Vitor Belfort e TRT: vamos debater o assunto?

Renato Rebelo | 22/05/2013 às 02:02
vitor1

Versões 2011 / 2013

Sei que estou um pouco atrasado, mas, inspirado em algumas boas publicações – como a do colega Jorge Corrêa, do UOL– resolvi meter o bedelho.

Pra começar, calçarei os sapatos de Vitor Belfort.

Deve ser um bico nos culhões treinar meses a fio, nocautear um dos caras mais duros do planeta e ter que lidar com questionamentos mis sobre um tratamento considerado legal por seu empregador .

Alguém pode bater nesse cara pra mim? Você é muito chato, cara! Vai catar coquinho! Fala com a minha mão – respondeu o carioca de 36 anos ao repórter John Morgan, do site MMA Junkie, ao ser perguntado sobre TRT.

Acontece que matar o mensageiro não resolve a chateação.

Para o público gringo, o único tópico quente no verde-amarelo UFC no Combate 2 era o uso de injeções de testosterona por seu protagonista.

Morgan apenas deu voz a milhares de leitores – muitos fãs de Belfort – e foi esculhambado.

Nosso esporte é praguejado pelo doping e só deixaremos as trevas com o debate – e não com negação.

Vamos raciocinar:

Numa população X, a quantidade de adultos com problemas de produção de testosterona é mínima.

Alguns estudos apontam que apenas 5% dos homens com menos de 40 anos apresentam disfunções.

Anomalias na glândula pituitária e o hipogonadismo são as causas mais conhecidas.

Agora, por que há tantos casos entre lutadores profissionais?

O uso de esteroides anabolizantes é a resposta da moda

Ora, o corpo humano é uma máquina inteligente.

Se você injetar testosterona extra, por exemplo – para ganho de massa muscular, melhoria de performance, libido, etc-, seu sistema endocrinológico identificará a quantidade anormal e pisará no freio.

Portanto, assim que a aplicação da substância sintética for interrompida, as taxas despencam.

E a regularização natural leva tempo.

Como nosso organismo não é ioiô, danos permanentes podem ser causados se o processo for repetido com frequência.

Aí, entra em cena a necessidade de um tratamento permanente…

Se seu corpo não produz mais a quantidade necessária, tá na hora de se aposentar. Acho que esses caras estão achando uma maneira legal de se dopar. E já aviso: vou testar todos eles brutalmente – declarou Dana White no final de 2012.

E essa é a grande crítica à terapia de reposição de testosterona.

Caras que recorreram ao mercado negro e se lascaram podem, via receita médica, voltar a ter alto rendimento.

Algumas comissões atléticas se defenderam negando a manobra àqueles flagrados no passado.

Vale lembrar que  “O Fenômeno” caiu no exame antidoping em 2006, contra Dan Henderson, no Pride USA e, por isso, não recebe permissão para fazer uso da TRT em Las Vegas.

O problema é que a proibição também é questionável, pois não há como ter certeza se essa é a raiz de seus problemas.

Novos estudos apontam que a desidratação excessiva e até golpes na cabeça podem levar o indivíduo a ter baixa produção do hormônio.

Os céticos, claro, acreditarão na tese mais espinhenta.

Portanto, se quiser ser lembrado como um lutador limpo pelo inconsciente coletivo, Vitor terá que prestar contas.

Não basta apenas fazer xixi no potinho na data marcada (tal controle é facílimo de ser burlado).

Provar aos fãs que não comete abusos, principalmente durante o período de treinamentos, é providencial para alguém que não é réu primário e depende da terapia para performar.

Do contrário, grandes façanhas – como a do último sábado- continuarão sendo postas em xeque.

Marc Ratner, vice-presidente de assuntos regulatórios do UFC, revelou à ESPN que o ex-campeão dos meio-pesados não foi testado antes da luta em Jaraguá do Sul.

Ausência de evidências, revolta com a imprensa… Esse, definitivamente, não é o caminho para silenciar os críticos.

Abraços.

Tags: