar, se pegam num reles mortal que treina Muay Thai mais como hobby, faz o cara passar a ter Xadrez de passatempo.

  • Coelho Bruno

    > Quando o Cejudo quedou o DJ eu pensei “lascou!”. Mas o Mouse não esboçou qualquer reação e jogou o super-fucking- wrestler pra longe com facilidade e começou o massacre. A blitz foi tão anárquica quanto a do Wand pra cima do Rampage no finado Pride.
    Eu estava vendo com a transmissão gringa e o Joe Rogan estava estupefato com a atuação do DJ. E não foi pra menos, e não foi pra menos.

    Olha, se o DJ não for o Negro Maravilhoso da Semana tem que abrir uma CPI nesse exército. Estamos de olho, Tannuri!

    Em tempo: o DJ é engraçado, articulado, técnico, rápido, solta golpes plásticos… eu não posso acreditar que haja pessoas que não se empolguem vendo esse cara lutar!
    ————–
    > Eu até achei legal o primeiro, mas depois foi ficando meio ridículo… Capelli, que micagens eram aquelas que o Pettis tentava no final dos rounds? Aquilo dá ponto?

    Uma pergunta: até que ponto derrotas consecutivas podem tirar o brio técnico de um atleta? Na sua opinião, o Pettis algum dia voltará a ser temido ou o RDA acabou com ele de vez?
    ————–
    > Falam muito da hesitação do JJ, mas o St. Preux, na minha opinião, fez um bom trabalho. Não foi tão “cordeiro sacrificial” como muitos pintavam. Além disso, deve-se frisar que o cara lutou uns bons minutos com o braço quebrado.
    Merece Menção Honrosa do Exército do Bem!

    • Renan Oliveira

      É bem capaz do rato fazer a festa nos galos também. Ele evoluiu muito. Só vejo ele perdendo pro Cruz.
      Sobre o Pettis, é nítido que ele não foi mas o mesmo depois da surra que levou do RDA. Parece que perdeu a vontade de vencer. Acho que seria melhor ele descer pros penas, lá ele pode se adaptar melhor. Já nos leves todo mundo já sabe do jogo dele. É um ótimo lutador, mas precisa se reinventar.

    • Matheus V.

      DJ é tudo menos pragmático: finalizou 5 dos seus últimos 7 combates. Não gostar dele é pura má vontade…

    • Fernando Cappelli

      Você diz aqueles chutes de habilidade do Pettis? Ele guardava pro final algum movimento mais ousado mesmo, porque se não surtisse o efeito desejado não o prejudicaria ou o deixaria em alguma desvantagem.

      Derrotas consecutivas depende da personalidade de cada atleta. Tem uns que ficam bem abalados, outros transformam isso em motivação. O UFC é cruel nesse sentido de exigir performance, então varia mesmo a forma como cada um absorve a situação. Aí vai do treinador também ajudar e tal.
      abs

  • douglas karpinski

    Esse double kick malucoooo, toda vez que vejo, minha gengiva sai sangue de imaginar, jesus man!!!!

  • Hyuriel Constantino

    Sinceramente, essa disputa pelo interino dos meio-pesados, como main event, só me deixa mais convencido de como a esportividade e o marketing podem ser tão divergentes em tais circunstâncias.

    Como o atual maior P4P da organização, com um sparring de luxo desses, faz uma luta que me lembra uma mescla de luta de Bellator com caras que estão no rabo da gata da divisão de cima? Com um arsenal técnico gigantesco e um histórico de lutas que dispensa comentários, o cara pega uma carne assada dessas e dá a impressão de que queriam que mastigassem por ele. OSP apenas sobreviveu naquele octógono, pois fora inofensivo o tempo todo. Na boa, Cormier deu muito azar com essa lesão e, mesmo com todo seu poder, ele é desafortunado naquilo que seria o mais importante contra Jones: o tamanho. É com espanto que digo que o Jones de hj, se tivesse pego o Cormier na ponta dos cascos, ou se o OSP tivesse algo além de tamanho e potencial de truculência, Jones teria sido subjugado pela primeira vez no octógono. Resumindo: Jones x OSP foi um potente sonífero como main event. Sem clímax, sem momentos dramáticos e, pior: sem o Jones assassino de outrora.

    Desse modo, por outro lado, esportivamente falando, Mighty Mouse sem dúvida foi o main event com o seu atropelo brutal em cima do Cejudo e merece o posto de número 1 no P4P. Soberano nos moscas, não há mais contenders na categoria que possam lhe fazer frente. Que coloquem o Jussier Formiga como seu próximo contender só pra dar uma sobrevida a categoria, mas está claro que seu maior obstáculo em bater o recorde do Spider está na devastação da divisão provocada por ele próprio. Se, ao menos, Lineker conseguisse bater o peso… Contudo, a carreira do Demetrious só continuará fazendo sentido se aceitar fazer superlutas. Se Cruz passar por Faber, a urgência de tal manobra profissional será inevitável.

    Só lançando o epitáfio da minha crítica sobre o main event, este nem cara de co-main event teve, pois, pra mim, se Demetrious merece o prêmio de Nocaute da Noite, Pettis x Barboza é a Luta da Noite.

    Como eu esperava, luta nervosa, tensa, técnica e totalmente em pé. Barboza lutou perfeitamente. Guarda fechada e compacta, muito imune a golpes vazados, técnica completa, enxuta e fluída, carimbando e tatuando o oponente com Low Kicks e Body Shots… Sem contar que, selando a terceira derrota consecutiva de quem não tá mais conseguindo fazer o show que quer, Barboza deu o prego no caixão do Pettis vencendo-o no último reduto que lhe restava ser superado (no striking) sem precisar ser pressionado ou abafado. Só isso já torna o brasileiro, indubitavelmente, o melhor striker da categoria (inclusive, com a guarda que ele costuma usar, praticamente impenetrável, começaria a cogitar que aquele jab do Cerrone foi bem espírita. kkkkk…).

    Nas demais, vi um sapo com sal na derme, uma kickboxer (pelo menos no seu apelido) querendo virar uma jiujiteira contra uma wrestler com centro de gravidade mais forte que o dela e uma pantera maluca realizando um dos nocautes mais estupidamente brutais que já vi.

    Resumindo: ainda que a luta principal tenha sido tosca, foi melhor do que o, até então armado, UFC 200. LMFAO! #CHUPADANAWHITE

    • Rafael Fiori

      Sapo com sal na derme.

      hahaahaha

    • Glauco Lopes

      Amigo vc como sempre preciso nos comentários, também axo que se o DC tivesse enfrentado “Esse Jones” venceria fácil! Mas fiquei com a impressão que se o adversário fosse o DC axo que o Jones lutaria bem diferente. Creio que a inatividade não fez muita diferença, vide o Cruz por exemplo que dadas as diferenças obvias de peso e envergadura mesmo sendo um lutador foda, tá longe de ser genail e completo coo o Bones. Pettis e Barbosa me lembrou as lutas fodas do GLORY, e o DJ sem comentário, o bixo só evolui! Abs

      • Hyuriel Constantino

        Opa, Glauco, muito obrigado pelo reconhecimento. Eu tb levo em consideração o fato de que Jones poderia ter lutado diferente (diga-se com maior qualidade e domínio) contra Cormier. Quanto mais se depende da estratégia traçada, mais difícil se torna lutar contra um substituto vindo de última hora e Jones comentou isso. Contudo, tirando a brutalidade e porte de OSP, o haitiano é um atleta de qualidade significativamente inferior a Cormier, o que põe em dúvida se Jones ainda tem a mesma organicidade de outrora em não depender tanto de estratégias, mas tb de intuição e adaptabilidade.

        Seria a mesma coisa de, na ocasião do UFC 151, supormos que, por não lutar contra Hendo (na época, um atleta relevante), Sonnen poderia durar cinco rounds contra Jones apenas pela mudança abrupta de oponente, sendo que o gap entre os dois é abissal. Portanto, vendo esse mesmo gap entre Jones e OSP, não me conformo dele não ter definido essa luta de outra forma que não fosse por decisão.

        Abs e Osu.

  • Rodrigo Carvalho

    Não tem muito o que comentar; só acho que o DJ prova a cada luta o quão superior ele é ao resto do MMA dentro do UFC.

  • RWillians

    Barbosa deu 1, repito um chute no abdômen de Pettis, e deixou marcado…

  • Cristiano

    Sant Preux pegou o mesmo prelarador físico do Dada 5000????
    Por favor! O cara tava sem gás nenhum já no inicio do segundo round.

    • Renato Rebelo

      Vale dar um desconto pq o cara não teve camp, né?

      • Cristiano

        Fico de cara que os lutadores vivem disso e se dizem profissionais. Quando Não tem 3 meses para se preparar mal conseguem lutar um round Renatão.
        Se o gás dele acabasse no segundo ou terceiro round ok, mas no primeiro ele já foi pra banha.

  • Renan Oliveira

    OSP tava lutando ou brincando de pique-pega?

  • Thiago_NCO

    3 derrotas seguidas… E acende-se a luz amarela pro Showtime. O cara é popular e tudo mais… mas acho muito bom ele vencer a próxima luta. Caso contrário, tio Scott Cocker o aguarda de braços abertos.

  • Thorens Acchuphase

    Barbosa fez uma luta inteligente e tática, gostei muito do que vi ,já o St. Preux fez tudo que não se deve fazer contra o JJ: Dar espaço e deixá-lo totalmente confortável a longa distância, usou a estratégia errada, deveria ter encurtado, pressionado e ter se arriscado numa trocação “a la Lineker”. DJ dispensa comentários, Ju Thai errou feio a querer chutar uma wrestler como a Sparza, deveria ter ficado no boxe castigando e pontuando, fraca defesa de quedas, esperava bem mais dela, mas provou que precisa evoluir muito ainda pra subir no ranking. O Bruce Lee mexicano tem um jogo bonito de ver, mas gasta muita stamina e falta solidez em seu jogo, não tem gás pra 5 rounds, não vejo ele brigando na ponta.

  • Ricardo Mori

    Barboza e Showtime, show de luta! Se fosse 5 rounds, aquela perna esquerda do Pettis não durava até o final (minar as pernas em uma luta equilibrada é uma boa estratégia, vide a luta do Ze Aldo com Uriah Faber).
    Agora o Yair, com mais uma luta, deve subir pros top 10 e ir pras “cabeças”.

  • Heitor de Assis Ramos

    DJ monstro, JJ superior, Barboza pontual… gostei!!!

  • Matheus V.

    Fiquei sabendo que um certo analista do Sexto treina o Pezão. Ele foi ótimo esse sábado, não entrou na análise por humildade? Hehhe.

    • Fernando Cappelli

      ahahah… tem de ter cuidado pra não misturar as coisas mesmo. Mas o Pezão colocou pra jogo tudo que foi treinado. Era uma luta de risco, e ele fez por merecer.
      abs!

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