Domingo frio: Dana e meus dois momentos “holy shit”

Renato Rebelo | 02/06/2013 às 15:22

A partir deste domingo, vou lançar listinhas, recordar momentos marcantes e discutir tópicos aleatórios com vocês.

No linguajar jornalístico, passaremos a ter pautas frias no dia que inicia a semana.

Portanto, mãos à obra:

Na última quarta-feira, sabe-se lá por que, me peguei lendo um artigo antigo da revista britânica Fighters Only com Dana White.

Na publicação, o careca, marqueteiro da pesada, atestava o seguinte:

O UFC nada mais é do que um vendedor de momentos únicos, inesquecíveis. Aqueles momentos que você pula da cadeira, xinga alguém e lembra onde você estava naquela data por anos. Eu chamo esses momentos de “momentos holy shit”.

Para ele, os porradeiros mais bem pagos serão sempre aqueles capazes de nos proporcionar esses preciosos segundos de adrenalina.

Sua tese não goza de comprovação científica – uma vez que precisamos excluir certos campeões amarrões dela –, mas se aplica em muitos casos.

Pegando esse gancho, recordarei dois desses momentos que jamais serão apagados do meu HD:

 

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Griffin magoando Shogun

Griffin x Shogun I
Maurício Rua pisoteou uma galera graúda entre os anos de 2003 e 2007. A violência do então chuteboxer deixou 12 vítimas em estado grave no período e lhe rendeu fama global. O UFC, novo líder de mercado, tava ligado e buscou seus serviços. Lembro que o sentimento geral em relação a Forrest Griffin – pobre coitado escalado para recebe-lo no evento americano- era de pena. Afinal, pra quem havia atropelado Alistair Overeem meses antes, o limitado “Ultimate Fighter” parecia mel na chupeta. Cenzão no irmão mais novo de Murilo Ninja – mesmo sabendo que a recompensa seria mínima tamanho era o favoritismo- e um gravíssimo problema: o jantar de aniversário da sogra na mesma noite. A meu favor, o fato do restaurante ser situado num shopping center. Pois bem, quando bateu o horário do confere, pedi licença pra ir ao toilett e busquei refugio num barzinho próximo. No final do primeiro round, Shogun já respirava como fumante, Griffin tinha um órgão genital feminino aberto na testa e eu vivia um dilema: volto pra bater ponto ou fico até o final? Como não quis ser indelicado, resolvi ser sociável. O problema é que as mãos logo começaram a suar. Pedi licença novamente e retornei ao bar. Logo que cheguei, um famigerado mata-leão me petrificou. O que eu acabara de testemunhar era tão surreal quanto esbarrar com um alienígena no calçadão de Copacabana ou assistir o Botafogo sagrar-se campeão da Libertadores. Que noite, amigos! Meu ídolo caiu, fiquei mais pobre e, de quebra, ganhei fama de intestino solto na família da nova namorada.

 

Minotauro x Couture

UFC 102: Couture vs. Nogueira

Cruzadão de esquerda forjado na Champion

Como não minto pra vocês, lá vai o papo sem curva: em 2009, eu pegava uma comissária de bordo gente boa, muito boa. Infelizmente, a menina só passava, em média, um final de semana por mês no Rio de Janeiro – portanto, minha janela de oportunidade era pequena. Em nosso segundo encontro, limitações logísticas impediram que o papo fosse posto em dia – o que me fez agendar novo encontro com vinte e tantos dias de antecedência. Acontece que, durante a espera, realizei: o confere cai na mesma noite do UFC 102. E aí, corro o risco de perder o contato com a loira ou faço vista grossa para Minotauro x Couture? Nenhum dos dois, ora! Marquei com ela no único barzinho próximo à minha residência que certamente transmitiria o evento. A mulher logo sacou que a escolha do local (fuleiraço, diga-se de passagem) foi graças à luta – mas se comportou bem. Tudo ia às mil maravilhas até “Gimme Shelter”, dos Rolling Stones, começar a tocar. A partir daí, o romantismo foi pras cucuias. Quando a troca franca de chumbo começou, levantei da cadeira abruptamente e quase promovi uma videocassetada – considerando que a moça estava com o queixo apoiado no meu ombro. Nas duas vezes que o boxe do baiano derrubou o Capitão América, não contive as emoções e dei vexame. O importante é que, no final, a missão foi cumprida – tanto por mim quanto pelo “Big Nog”.

E vocês, também têm histórias memoráveis pra compartilhar?

Abraços.

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