Estrelas do MMA e a relação necessária com a imprensa

Renato Rebelo | 07/05/2013 às 23:31
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Dana White sempre bate um papo com a imprensa pós-eventos

A vida de lutador de MMA não é melzinho na chupeta.

No dia a dia, atividades físicas extenuantes, dores agudas, falta de apoio e pressão psicológica criam o que Charles Darwin chamara de seleção natural.

Apenas os fortes sobrevivem. Esses, apesar das chagas, desfrutam dos louros concedidos a estrelas do esporte.

Uma das atividades mais massantes desta linha de trabalho é – ao lado de enxugar os quilinhos extras- lidar com a imprensa.

E somos um verdadeiro bico nos culhões.

Reviramos sua vida de ponta-cabeça e descobrimos até aquele primo cracudo de segundo grau para quem você faz vista grossa.

Quando clamar por sossego, estaremos sempre a postos para assediá-lo com a mesma pergunta já respondida centenas de vezes.

Mas também tem o nosso lado…

Campeão sendo assediado

Campeão sendo assediado

Salário de mineradores de carvão cambodjanos, até 12 horas de labuta diária, nada de feriado, fim de semana, reconhecimento, muitos “nãos”, “bolos”, etc…

Como os atletas, somos abençoados por vivermos do tópico que amamos.

E o professor, advogado, veterinário, designer, economista, etc?

Não conheço qualquer profissão em que exista apenas bônus – sem ônus.

Vocês sabem que tenho pânico de mesmice e faço das tripas coração para trazer conteúdo minimamente diferente.

E, vira e mexe, me pego sendo um estorvo.

No ultimo domingo, por exemplo, na Copa Pódio de jiu-jítsu, Rodolfo Vieira acabara de superar o duríssimo Ricardo Demente quando o animal aqui interrompeu as celebrações para perguntar sobre seus planos de migração para o MMA.

De foder, não?

Mas eu, por outro lado, larguei namorada e família no domingo, cruzei o Rio de Janeiro e trabalhei horas a fio em um evento de arte suave para tentar espremer qualquer pautinha marota sobre MMA – tema do site.

E é assim que a engrenagem do capitalismo funciona, meu amigos.

Através de trocas voluntárias, fãs, promotores, patrocinadores, imprensa e lutadores trabalham lado a lado para seu próprio bem-estar – e acabam fazendo o bolo crescer.

Por que a marca Brancorian (fictícia) resolve patrocinar o fulano?

Seria porque eles trabalham pelo esporte e querem ajudar os atletas?

Deixo-lhes com o bom e velho Adam Smith:

Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele têm pelos próprios interesses

O executivo da Brancorian acredita que aquele profissional transmitirá sua marca para o público e, consequentemente, venderá mais material esportivo.

E quem faz esse meio de campo? Nós, a imprensa, ora.

Só há investimento se houver uma contrapartida: visibilidade. Seja pela Rede Globo, sintonizada por milhões de brasileiros, ou pelo modestíssimo Sexto Round, que tem media de 2,3 mil visualizações por vídeo.

Não faz o mínimo sentido demandar patrocínio sem querer divulgar o parceiro.

Tínhamos todo um “media day” pronto para ele em Los Angeles, e ele acabou de decidir que não quer fazer isso. Então, está sendo multado em US$ 50 mil. Ele não gosta de falar com a imprensa, mas é uma obrigação do contrato. Todo mundo quer mais dinheiro, mais dinheiro, mais dinheiro, mas ninguém quer vender a luta ou ir falar com a imprensa. Falar a imprensa é parte do seu trabalho, gostando ou não – disse Dana White.

O chefão se refere, acima, ao toco do astro Anderson Silva à coletiva de imprensa do UFC 162. Hoje, o “Aranha” se justificou à revista Veja:

Nunca faltei a nenhum compromisso com o UFC. Jamais marcaria uma viagem para o Brasil se soubesse que deveria estar em Los Angeles.

Como não sou detector de mentiras, não cabe a mim julgar.

Mas garanto que Nike, Burger King, Corinthians e o próprio UFC curtiriam ter suas logos estampadas ontem nos principais jornais e portais do planeta.

Anderson sempre foi de difícil acesso com seu jeitão introspectivo. O assédio excessivo acabou o tornando ainda mais arredio com a imprensa.

Acontece que o fim de sua carreira é iminente e a TV e o cinema devem lhe servir de abrigo no futuro.

Para que tal empreitada midiática termine em popularidade e bons números, esforços serão necessários.

Que tal estreitar logo os laços com aqueles que propagam suas palavras aos fãs?

O mano Axel Rose dá uma boa dica:

Um pouco de paciência, sim, precisamos de um pouco de paciência, sim, só um pouco de paciência, sim. Mais um pouco de paciência – “Patience”, “Guns and Roses”.

Abraços.

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