Pensando alto: a análise informal do UFC 160

Renato Rebelo | 26/05/2013 às 02:08

Na noite em que Forrest Griffin pediu as contas, a dança das cadeiras na Cidade do Pecado foi feroz. Sem conversa mole. Vamos ao que interessa:

VELASQUEZZCain Velásquez x Antônio Pezão

“Gosto demais do Pezão, mas esse mexicano é muito terrível” – disse o sincero Fábio Maldonado em bate-papo com a imprensa pós-UFC no Combate 2. Por mais que a atração pela personalidade do gentil gigante nos fizesse crer, a realidade nua e crua é que Velásquez sempre esteve em outro patamar. Assim como na primeira vez, o trator californiano sequer transpirou – e, de quebra, riscou outro nome na pequena lista de sujeitos capazes enfrentá-lo. Acho que a única ameaça ao seu trono vem de uma trilogia – mesmo considerando a interrupção prematura.

Infelizmente, dentro do cage, tinha um brasileiro que acho que não gosta de brasileiro… Nem tonto eu estava, achei que ele (o juiz) tinha mandado levantar para punir o Cain pelos socos na nuca… Tem que haver punição pra árbitros. O Yamasaki vem errando há várias lutas… – protestou “Bigfoot” ao PVT.

 

CIGANOJúnior Cigano x Mark Hunt

O catarinense pegou a rodovia da morte e sobreviveu com apenas algumas escoriações. Júnior negou o agarra-agarra e, via boxe volumoso, dominou 14 minutos de ação. Surpreendentemente, o fim do conto de fadas do gordinho veio com um furtivo rabo de crocodilo (em alta na empresa). Cheguei a temer pela recuperação emocional do ex-campeão (pós-surra), mas o cara bicou meu baixo astral pra longe. Where you at, Cain?

No-brainer. O Júnior destruiu o Cain na primeira luta, o Cain destruiu o Júnior na segunda… Estou ansioso pela terceira – disse Dana White na coletiva de imprensa.

 

GLOVERGlover Teixeira x James Te Huna

O mineiro de Sobrália é simplesmente duro demais pra qualquer caboclo que não frequente o clubinho dos cinco mais. Substitutos de última hora serão meros passatempos. O ex-Men in Black provou minha tese com sua viagem de turismo a Las Vegas. “O gancho do Te Huna pode surpreender” – disse um jornalista gringo essa semana. Acontece que, no MMA, um só golpe não faz verão. Guilhota mamão com açucar e mais um (pequeno) passo em direção ao negão cabuloso.

 

GRANTTJ Grant x Gray Maynard 

Como meio-médio, Timothy Jerome andou na linha do equador (3-3). Com 70kg, virou cosplay de rolo compressor. O fim do “Bully” veio logo aos dois minutos de prosa – com terrível blitz do canadense encerrada por um cruzado mórbido. TJ não tem grife, mas seus resultados berraram – e Benson já escutou.

 

 

CERRONE

Donald Cerrone x KJ Noon

Ex-pugilista, Karl James chegou a Las Vegas certo de que o “Cowboy” não se aventuraria na chuva de tamancos. O produto da Jacksons MMA não só provou o contrário – misturando com maestria caneladas, sopapos e quedas – mas tirou um litrinho de sangue de KJ no processo. Cerrone, que tecnicamente lembra Michael Bisping com bulimia, ressurge após derrota para Pettis – e o ex-Strikeforce está prestes a se tornar ex-UFC.

 

Menção honrosa

Abel Trujillo x Khabib Nurmagomedov

O sopa de letrinhas provou mais uma vez que é de verdade. Apesar de ter chutado o balde na pesagem (chegou 1,5kg acima dos 70 combinados), Khabib, com duas dúzias de suplês, levou o Blackzilian pra passear na montanha russa dos horrores (trocadilho infame com a nacionalidade do malandro). Trujillo caiu mais do que ações das empresas de Eike Batista nos últimos meses – mas não ruiu. 30 a 27 e vigésima vitória na conta do invicto mestre de sambô.

Tags: